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O descredenciamento de uma clínica, especializada no atendimento de crianças com autismo, gerou um protesto de mães em frente ao escritório de um plano de saúde, nesta sexta-feira (10), em Vitória. Cerca de 20 famílias estiveram no local, e foram recebidos por representantes do plano, para fazer um acordo para evitar que as crianças ficassem sem o tratamento adequado.
A decisão de se descredenciar do plano, para o atendimento deste público, aconteceu por parte da própria clínica (segundo nota divulgada pela instituição). O fato, no entanto, aconteceu na mesma semana que o Superior Tribunal de Justiça decidiu que os planos de saúde não precisam atender a tratamentos e procedimentos que não estão no rol de atendimento da Agência Nacional de Saúde.
Uma das organizadoras do protesto, a acupunturista, Priscilla de Brito Reis, 40 anos, mãe de um adolescente autista, o Pietro de 11 anos, explicou que as famílias reivindicam que as crianças não fiquem sem terapia e tratamento. A clínica, descredenciada pela Unimed Vitória, só atenderá as crianças com autismo até o dia 22 de julho.
“Outro pedido nosso, é que a clínica na qual o plano de saúde pretende nos encaminhar, tenha a mesma qualidade, em relação aos profissionais que atendem atualmente, nível de formação, qualificação e que as horas dentro de terapia não sejam reduzidas”, ressaltou Priscilla.
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As famílias também pediram que os atendimentos continuem acontecendo próximo às suas residências (quem está na clínica de Laranjeiras e Val Paraíso continue sendo atendido na Serra e quem está na clínica do Bairro de Fátima continue sendo atendido na região).
“Hoje são em média 150 crianças que fazem parte da clínica que foi descredenciada. Queremos garantias que continuarão tendo o mesmo tratamento, evitando assim o retrocesso das habilidades. Para uma criança autista é de extrema importância a constância nas terapias. Hoje, nosso maior medo é como a nova clínica irá acomodar todos nós com a mesma qualidade”, disse a dona de casa, Fernanda Ferreira Amaral, 34, mãe de uma criança, de 3 anos, com autismo.
Na próxima terça-feira (14), uma nova reunião está prevista na Secretaria de Direitos Humanos da Serra, para que um acordo seja estabelecido.
“Com o descredenciamento dessa clínica, as crianças saíram altamente prejudicadas, pois sabemos que as crianças autistas precisam de rotinas e demoram e/ou não para conseguir ter vínculo com qualquer pessoa levando assim, uma regressão importante. A Unimed não sabe qual a clínica vão credenciar, se vai ter o mesmo nível de qualidade nas terapias e atendimento, se a nova clínica será próximo das nossas residências e se horário continuará sendo o mesmo. Pedimos que providências sejam tomadas, pois precisamos de garantir a saúde para nossos filhos e os mesmos não ficarem desassistidos”, afirmou Priscilla.
O OUTRO LADO
UNIMED VITÓRIA
Em nota, a Unimed Vitória esclareceu que não pediu o descredenciamento da clínica citada.
“Por questões comerciais, a referida clínica, que presta atendimento na Serra, solicitou descredenciamento da operadora. O contrato com o esse estabelecimento termina apenas em julho deste ano, portanto, continua em vigência. Outras clínicas estão credenciadas na Serra e todas as famílias estão sendo avisadas sobre as opções disponíveis”.
O plano de saúde disse ainda que o atendimento às crianças, adolescentes e adultos autistas dependentes da terapia ABA está sendo garantido continuamente.
“Importante ressaltar que o rol da Agência Nacional de Saúde (ANS) não preconiza a terapia ABA, mas a Unimed Vitória entende que se trata de um procedimento importante. Por isso, mesmo antes da decisão proferida pelo STJ, já liberava esse atendimento para beneficiários e continuará agindo dessa forma”.
CLINICA FELICE
A Clínica Felice é uma clínica interdisciplinar, com profissionais nas áreas de Psicologia, Psicopedagogia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia, especializados em ABA (do inglês: Análise do Comportamento Aplicada) que atende em maioria, pacientes portadores de Transtorno do espectro autista (TEA) de 0 a 12 anos.
Por meio de nota, a clínica respondeu que o acompanhamento precisa ser por profissionais especializados e na maioria dos casos o tratamento é intensivo e intermitente, ou seja, a criança passa várias horas na clínica e não pode haver interrupções.
“Estamos em processo de descredenciamento com planos de saúde em geral, pois além da burocracia e dificuldade em liberar a quantidade de sessões para o tratamento ideal das crianças, conforme laudo médico emitido pelo Neurologista, também é custoso manter clínicas e equipes especializadas com o valor repassado pelos mesmos. Ficando, dessa forma, inviável a manutenção dos contratos”.
Disse ainda que apoia e se consolida com os pais e os movimentos em relação a abrangência do fornecimento da Terapia ABA para o beneficiários de planos de saúde, mas explicou que “em contrapartida, pontuamos que se fazem necessárias revisões e alinhamentos com gestores e especialistas no assunto, para que o tratamento seja, de fato, ofertado com qualidade. No momento, estamos em busca de novas parcerias, públicas e/ou privadas, para darmos continuidade aos tratamentos”.