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Mesmo com todos os avisos, campanhas de conscientização, fiscalização, advertências e multas, o Estado ocupa o topo do ranking nacional quando o assunto é mortes relacionadas a álcool e direção.
O resultado negativo para o Estado foi verificado após estudo realizado pelo Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool (Cisa).
O território capixaba está acima da média nacional. Acidente de trânsito provocado por motoristas embriagados é o tipo de morte mais comum. A média de mortes no Estado é 6,4% maior do que a nacional, com uma taxa de quase 38 óbitos por 100 mil habitantes.
Segundo o estudo, os acidentes de trânsito provocados por motoristas bêbados representam 16,7% das mortes e são considerados a principal causa de óbitos relacionadas ao uso excessivo de bebida alcoólica.
O psicólogo representante do centro responsável pelo estudo, Kae Leopoldo, destaca que o percentual de mortes registradas em um ano cresceu 43%. “É muito mais que o aumento nacional. No Brasil, de 2019 para 2020, foi de 24%”, explicou Leopoldo.
A hepatologista Mariana Poltronieri Pacheco ressalta que o álcool, quando misturado com direção, é extremamente perigoso.
“O álcool afeta o sistema nervoso central, e o condutor fica com os reflexos atrasados. Não consegue ter reação a algumas situações com tanta rapidez e perde capacidade de raciocínio, mesmo em pequenas quantidades. Ele é um depressor do sistema nervoso central, que é nosso cérebro, que é o que comanda nossas ações”, frisou.
O estudo também mostra que quase 80% das vítimas são homens, e mais da metade está acima dos 55 anos.
Em 2020, ano de início da pandemia da covid-19, o Brasil teve o maior número de mortes atribuíveis ao álcool desde 2010. Além disso, houve aumento de 24% nos óbitos por álcool no primeiro ano da pandemia se comparado a 2019.
“Após o período pesado da pandemia, as pessoas voltaram a circular e as infrações e acidentes aumentaram. As pessoas estavam presas e, quando voltaram, ao normal, exageraram”, disse o gerente de operação e fiscalização de trânsito de Vitória, Bruno Xavier.
Quase metade dos estudantes de 13 a 17 anos já se embriagaram
Além dos dados que ligam o consumo de álcool à mortes no trânsito, a pesquisa também mostrou outra informação negativa na realidade dos estudantes adolescentes do País.
Com relação ao consumo abusivo de álcool, a pesquisa mostrou que 47% dos estudantes, de 13 a 17 anos, relataram episódio de embriaguez ao menos uma vez na vida.
Os riscos imediatos e de longo prazo decorrentes do uso de álcool por menores de idade reforçam a necessidade de desenvolver programas efetivos de prevenção e tratamento para esse público.
“Em adolescentes, o álcool é um escape social. Mas a própria constituição corporal do adolescente é diferente da do adulto. Geralmente, precisa de doses menores do que adultos para ficar embriagado, além de facilitar a dependência no futuro”, disse Mariana Pacheco, hepatologista.