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CRISE ELÉTRICA

Novas fontes de energia para garantir abastecimento em meio a crise

Governo do Espírito Santo está criando projetos para estimular investimentos em fontes de energia renovável

Placas de energia solar

Última atualização

A guerra entre Russia e Ucrânia vem trazendo uma série de consequências. E uma delas é fazer os países repensarem sobre a dependência de determinadas  matrizes. No Brasil, especialistas destacam que energia solar e até nuclear são alternativas que devem ter uso ampliado.   

O diretor da ES Solar e membro do grupo de trabalho de energia da Federação das Indústrias (Findes), Carlos Sena, destacou que o gás que a Rússia manda para a Europa passa pela Ucrânia.

“Com a Europa deixando de comprar da Rússia, ela busca outros fornecedores. Cria uma demanda de produtos de outra região, elevando o preço”.  No Brasil, soma-se a isso  a pandemia, que levou a restrições, a inflação e o fato de o País estar em ano eleitoral. 

“O momento do País – politico – dificulta a solução. Até então não estou muito preocupado em relação a desabastecimento, mas o preço do combustível  vai ficar mais alto”. Além disso, para o próximo mês está previsto novo reajuste da conta de energia no Estado, que vai ser de dois dígitos.

“Tomem as rédeas do seu abastecimento de energia e invistam em geração própria”. Neste sentido, ele aponta a energia solar como uma grande saída.

Paulo Carriço, sócio da Ecoluz, explicou que, a cada dia, o setor  melhora a qualidade e durabilidade dos equipamentos, quantidade de energia produzida com a mesma área utilizada e redução no investimento.

Já as usinas nucleares não são vistas com bons olhos pela sociedade. Grandes acidentes nucleares deixaram uma imagem negativa. Contudo, especialistas apontam que, as usinas de quarta geração são extremamente seguras e podem sim ser uma fonte de energia do futuro, somadas  à  eólica, hídrica e fotovoltaica.

O professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e físico nuclear com pós-doutorado na área, Marcos Tadeu Orlando, detalhou que a  usina nuclear Angra I é da segunda geração e Angra II é da terceira geração. E que atualmente  está na quarta geração. 

“Na usina de quarta geração, o lixo nuclear fica armazenado dentro dela. Ele fica blindado, guardado. A gente projeta essas blindagens para algo em torno de 400 anos”, esclareceu o professor.

Para ele, considerando a radiação solar, recursos hídricos, a energia nuclear poderia representar em um cenário futuro 20% da energia gerada no País. Com a vantagem de alimentar grandes centros com pequenos espaços”.

Promessa de atlas e mapa para renovar produção no Estado

 













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Para estimular os investimentos em fontes de energia renovável, o governo do Estado está criando o Atlas Eólico e o Mapa da Energia Solar. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Inovação e Desenvolvimento (SECTIDES),  os documentos devem ser lançados ainda este ano.

Consultor empresarial da DVF consultoria, Durval Freitas, destacou que o Estado tem muito projeto para o aproveitamento da energia solar. “É assim que começamos”, pontuou.   

“Energia passou a ser um bem que as empresas, instituições e governo têm que estar atentos para reduzir o consumo. É uma preocupação que o gestor tem que ter hoje para ter um negócio competitivo”.

Ele ressaltou ainda que a guerra entre Rússia e Ucrânia é um sinal de alerta. “Esse assunto é um assunto mundial. Tem algumas variáveis e  está trazendo uma alerta para nós. O problema da dependência de uma fonte de energia”, destacou, no caso, o gás.

Saiba mais | Novas fontes de energia

Diversificação

Especialistas apontam que a diversificação energética é estratégica. Em situações de crise, não se fica refém de uma fonte de energia. Contudo, é preciso avaliar os prós e contras de cada fonte de geração de energia.

Energia solar

A energia fotovoltaica, por exemplo, é destacada como importante para indústrias e para abastecimento de residências. Contudo, para suprir a necessidades energéticas maiores, ela demanda uma grande área para a instalação das placas. 

Novas tecnologias estão sendo desenvolvidas neste sentido, para diminuir a área necessária à produção.

Trata-se de uma energia renovável,  limpa e sustentável. É uma fonte gratuita e valoriza o imóvel, contudo, não é barata, a  instalação.  

Como funciona

As placas fotovoltaicas são instaladas, geralmente, no telhado das residências. Quando a luz do sol entra em contato com elas, gera uma energia. Por meio de um inversor, a corrente contínua é convertida em uma corrente alternada. E essa energia é jogada para a instalação da residência.

Energia eólica

Já a energia eólica depende do vento, que pode ser irregular ou insuficiente. Não está sob controle. Contudo, é uma alternativa que não ocupa terreno, tem impacto ambiental mínimo. É uma energia limpa, de fonte inesgotável. É capaz de fornecer energia elétrica à noite.   

Energia nuclear

Usina nuclear é uma instalação industrial  cuja finalidade é produzir eletricidade a partir da energia nuclear. Ela é uma energia limpa no sentido de sua produção não emitir poluentes.  

Embora receba um olhar negativo de grande parte da sociedade, devido a grandes acidentes, especialistas apontam que as chances de um acidente em uma usina dessas, atualmente, é de 0,5%.

Além disso, ela também recebe críticas devido a produção de lixo radioativo. Especialistas afirmam que a usina da geração quatro armazena esse lixo dentro dela. Ela é projetada para que esse blindagem permaneça por 400 anos. 

Atlas eólico

O Atlas Eólico está em elaboração e será interativo. Inicialmente, o documento indicará as potenciais áreas para a geração de energia eólica em terra e no mar, no Espírito Santo. A projeção é de que  esteja lançado para toda sociedade no segundo semestre desse ano.

Mapa da energia solar

Para munir o mercado com informações e estimular a produção  de energia fotovoltaica, o governo do estado prepara o mapa da energia solar. A publicação deve ser divulgada no final do segundo semestre deste ano.

Mudança de matriz 

Programa Gerar – o programa de geração de energias renováveis – tem foco na iniciativa privada. A iniciativa  tem por objetivo promover a melhoria da qualidade de vida da população do Estado, diversificando a matriz energética.

Privatização

Na última sexta-feira a Eletrobras foi privatizada por R$ 100 bilhões. Dessa forma, a União deixa de ser a controladora. O governo fica com pouco mais de 40% do capital social da empresa.  As consequências da privatização dividem opiniões.       

Fonte: SECTIDES e fontes citadas na reportagem

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