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INFECÇÕES

ES já tem surto de micobactéria em hospitais

Afirmação é da Anvisa, que mandou equipe ao Estado para vistoriar clínicas e hospitais que realizam cirurgias. Duas foram fechadas

Última atualização

 













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Com 16 casos já confirmados de infecção por micobactéria este ano no Espírito Santo, especialistas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão no Estado para acompanhar inspeções em hospitais e clínicas que realizam cirurgias. 

Segundo a Anvisa, as equipes acompanham as ações planejadas para “contenção do surto” no Espírito Santo.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que, nos últimos dias,  duas clínicas cirúrgicas  de Vitória foram fechadas  devido a “inadequações dos locais aos parâmetros fiscalizados”. 

O subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, explicou  que, apesar das inspeções estarem sendo realizadas como parte das medidas para conter novos casos, o fechamento dos estabelecimentos não foi motivado por suspeita ou confirmação de contaminação  nesses locais.  

“Foram observadas inadequações estruturais ou em  processos de trabalho. Assim que os problemas forem solucionados, os locais poderão voltar a funcionar”.

Reblin ressaltou que nestes locais apenas o centro cirúrgico teve o funcionamento suspenso, mas outros atendimentos podem ser realizados.  

Ele frisou, ainda, que os casos de micobactéria  nunca acabaram  nem no Espírito Santo ou em outras áreas do Brasil, mas se tornaram pouco frequentes nos últimos anos. Ele citou que, por ano, o Estado vinha apresentando entre três e 10 casos. 

“A partir desse aumento de casos em procedimentos este ano, principalmente entre  março e abril, a Vigilância agiu imediatamente e vem monitorando ao longo do tempo os estabelecimentos em geral, de forma rotineira. Grande parte das infecções foram em procedimentos estéticos”.

Uma outra clínica de Vila Velha, onde casos foram registrados,  a Sesa já havia informado que  houve interdição de uma sala cirúrgica no mês de julho e interdição de um dos procedimentos cirúrgicos em agosto.

A clínica, segundo a Sesa,  ainda não apresentou as soluções apontadas pelo relatório produzido pela secretaria após a interdição do espaço e, por isso, não está autorizada a funcionar novamente por enquanto, permanecendo fechada.

Entre 2007 e 2009, o surto de micobactéria no Espírito Santo chegou a  221 casos registrados, sendo 195 infecções em 2007.

Internações e tratamento psiquiátrico

 













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Cirurgias e dores após infecção

Depois de quase dois anos, a vendedora Aparecida Pope, 55 anos, ainda sente as dores e dificuldades provocadas pela infecção por micobactéria, após uma cirurgia plástica nos seios.

Desde a descoberta da infecção, ela contou que  já foram 10 cirurgias, longos períodos de internação e tratamento psiquiátrico, sem conseguir uma cura. “Vou ter de fazer outro exame de mamografia, pois ainda sinto muita dor”, revelou nesta quarta (28) a vendedora.

A cirurgia foi realizada em uma clínica de Vila Velha.

O outro lado

Adequações

Diante da informação do fechamento de clínicas cirúrgicas após inspeções da Vigilância Sanitária, o diretor técnico de um dos estabelecimentos frisou que não houve casos suspeitos ou confirmados no local de infecção por micobactéria. 

Reforçou que foi constatado um problema estrutural em uma sala cirúrgica para procedimentos de alta complexidade (tamanho). Disse que a clínica está passando por reforma.

Outro estabelecimento informou que não foi fechado pela Vigilância, mas decidiu realizar reforma no centro cirúrgico para uma adequação.  

A clínica de Vila Velha que teve procedimentos suspensos após a confirmação de casos de micobactéria no mês passado foi procurada, mas não se manifestou. 

A Sesa confirmou que ainda não retomou os atendimentos. Os nomes das clínicas não estão sendo divulgados porque inspeções não foram totalmente concluídas.

Saiba mais

Deformidades e dores são as sequelas

Infecções por micobactéria

– A infecção por micobactéria de crescimento rápido (MCR) associada a serviços de saúde é considerada um problema de saúde pública, sendo de notificação compulsória (obrigatória) em todo País.

– Os casos são monitorados pelas Vigilâncias Sanitárias estaduais e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

– A micobactéria, que está em vários ambientes, como o solo e a água, pode ser transmitida através dos instrumentos cirúrgicos, como a microcâmera da videolaparoscopia ou cânulas usadas, por exemplo, para lipoaspiração, entre outros instrumentos cirúrgicos.

– Entre as consequências, pacientes relatam uma série de sequelas, como deformidades e dores, além de tratamento longo.

Surto em 2007

– No Espírito Santo, um surto de micobactéria levou à contaminação de mais de 200 pessoas entre 2007 e 2009.

– Neste período, uma série de medidas e reforços em procedimentos foram feitos para conter novos casos.

– Médicos chegaram a ser investigados e indiciados pela Polícia Civil. 

Novo surto

– Este ano, até o momento, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou 16 casos de  infecção por micobactéria, com número maior que registrado nos últimos anos.

– A Anvisa confirmou, por meio de nota,  que “esta semana, em atendimento à solicitação do Estado, especialistas da Anvisa estão em Vitória  para apoiar as inspeções sanitárias em alguns serviços de saúde que realizam cirurgias.”

– Disse, ainda, que “tem realizado reuniões periódicas com a Vigilância do Estado para acompanhar o cumprimento das ações planejadas para a contenção do surto.”

– No final de agosto, a Sesa confirmou que uma clínica  de Vila Velha teve as cirurgias plásticas de mama suspensas após serem registrados 12 casos este ano de infecções por micobactérias. 

Fonte: Anvisa, Sesa e pesquisa A Tribuna.

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