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“Fui preso 10 vezes e vou sair de novo!”, garante jovem preso ao furtar loja

Afirmação foi feita por jovem de 21 anos que participou de invasão a loja em Vitória

Jovem garantiu que vai ser solto após ser preso por furto

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Em uma região onde o número de furtos e roubos a estabelecimentos comerciais já somam 64 casos nos cinco primeiros meses do ano, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública(Sesp), o arrombamento de uma loja de material esportivo, no centro de Vitória, na manhã deste domingo (19), também contabilizou a impunidade para um jovem de 21 anos, preso pela 11ª vez, e que carrega a certeza da impunidade. 

“Fui preso 10 vezes e vou sair de novo”, garantiu o detido.

Nem a luz do dia foi suficiente para inibir a ação de seis comparsas, que invadiram a loja e roubaram o que podiam carregar. 

O jovem de 21 anos acabou preso minutos depois com sacolas cheias de roupas. Enquanto estava no cofre da viatura, ele confessou à reportagem de A Tribuna que cometeu o crime por influência de outras pessoas e que já passou de 10 vezes preso pela polícia.

“Meu sonho é ser jogador de futebol. Eu vi eles (outros bandidos) levando as coisas. Disseram que era para eu pegar também e eu peguei. Sou torcedor do Cruzeiro e lá tinha várias camisas de times. Já fui preso mais de 10 vezes por furto e vou ser solto de novo”, disse o criminoso que se identificou apenas como Daniel, nome que não foi confirmado pela polícia. 

Confessando ser usuário de drogas, “Daniel” disse que é morador da Serra e que trabalhava  vendendo doces. Ele teria saído de  casa na tarde de sábado para  vender balas. “A coisa está ruim para todo mundo. Minha mãe trabalha pra caramba e precisa de ajuda. Eu errei, fiz errado. Se o juiz me soltar (acho que é isso que vai acontecer), eu vou voltar a vender doce, só isso”, prometeu, após a 11ª prisão.

 













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Além do jovem, uma jovem de 19 anos também foi presa. Ela estava dentro da loja e se preparava para fugir com roupas e objetos esportivos, quando agentes da Guarda Municipal chegaram. Para os agentes, ela negou que estivesse levando o material e disse que estava sob influência de álcool. 

“Ela estava bem alterada, sob o uso de alguma droga. Essas pessoas ficam dando desculpas falando que é o vício e tudo mais, mas sabemos que sempre estão cometendo esses delitos”, disse o inspetor Izaltino Muniz, da Guarda Municipal de Vitória.

A Polícia Militar também foi acionada e conduziu os detidos até a 1ª Delegacia  Regional de Vitória.

“Acho que o juiz vai me soltar”, jovem de 21 anos, preso 

Acusado de furtar materiais esportivos de uma loja que fica no Centro de Vitória, no início da manhã de ontem, um dos criminosos que invadiu o local disse estar arrependido do crime. Algemado e de dentro da viatura, ele conversou com a reportagem de A Tribuna.

A Tribuna – Por que você está aí dentro?
Criminoso – Eu vi alguns moradores de rua dentro da loja. Eles disseram que era para eu pegar as coisas também e que o dono estava dando e então eu peguei.

A Tribuna – E você foi na onda deles?
Criminoso – Não é que eu fui na onda, eu achei que pudesse pegar.

A Tribuna – O dono do estabelecimento estava lá dentro, distribuindo o material?
Criminoso – Não. Na verdade, depois eu vi que era um roubo. Não queria ter feito isso, mas fiz. 

A Tribuna – Por que fez?
Criminoso – Eu estou vendendo doce e as coisas são difíceis para todo mundo. Meu sonho é ser jogador de futebol, mas agora nem sei.

A Tribuna – Mas o que seu sonho tem a ver com o crime que você cometeu?
Criminoso – Eu sou cruzeirense, gosto de materiais esportivos. Minha família e eu não temos dinheiro para comprar essas coisas.  Eu queria e gosto de camisas de times.

A Tribuna – Você já foi preso antes?
Criminoso – Sim

A Tribuna – Quantas vezes?
Criminoso – Mais de dez. 

A Tribuna – Por quais crimes?
Criminoso – Fui preso mais de dez vezes por furto e outras coisas. 

A Tribuna – O que você acha que sua mãe vai falar ou fazer quando descobrir que você foi preso, mais uma vez?
Criminoso – Minha mãe vai ficar muito nervosa comigo, ela trabalha muito para sustentar minha família.

A Tribuna – E agora, o que você acha que vai acontecer?
Criminoso – Acho que o juiz vai me soltar. Se me soltar, eu só quero arrumar um trampo ficar de boa.

Superlotação de cadeias e pedido para liberação
Atualmente, o Espírito Santo possui 22.915 presos, mas conta com 13.963 vagas. Ao todo, 8.952 detentos dividem espaço além da capacidade, afirma a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus).

Cada interno do sistema prisional custa R$ 1.985 por mês. Esse valor é referente aos gastos com alimentação, higiene, água, luz, telefone, lixo e esgoto, colchões, uniformes, roupas de cama e banho, além de itens de higiene pessoal.

Por ano, os mais de 22 mil internos custam aos cofres públicos mais de R$ 545 mil. 

Segundo a Sejus, o Estado realiza obras para  melhorias e aberturas de novas vagas. “Em dezembro do ano passado, a Sejus entregou  120 vagas na Penitenciária Semiaberta de São Mateus.  Além disso,  realiza obras de construção da Penitenciária Estadual de Vila Velha VI. O novo presídio contará com 800 vagas”. 

Advogados do Estado enviaram um pedido ao Supremo Tribunal Federal de habeas-corpus coletivo para internos sem condições mínimas nas cadeias. Caso a proposta seja aprovada, todos os internos terão direito ao benefício, exceto os presos por crimes graves. 

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ANÁLISE

“O grande desafio é transformar o infrator  em protagonista”

“O grande desafio é transformar o infrator, o delinquente, o criminoso, o reincidente e o transgressor em protagonista de ações positivas para a sociedade. Por ora, para esses atores, o que temos é um aparato repressivo que por vezes prende e por vezes solta. Sem que nos demos conta que o momento da custódia pode servir de oportunidade para transformação social.

Cultura, filosofia, religião, família, trabalho, compõem um pacote comportamental que se ofertado junto com o cárcere tem o condão de transformar o indivíduo. Dando-lhe capacidade de atuar na sociedade não mais como ‘ladrão’ mas como um músico, obreiro, acadêmico, pai de família, formador de opinião, etc.

No entanto, ainda haverá aquele que, na contramão das oportunidades, se opõe a mudar de vida. Para tais, penas mais duras e efetivas serviriam não só como reprimenda mas  como elemento segregador daquele que não consegue viver em sociedade.”

Siderson Vitorino, advogado criminalista

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