Moradores do Estado que tiveram dados de documentos vazados ou roubados por hackers estão com informações pessoais à venda por em média R$ 47 na chamada deep web, ou internet profunda, que não é acessada por sites de busca.
É o que aponta estudo da NordVPN, empresa especializada em cibersegurança. Ao todo, 720 mil internautas de todo o País têm dados disponíveis para venda no mercado criminoso da internet.
Segundo a empresa, o Brasil é um dos países mais desvalorizados nesse mercado, devido ao grande volume de informações vazadas.
Enquanto um documento de identidade europeu pode chegar a custar R$ 1.740, um número de RG brasileiro custa menos de 15% desse valor.
O estudo feito pela NordVPN aponta que, ao todo, há mais de 30 mil sites responsáveis por vender informações pessoais, sendo que, desse total, as empresas de cibersegurança só conhecem cerca de 4% do conteúdo disponível.
Os itens mais procurados são documentos de identificação, dados bancários, contas de e-mail e senhas de acesso. Especialista em Segurança da Informação, João Paulo Chamon diz que “vivemos hoje uma nova realidade, onde as informações pessoais estão cada vez mais expostas”.
E acrescenta: “Vivemos um novo normal. Temos informações espalhadas por vários lugares e até mesmo dados vazados de quem já morreu. Não há como fugir disso se até o Portal da Transparência publica informações pessoais”.
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Em 2021, os dados de 223 milhões de brasileiros foram vazados. Número acima da população nacional, estimada em 212 milhões de habitantes, porque incluía dados de pessoas já falecidas.
As informações expostas incluíam números de CPF, nomes, sexo e data de nascimento, CNPJs e lista com dados de veículos.
No início deste ano, A Tribuna noticiou que bandidos tinham acesso a dados de 1,79 milhão de pessoas no Espírito Santo. A informação foi divulgada por um hacker que conversou por dois dias com a equipe de reportagem.
Segundo ele, cadastros eram vendidos por meio de assinatura, custando R$ 250 por mês, para ter acesso a nome completo, CPF, data de nascimento, telefone e renda mensal.
Especialista alerta para cuidados
Especialista em Segurança Digital e colunista de A Tribuna, Eduardo Pinheiro alertou que os internautas devem prestar mais atenção em como utilizam os serviços e onde colocam seus dados pessoais.
“As pessoas gostam muito de serviços gratuitos, que de grátis, na verdade, não têm nada. É uma troca e, quem usa, geralmente não lê os termos de adesão, que deixam claro que quem aceita o serviço tem seus dados gravados pela empresa e, em muitos casos, também concorda que essa empresa repasse-os para terceiros”.
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Para ele, é comum também as pessoas não prestarem atenção quando cedem suas informações pessoais, como na compra em supermercados, farmácias ou em lojas de shoppings, que pedem seus dados como CPF e RG até para compras rápidas.
Eduardo Pinheiro também comenta sobre a segurança em e-mails e armazenamento em nuvem. Ele cita que atualmente é comum o uso dessas ferramentas para salvar informações importantes, mas que seu uso requer atenção.
“Para e-mail e drives em nuvem, é importante que os dados sejam criptografados para evitar o roubo dessas informações, e ainda toda segurança extra, como autenticação de dois fatores, que também é benéfica”, adverte.
Dados de europeus valem até R$ 1.740
Como os bandidos agem:
Criminosos se aproveitam de falhas na segurança online para vazar dados pessoais com números de CPF e identidade, data de nascimento, nome completo, filiação, informações de renda, senhas de sites, e-mail e contas bancárias.
Esses dados são negociados em sites da chamada deep web, uma parte da internet que não pode ser acessada por meio de sites de busca e que é frequentemente utilizada para atividades criminosas.
Os dados são vendidos individualmente. Um RG brasileiro, por exemplo, custa R$ 47 e pode vir em lotes com vários dados compilados.
Existe também a modalidade de assinatura onde os golpistas pagam R$ 250 por mês para ter acesso a listas contendo dados vazados.
O Brasil é um dos países com o maior número de dados vazados à venda. O volume chega atualmente a 720 mil dados na dark web.
Como se proteger:
Segundo especialistas, o primeiro passo para se proteger é ter mais cuidado com as informações pessoais. O ideal é prestar mais atenção onde os dados são cadastrados.
Eles lembram que dados pessoais são coletados a todo momento na internet apenas por utilizar serviços e redes sociais, mas que, com a criação da Lei Geral de Proteção de Dados, as pessoas têm garantido um maior controle sobre seus dados.
A lei diz, entre outras coisas, que alguém só pode coletar ou tratar dados pessoais com a permissão da pessoa dona dos dados.
Só que essa permissão é dada em termos de consentimento para utilizar redes sociais, sites e serviços on-line. Por isso, para os especialistas as pessoas devem ter mais cuidado com o que usam e ler com atenção os termos de adesão.
Outra maneira de proteger as informações é usar e-mails e serviços de armazenamento que garantam que seus dados são criptografados, aumentando assim a dificuldade para que sejam roubados e vendidos online.
Ativar autenticação de dois fatores, sempre que disponível, também aumenta a segurança e dificulta a vida dos golpistas.