Por muito tempo a menopausa foi vista como doença. E ainda hoje há mulheres que sentem vergonha dessa fase.
Uma pesquisa intitulada 1º Estudo da Essity sobre Menopausa e suas Etapas – 2022 ouviu 2 mil mulheres brasileiras e apontou que 32% das entrevistadas relacionam a chegada da menopausa à velhice e mais da metade (52%) não gosta de comentar sobre o tema.
Recentemente, a atriz Luana Piovani, de 46 anos, revelou que está na menopausa e falou da vergonha que sentiu e como não falava do assunto com o namorado.
Além da atriz, a apresentadora Angélica, 48, também revelou que entrou no período mais cedo, por volta dos 43 anos, e ainda relatou as mudanças que sentiu no corpo. “Quando começaram os sintomas fiquei meio sem entender, é o tal tabu, ninguém falava muito disso”.
Mas, afinal, o que é menopausa? A ginecologista Adriana Ribeiro, especialista em climatério e menopausa, explica que é quando a mulher para completamente de menstruar.
“Somente depois de um ano de ausência de menstruação é denominado menopausa. Acontece entre 48 e 50 anos e marca o fim do período reprodutivo”.
Há quem confunda a fase com o climatério. “O climatério é um processo que tem diversas fases: perimenopausa, menopausa e pós-menopausa, conhecido pelas suas variações hormonais e diversos sintomas próprios dessa fase”, explica a médica.
A ginecologista Lorena Baldotto, colunista de A Tribuna, ressalta que a menopausa vem repleta de sintomas que agravam ou antecipam as marcas do envelhecimento.
“Há sinais como turgência (inchaço) da pele, perda da elasticidade e do colágeno que ocorrem com as quedas hormonais, assim como irritabilidade, ressecamento vaginal, falta de libido e de disposição”.
Segundo a ginecologista, o tratamento mais eficaz é a reposição hormonal, para quem tem indicação.
Impacto negativo na vida sexual
Um dos impactos da menopausa é na vida sexual da mulher. Para muitas mulheres, nessa fase o desejo sexual reduz drasticamente.
A ginecologista Adriana Ribeiro explica que, na menopausa, a redução dos hormônios sexuais pode impactar negativamente na resposta sexual, incluindo declínio da libido e diminuição da frequência sexual.
“Vale lembrar que fatores psicológicos, uso de medicamentos, presença de comorbidades e a qualidade do relacionamento com o parceiro podem impactar na função sexual dessa mulher”.
Segundo a ginecologista Lorena Baldotto, a reposição hormonal ajuda muito na libido. “Uma coisa importante deve ser considerada: tem mulher que nunca teve uma libido lá essas coisas e quer que a medicação faça milagre. Além da parte hormonal em dia, é preciso estar com a saúde boa”.
Fique por dentro
Climatério
Climatério é um processo que tem diversas fases: perimenopausa, menopausa e pós-menopausa, conhecido pelas suas variações hormonais e diversos sintomas.
Sintomas: Algumas mulheres nesta fase podem sentir ondas de calor, acompanhadas de transpiração, tonturas e palpitações; suores noturnos prejudicando o sono; depressão ou irritabilidade; alterações nos órgãos sexuais, como coceira, secura da mucosa vaginal; distúrbios menstruais; diminuição da libido e desconforto durante as relações sexuais.
Menopausa
Menopausa é quando a mulher para completamente de menstruar, e somente depois de um ano de ausência da menstruação é denominado menopausa. Acontece entre 48 e 50 anos e marca o fim do período reprodutivo .
Sintomas: Com a chegada da menopausa pode, a médio prazo, além da diminuição do desejo sexual, ocorrer também atrofia urogenital, com o afinamento e o ressecamento da mucosa que reveste a vagina, causando, em muitos casos, dor durante o sexo.
A longo prazo, pode haver uma maior propensão não só à osteoporose, mas também a doenças cardiovasculares, pois um dos hormônios sexuais femininos, o estrogênio, protege o coração e os vasos sanguíneos das mulheres. Com a produção deste hormônio em queda, essa proteção natural também diminui.
Tratamento
Segundo a ginecologista Lorena Baldotto, o tratamento mais eficaz é a reposição hormonal, para quem tem indicação. Os hormônios mais utilizados são progesterona e estrogênio.
Para as pacientes com queixa de ressecamento vaginal, dor na relação e queixas urinárias, a médica costuma utilizar o laser de CO2, junto ou não com a terapia hormonal, pois ele trata diretamente a mucosa, melhora a lubrificação e a elasticidade e ainda trata a perda urinária.
Fontes: Médicas consultadas, Ministério da Saúde e Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp).