O preço da carne de boi já caiu e vai ter novas reduções nos supermercados e açougues. Ao mesmo tempo, a carne de frango tem ficado cada vez mais cara. O resultado: há uma tendência de as duas terem preços semelhantes nos próximos meses.
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É a previsão que faz a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e economistas consultados pela reportagem.
No caso da carne bovina, a queda será devido à redução da importação pela China e à melhora das pastagens, o que reduz o custo de produção para os produtores.
Atualmente, os pastos estão secos devido ao período de poucas chuvas.
Com relação à carne de frango, o aumento nos preços é motivado principalmente pela baixa disponibilidade interna, por conta de exportações elevadas e ao aumento do consumo pela população, devido à inflação, já que no início do ano ela apresentava preço mais baixo.
O superintendente da Acaps, Hélio Schneider, destaca que a tendência é a redução no preço da carne bovina. Ele cita a lei da oferta e da procura, já que haverá maior estoque de carne de boi no mercado interno.
Ao mesmo tempo, a carne de frango deve manter os preços elevados para o consumidor.
“Com o clima favorável a partir de novembro e após o período de entressafra, a produção de carne bovina tende a continuar boa e o preço abaixar proporcionalmente. No caso do frango, outro fator é que os preços do milho e do farelo de soja continuam elevados.”
Problema
O economista Ricardo Paixão destaca que o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina no mundo, e que, com o corte de importação da China, será um problema para os frigoríficos.
“A China vem recuperando seus estoques de carnes após a pandemia e, no caso dos suínos, da epidemia de peste suína africana. O preço da carne de boi vai ter queda para o consumidor capixaba, mas é também uma situação preocupante para os frigoríficos”, afirma.
É a mesma concepção do economista Heldo Siqueira, que destaca que com a diminuição das importações da China haverá um aumento da oferta doméstica com preços reduzidos.
China recuperou os estoques de suínos
O mercado
Em carne bovina, o Brasil é um dos mais importantes produtores no mundo. O produto chega ao mercado de mais de 150 países.
A produção de carne de frangos garante ao Brasil o título de segundo maior produtor do mundo e primeiro em exportação.
A produção nacional visa, de forma prioritária, o mercado internacional, a exemplo da China, que, entre 2018 e 2019, enfrentou a peste suína africana e comprou carne bovina do Brasil.
Segundo especialistas, há chance de haver equiparação no valor das carnes de boi e frango nos próximos meses.
Redução na exportação
relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que as estimativas para as importações de carnes bovina e suína pela China para 2023 são de queda de 19% e 8 %, respectivamente.
O USDA ainda reporta em seu relatório que os estoques de gado de corte em 2022 para 2023 devem intensificar um aumento na produção de gado e carne bovina no País.
Em 2023, as importações de suínos devem cair para 5 mil cabeças, devido aos menores preços domésticos de suínos após os ajustes na cadeia de suprimentos no País.
A recuperação dos estoques de suínos da China — que já estão em nível 20% acima do pré-epidemia da peste suína africana, em 2019 — vai começar a prejudicar também as exportações brasileiras de carne bovina já a partir do quarto trimestre, tirando um importante suporte para os frigoríficos nacionais.
Fontes: Valor, Embrapa, Acaps e especialistas consultados.