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INFLAÇÃO

Empréstimos para comprar alimento com alta de preços

Avanço da inflação foi a maior para o mês de abril desde 1996 e levou famílias a pedir dinheiro para poder consumir itens básicos

Jennifer Schulz, supervisora de financeira, atende cerca de 10 pessoas por dia em busca de empréstimos

Última atualização

Puxada pelos preços dos alimentos e combustíveis, a inflação avançou 1,06% na passagem de março para abril, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta quarta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o maior resultado para o mês de abril desde 1996 (1,26%).

Sem fechar as contas ao final do mês, famílias estão sendo forçadas pela inflação a recorrer a empréstimos até para comprar alimentos e gás de cozinha.

Na Rede Autoriza Soluções Financeiras, por exemplo, cerca de 10 pessoas buscam empréstimos por dia, segundo o empresário Tonieber Clara Ferreira, e a supervisora da unidade, Jennifer Schulz.

 













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O empresário conta que existem situações que o aposentado chega chorando e confessa que não tem outra saída para colocar o “pão de cada dia na mesa”.

Outros, sem conseguir lidar com a pressão de agiotas, pegam empréstimo de até R$ 17 mil para comprar, além de alimentos e gás, remédios e pagar contas pendentes, como de água e luz.

Um dos casos o comoveu. “Uma aposentada de 68 anos nos procurou para pegar um empréstimo. Ao saber que a sua renda estava comprometida com outros empréstimos, ela ficou triste e disse que não tinha dinheiro nem para comprar um miojo. Eu tirei dinheiro do meu bolso e a ajudei a comprar alguns itens da cesta básica”.

Em 15 anos no mercado, Tonieber revela que nunca viu uma situação dessa. “Já vi muita gente reclamar, pegando empréstimo para reformar a casa, comprar uma TV nova, geladeira, fogão, colchão, mas alimentos, gás e remédios, não”.

Janio Araújo, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados Pensionistas e Idosos no Estado, confirma que muitos reclamam do comprometimento do benefício com a alta dos alimentos. “Muitos, inclusive, estão sendo obrigados a mudar o cardápio para uma opção mais barata com o que sobra dos empréstimos consignados”.

A inflação tem pesado no bolso da autônoma Maria Helena Vieira Martins, 62 anos. “Não peguei empréstimo ainda, pois tenho medo da bola de neve. Só que se eu conseguisse R$ 5 mil para pagar uma prestação de até R$ 150 por mês seria um alívio, pois as contas não fecham ao final do mês. É aluguel, comida e as contas de água e luz”.

 













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Embalagens menores para driblar reajustes

Em meio à recente disparada da inflação, a velha tática de algumas indústrias de reduzir embalagens para fazer o preço dos produtos caber no bolso dos consumidores se multiplicou.

A estratégia, apelidada de reduflação, se revela em menos fósforos na caixa, biscoitos que encolheram e frascos mais leves do lava roupas, por exemplo.

Essa prática é acompanhada pelo governo que, para evitar a maquiagem de preços, endureceu as regras e passou a exigir dos fabricantes informações mais claras, e por mais tempo, sobre mudanças nas embalagens.

Aqui no Estado, o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider, diz que diminuir as embalagens sem reduzir o preço é um artifício condenável.

Para driblar a inflação, consumidores têm percebido que alguns restaurantes subiram os preços e estão trocando o cardápio. No entanto, o presidente do Sindicato de Bares, Restaurantes e Similares do Espírito Santo (Sindbares), Rodrigo Vervloet, diz que a estratégia de segurar os preços é uma tendência natural do setor.

“Sempre buscamos absorver o aumento de custo para não onerar o consumidor”, finalizou.

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