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Em tempos em que o divórcio é cada vez mais comum entre os casais, uma longa história de amor que completa 68 anos é o grande assunto de um balneário conhecido pelas belas praias no Sul do Estado.
Em uma casinha construída na década de 80, em Iriri, Anchieta, moram os mineiros Calil Miguel, de 102 anos, e Valda de Oliveira Calil, de 86, que estão comemorando Bodas de Chumbo.
Para Calil, o segredo de manter o casamento vivo por tantas décadas é se sentir feliz ao se apaixonar todos os dias por Valda.
“O segredo do amor é se apaixonar todos os dias pela mesma pessoa. Eu tive muitas namoradas, mas o dia em que vi essa menina na igreja, tive a certeza que eu nunca tinha visto uma moça tão linda”, lembra ele.
“Estávamos em um casamento na cidade de Caratinga, em Minas Gerais. Mas não foi somente eu que fiquei apaixonado por ela, tiveram muitos outros pretendentes, e ela me escolheu. Nos casamos um ano depois”.
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Quando os dois se conheceram Valda tinha 17 anos e ele, 33. Calil só esperou Valda completar seus 18 anos para os dois se casarem.
E não deu tempo de esperar um sábado ou domingo para a cerimônia religiosa. Escolheram logo uma quarta-feira, no dia 12 de maio de 1954. Antes de se casar, Valda morava em Lajinha, a 330 quilômetros de Caratinga.
Calil tinha um armazém em Caratinga, e os dois foram morar lá. O casal teve quatro filhos (Sandra, Sérgio, Selma e Saulo) e hoje são nove netos e cinco bisnetos.
Quem teve a ideia de fazer um ensaio fotográfico para comemorar os 68 anos de casados de Calil e Valda foi o fotógrafo André Serrão, vizinho e amigo da família. O cenário escolhido foi o Santuário Nacional de São José de Anchieta.
“Decidi entrar no ramo da fotografia e planejamos o ensaio deles no Santuário. Conseguimos um Fusca que é da época deles, e montamos todo um cenário lá. A filha dele e minha mãe ajudaram com tudo”, contou Serrão.
“Existe toda uma admiração por eles, e nossas famílias são muito próximas. Considero eles como meus avós. Toda fotografia conta uma história e eu os presenteei com essas fotografias para que seja mais uma parte dessa história que é tão honrada”, ressaltou.
Dez encontros antes de união
Os 330 quilômetros que separavam Calil e Valda impediram que os dois se encontrassem logo após se conhecerem. Depois que se viram pela primeira vez, foram menos de 10 encontros até o dia do casamento.
“Eu morava em Lajinha, e ele em Caratinga. Como era longe uma cidade da outra, e a estrada era muito ruim, nos vimos muito pouco antes de nos casarmos. Nos vimos menos de 10 vezes, mas tínhamos a certeza que era para ficarmos juntos”, disse Valda.
Ela conta que durante todos esses anos, os dois foram sempre muito parceiros. Já chegaram a morar no Uruguai, quando Calil foi cantor em um grupo de tango, e ela sempre o acompanhou para todos os lugares.
“Sempre fizemos tudo juntos. Nunca tivemos esses negócios de fazer nada escondido, e nossas vidas foram um livro aberto um para o outro. Tudo que íamos comprar, fazíamos as contas juntos”, lembra.
Valda deixa um conselho para os casais: “O segredo é manter o respeito um pelo outro, aceitar os defeitos, e lembrar sempre do sim que você deu na hora do casamento, porque a bênção que você recebe do padre é dizendo que até a morte que os separe.”
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