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Uma pesquisa mostrou que um grande número de pais com filhos em idade escolar fica bastante preocupado com a possibilidade deles sofrerem bullying em ambiente escolar e também na internet.
De acordo com o levantamento da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), 85% deles disseram estar preocupados com a possibilidade de seus filhos sofrerem bullying ou cyberbullying.
Logo atrás da escola, a pesquisa aponta que o ambiente digital, como o celular, internet, redes sociais e email, são os mais lembrados como propícios para esse tipo de ocorrência (25%).
A região Sudeste do País está acima de todo o resto do Brasil, que tem 63% de preocupação com o bullying em ambiente dentro de instituições de ensino.
Já os comportamentos e situações de bullying mais citados foram os xingamentos, provocações e humilhações (65%) e a propagação de boatos negativos sobre a pessoa ou sua família (47%).
O psicólogo e psicoterapeuta Gerson Abarca explica que, com o passar do tempo, o bullying não vem aumentando, mas que a sociedade, sim, tem ficado mais atenta para esse tipo de situação enfrentada nas escolas.
“As consequências do bullying afetam a configuração da autoestima. Pois ela é feita de vítima a partir de uma fragilidade na infância ou adolescência. E o bullying tem um efeito que, quando cometido na escola, se torna uma marca na pessoa, então pode levar isso para a vida toda, virando um fator que pode afetar na construção social da pessoa”, observou Gerson.
Além do lado emocional e da construção social da criança, o bullying pode terminar na Justiça.
O advogado especialista em Direito Penal Rivelino Amaral ressalta que o bullying pode ser notado a partir do momento que passa do limite do razoável, quando fica claro que há ofensa à honra, de maneira que tenha o objetivo de menosprezar, diminuir ou até mesmo humilhar a criança.
“Tanto a escola quanto a família do agressor são responsáveis pelos atos do mesmo, posto que ações dessa natureza podem causar reflexos na vida da vítima para sempre, como ter baixa autoestima, desenvolver compulsões, síndrome do pânico, dentre tantas outras consequências”, esclareceu Rivelino Amaral.
Cor ou raça são os principais alvos
A pesquisa feita pela Febraban ainda revela outras informações importantes. Os principais alvos de bullying e cyberbullying citados no Sudeste do Brasil foram a cor ou raça (34%) e a orientação sexual (23%).
Para entender o motivo desses dois fatores serem os mais citados, a psicóloga Marina Miranda explica que vem da construção da sociedade já há bastante tempo.
“A sociedade está estruturada dentro de uma lógica preconceituosa e violenta, em que aquele que é diferente (minorias sociais) é colocado como “inimigo” e malfeitor, e a sua existência afeta essas pessoas que possuem preconceitos, o que não é uma verdade de forma alguma. Mas essas crenças estão postas e ferem, adoecem e matam todos os dias”, disse Marina.
Sofrer bullying por qualquer motivo que seja pode desencadear diversos outros problemas como estresse, ansiedade, depressão, e outros transtornos, afetando diversas áreas da vida do indivíduo.
E, quando não são bem cuidados, podem continuar refletindo na sua vida adulta, segundo Marina Miranda.
A psicóloga Camila Carvalho observa também que é na escola que as crianças têm suas primeiras interações sociais, e que neste momento veem pessoas diferentes do círculo que já estão acostumadas, o que pode influenciar na aceitação.