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PETROBRAS SOB ATAQUE

Caminhoneiros ameaçam greve após nova alta em preços de combustíveis

A partir deste sábado, diesel sobe 14,25%, e gasolina, 5,18%, o que provocou reações de autoridades e transportadores, por mudanças na estatal

Chorão, líder da associação dos caminhoneiros que realizou a greve de 2018, criticou política de preços da estatal.

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Após a Petrobras anunciar um novo reajuste de 14,25% e 5,18%, no diesel e na gasolina, respectivamente, a partir de hoje, a Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) cobrou o presidente Jair Bolsonaro e ameaçou, em nota, que pode realizar uma nova greve dos caminhoneiros no País.  

“Mantendo-se essa política cruel de preços da Petrobras, o País vai parar novamente, se não for por greve, será pelo fato de se pagar para trabalhar. A greve, é o provável”, diz a nota da associação.

 E não foram só os caminhoneiros que reagiram ao reajuste. Bolsonaro; o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira; e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça estão entre as autoridades que partiram para o ataque contra a estatal.

O novo aumento no diesel acontece 39 dias depois do último, de 8,8%. Já a gasolina estava há 99 dias sem aumento, quando subiu 18,7%. Com o anúncio, o preço médio de venda de gasolina da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro. 

Para o diesel, o valor passará de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro.

A associação, liderada por Wallace Landim, o Chorão, entende que o aumento se deve à política de preços que vem causando “caos econômico” na sociedade.  

Para Chorão, um dos líderes da greve de 2018, não ter reestruturado a política da empresa foi a “grande falha e incompetência do governo Bolsonaro”. As críticas também não poupam o ministro da Economia, Paulo Guedes.  

“O ministro apelidado de posto Ipiranga, que deveria resolver esse problema, é o grande culpado deste caos, e hoje chegamos nesse ponto crítico, sendo que ainda temos sérios riscos de falta de diesel. Bolsonaro precisa entender que dar ‘xilique’ não vai resolver.”

O superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística (Transcares), Mário Natali, disse ser muito preocupante  o aumento de preços, mas  prefere aguardar antes de se manifestar de forma mais concreta. 

“De certa forma é uma situação ruim, pois os custos são muitos altos, e o transportador vai precisar repassar o reajuste. Vai impactar toda a cadeia logística”.

Conselheiro propõe 45 dias de preços congelados

O conselheiro da Petrobras Francisco Petros indicado pelos acionistas minoritários, enviou carta para Adolfo Sachsida, ministro de Minas e Energia, Ciro Nogueira, ministro de Estado Chefe da Casa Civil, além de José Mauro Ferreira Coelho, presidente da Petrobras, e o governo Federal. 

O pedido é para que seja formado um grupo de trabalho “com todos os agentes do mercado de combustíveis e membros do governo para estudar fórmulas que permitam o funcionamento do mercado em bases sustentáveis para o País e as empresas”.

A carta explica que esse “grupo deverá apresentar resultados no prazo de 45 dias”. O documento, datado de ontem, diz ainda que “durante o transcurso deste prazo a Petrobras se comprometeria a não reajustar os preços dos combustíveis na expectativa concreta de que sejam adotadas medidas razoáveis propostas pelo grupo de trabalho mencionado”.

No documento, Francisco Petros diz ainda que “esta concreta expectativa, uma vez existente, estaria plenamente coadunada com os deveres dos administradores em perseguir os melhores interesses para a Petrobras. Para o governo, seria uma oportunidade concreta em buscar soluções de interesse público”.

Petros é conselheiro independente da estatal e foi eleito esse ano após ser indicado pelos acionistas minoritários donos de ações ordinárias (ON, com direito a voto).

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