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SAÚDE

A cada hora, 3 pessoas têm pernas e pés amputados

Levantamento foi feito por angiologistas e cirurgiões vasculares. Principais motivos são as complicações da diabetes

Eliud Duarte Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular/ES, explica que os casos de amputações envolvem desde perda de dedos até a coxa de algum paciente

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Um levantamento recente realizado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) aponta que, aproximadamente, 245 mil brasileiros perderam um membro inferior entre os anos de 2012 e 2021. 

Isso equivale a três cirurgias de amputação por hora no País. Segundo especialistas, o principal fator que leva ao problema é a diabetes.

O presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional Espírito Santo, Eliud Duarte Junior, explica que os casos de amputações  envolvem desde perda de dedos até a coxa de algum paciente. “A  maioria dos casos, de 85% a 90%, ocorre por complicações da diabetes”, diz. 

O especialista destaca que o período de pandemia agravou ainda mais o número de casos, devido à  realocação médica por causa da covid-19 e menor procura dos pacientes.         

Brenno Seabra, cirurgião vascular da Rede Meridional, aponta os principais motivos que levaram a esse crescimento na pandemia. 

“Durante o período de pandemia, muitos pacientes diabéticos, tabagistas, hipertensos, obesos e sedentários deixaram de realizar  acompanhamento médico. Ligado à falta de controle da glicose, pressão e consumo de cigarro, há um aumento na chance de um paciente evoluir para uma amputação”, diz.   

Segundo Seabra, nesse período, a procura por atendimento médico aconteceu quando o caso já estava grave. “Quando o paciente procura um serviço médico, ele já está com o caso mais avançado”.

Para o cirurgião cardiovascular José Marcelo Corassa, a falta de orientação e assistência adequada ao diabético são os grandes problemas que contribuem com as amputações. 

“A maior causa de amputação é por causa de tratamento inadequado. Pacientes com diabetes precisam de cuidados mensais, porque, às vezes, uma pequena infecção não percebida pode virar um problema enorme”.

 Corassa afirma que o Estado tem mostrado resultados muito bons em relação ao cuidado com diabéticos.  “No Estado, tivemos uma melhora muito grande. Hoje, temos serviço de urgência na região metropolitana que funciona muito bem para diabéticos. Esperamos que seja estendido a outras partes do Estado”.

Maioria morre 5 anos após perda

Levantamentos estatísticos recentes realizados pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular  mostram que 70% dos pacientes diabéticos com algum membro amputado não vive mais de cinco anos.  

O presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular Regional Espírito Santo, Eliud Duarte Junior, explica que o fato está relacionado ao acúmulo de outras complicações causadas pela doença.

“Esse é um dado mundial. A taxa de mortalidade desses pacientes é muito alta, porque, geralmente, eles têm doenças renais, cardíacas, oftálmicas, complicações também causadas pela diabetes”, cita.

O cirurgião vascular Brenno Seabra explica que, quando um diabético perde um membro do corpo, o risco de outros problemas se estende a todo o organismo.     

“Pacientes que sofrem alguma amputação de membro inferior não possuem problemas apenas na circulação das pernas. Um vaso da perna é muito mais calibroso, muito maior do que um vaso do coração, dos rins, do cérebro, então se um vaso da perna já está obstruído, por uma questão da diabetes, imagina os vasos desses outros locais”, diz. 

Por isso,  doenças vasculares como infarto e derrame são muito comuns. “É muito comum esses pacientes terem um desfecho ruim por outras questões como infarto, derrame e problema renal”, ressalta o cirurgião.

Apesar dos dados demonstrarem a piora no quadro de pacientes que passam por amputações, os especialistas destacam alguns cuidados que podem evitar à letalidade nesse período pós-cirúrgico. 

“Os cuidados para evitar uma amputação são hábitos de vida saudáveis. Então, alimentação saudável, prática regular de atividade física,  acompanhamento médico regular. Às vezes, o diabético só acompanha com endócrino, mas precisa acompanhar com vascular para prevenir complicações”, diz  Brenno Seabra.

 Transtornos psicológicos também levam à piora do quadro, segundo  Eliud Duarte Junior. 

“Pessoas com diabetes   vivem períodos de perda ou afastamento do trabalho, aposentadoria precoce e, por vezes, queda na autoestima, depressão ou criação de um quadro de dependência de familiares ou amigos.”

fique por dentro

Diabetes


O que é?

– Doença crônica relacionada à má absorção de insulina e aumento de açúcar no sangue.

– De acordo com especialistas, a doença é o principal fator que leva a amputações e desarticulações de membros inferiores no Brasil, chegando a 90% dos casos.

– Outros fatores de risco que levam a cirurgias de retirada de um membro são tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemia, idade avançada, insuficiência renal crônica, estados de hipercoagubilidade e histórico familiar.

Prevenção

– Alguns cuidados básicos podem reduzir, significativamente, os casos que levam a amputações de membros inferiores.

– Alimentação saudável

– O controle nutricional é um fator importante que influencia na qualidade de vida   de um paciente com diabetes.

– Especialistas recomendam uma alimentação regrada, evitando alimentos industrializados.

– Prática de atividade física

– A obesidade e o sedentarismo são agravantes que podem levar a quadros sérios de diabetes. Especialistas recomendam a prática regular de atividades físicas, de acordo com a condição de saúde do paciente.  

– Evitar sapato apertado

– Um dos problemas que pode surgir a partir da doença é o pé diabético, série de alterações que podem ocorrer nos pés de pessoas com diabetes não controlada.

– O uso constante de sapatos apertados pode causar lesões e abrir espaço para infecções. Por isso, diabéticos devem usar sapatos em numeração acima do ideal ou específicos.   

Exame doméstico

– A perda de sensibilidade, em especial, dos pés, é uma as consequências da doença.

– Médicos indicam que familiares de pessoas diabéticas observem a região para perceberem a presença de feridas e infecções que podem levar a futuras amputações.

Fonte: Especialistas consultados.

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