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CRIAÇÃO DE FILHOS

Sermões não funcionam com crianças e adolescentes, dizem especialistas

Na adolescência, é normal que aconteçam oscilações de humor, reclusão e episódios de agressividade. Bronca não é uma boa estratégia

Panmella Bulhões, 35, com os filhos Lucas Bulhões, 13, e Henrique Bulhões, 11: sessão de cinema em casa

Última atualização

Só de pensar na adolescência dos filhos, muitos pais já sentem calafrios. Com tantas mudanças psicológicas, físicas e sociais, os conflitos se tornam mais comuns nesta fase. 

 

 













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Especialistas alertam, no entanto, que sermões e broncas não são boas estratégias para melhorar a relação com adolescentes.

Na adolescência, o jovem está ensaiando seus passos para a vida adulta e, portanto, é normal que apresente oscilações de humor, reclusão e episódios de agressividade, explica o psicólogo e terapeuta familiar Cláudio Miranda.

O especialista explica que a melhor estratégia para lidar com tais situações, contudo, não está em impor sermões. “O sermão e as broncas são as estratégias de comunicação mais usadas, pois o diálogo ainda é um desafio na educação com os filhos. Diante de problemas, tentar se aproximar é uma forma de fortalecer o vínculo emocional”.

A psicóloga clínica Sirle Ferreira analisa que, na verdade, muitos pais projetam suas crenças sobre a adolescência nos filhos e deixam de entender que a sociedade está em constante mudança. A incompreensão com as diferenças geracionais pode afetar o relacionamento, conta. 

“A adolescência é uma fase de muitos questionamentos. É preciso respeitar as individualidades dos filhos e conduzi-los sem autoritarismo. Adolescentes têm opiniões e sermões não funcionam. Esse tipo de comportamento cria, na verdade, afastamento”.

A pandemia continua influenciando as relações familiares e, para a terapeuta familiar Vanessa Cavalcante, os desafios de educação dos filhos se fortaleceram.

“A pandemia agravou desafios que já existiam. Há anos, temos superexposição à tecnologia e pouca atenção ao desenvolvimento humano e nos perdemos entre cuidado e superproteção. Precisamos de diálogo para encontrar o equilíbrio. A formação dos filhos é um projeto de, pelo menos, 20 anos”.

Novos hábitos para conexão familiar

Os jogos tomavam todos os dias dos irmãos Lucas Bulhões, 13, e Henrique Bulhões, 11. Os meninos perdiam as contas das horas em frente à TV e, ainda, tinham prejuízos: ficavam irritados e brigavam. 

Até a relação com a mãe, Panmella Bulhões, 35, era afetada pela irritabilidade decorrente do hábito. Por isso, a administradora iniciou um diálogo aberto com eles e explicou que não é saudável passar o dia todo em jogos.

 Ela conta que a estratégia foi apresentar outras formas de diversão, como sessão de cinema em casa, futebol e até academia. 

“Eles ficavam muito esquentados e eu nem conseguia me aproximar. Com as mudanças, fortalecemos nossa conexão  familiar”.


Dicas de como agir

Relações

É preciso entender que a sociedade está em constante mudança e, dessa forma, os adolescentes já não são os mesmos. As conversas devem ser conduzidas pelos pais, com respeito às individualidades dos filhos e ouvidos abertos às questões apresentadas. Agir de forma autoritária pode ferir e afastar o adolescente. 

Tentar se aproximar dos filhos pode ser um bom caminho para fortalecer o vínculo emocional. Uma boa forma  é se envolver com os interesses do adolescente. Experimente, por exemplo, conversar sobre os jogos que ele mais gosta e os que ele odeia.

Quando o vínculo está comprometido, é necessário buscar apoio psicológico. Os pais são mediadores e, com diálogo, podem conduzir o fortalecimento da conexão familiar.  

Saúde

Na pandemia, muitos adolescentes ficaram mais ainda reclusos e trancados em seus quartos, com problemas de saúde mental. Por isso, os pais devem estar atentos às mudanças de humor ou comportamento dos filhos. Nesse caso, busque ajuda psicológica. 

Fonte: Especialistas entrevistados.


Opiniões 

 













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