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Cidades

Professor de design: “É possível aprender a ser criativo”

Para o especialista, qualquer pessoa pode desenvolver a criatividade, que é resultado de trabalho e muito empenho

Stefan Fernandes dá dicas para quem quer desenvolver a criatividade

Última atualização

A criatividade será  uma ferramenta de diferencial competitivo do futuro. Mas, ao contrário do que  muitos pensam, ser criativo não é um dom e sim uma habilidade. Sendo assim, é possível desenvolvê-la.  

É o que explica o  professor Stefan Fernandes,  da  Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), doutorando  em Design e com vasta experiência em estudos na área de criatividade e processo criativo.

 
















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Para ele, a criatividade é resultado de trabalho, desenvolvimento de inteligências e exige  que seja  capaz de pensar de forma múltipla.  

A Tribuna – Como a ciência entende a criatividade?

Stefan Fernandes – Para Fayga Ostrower, artista e pesquisadora, criar é formar, sendo, portanto, um potencial inerente ao humano e algo indispensável às suas necessidades existenciais. Para a autora, “o homem cria, não apenas porque quer, ou porque gosta, e sim porque precisa; ele só pode crescer, enquanto ser humano, coerentemente, ordenando, dando forma, criando”.

Portanto, a criatividade de um indivíduo está relacionada a um processo de aprendizagem e desenvolvimento, em que suas tentativas e experiências em solucionar um problema proporcionam novos conhecimentos para desafios futuros.

Para Todd Lubart, outro grande pesquisador da área, criatividade é a capacidade de realizar uma produção que seja, simultaneamente, nova e adaptada ao contexto na qual a criação se manifesta.  

Ao mesmo tempo, a produção criativa não pode ser simplesmente nova, mas, também, útil no seu contexto. Isto significa que a ideia deve ser igualmente original e adequada, para que atenda às necessidades das pessoas.

A criatividade é um dom, nascemos com ela ou é uma habilidade a ser desenvolvida?

Mário Quintana ironizou esta definição de “dom” refletindo que “A poesia não é pura inspiração, ela é trabalho. Não é só ficar esperando que o santo baixe, é preciso puxar o santo pelos pés e isso dá trabalho. 

Por muito tempo, a criatividade, o talento e o dom foram conceitos muito abstratos e relacionados ao inconsciente. Porém, durante o século XIX surgiram estudos sobre criatividade, e a desmistificação do processo criativo. Atualmente, temos diversos estudos de como desenvolver a criatividade. Então, é  possível aprender a ser criativo.

 Um dos primeiros pesquisadores, Kneller, na década de 50, defendia que pessoas talentosas eram capazes de ter três formas de pensamento, sendo elas: fluência nas ideias, ou seja, conseguir pensar em muitas opções; flexibilidade de ideias, ou seja, fugir das ideias mais comuns; e por último, originalidade de ideias, no sentido de conseguir construir algo novo. 

A criatividade tem a ver com o aprendizado que a pessoa teve na infância? 

Com certeza. Ellis Paul Torrance na década de 1980 identificou um declínio criativo dos estudantes ao longo do ensino. Segundo a autora, a crise criativa acontecia no 4º ano do fundamental.

O autor justifica que isso ocorre, principalmente, devido à pressão para as  crianças  se comportarem adequadamente em sala de aula, sentadas em filas, levantando a mão antes de falar, brincando apenas no intervalo, além de currículos escolares cada vez mais específicos e excludentes. 

Há diferença entre criatividade e imaginação? Elas são correlatas?

Criatividade e imaginação estão totalmente relacionadas. Para Tony Buzan, autor da técnica Mapa Mental, o cérebro funciona a partir de duas formas: a imaginação e a associação. 

Para exemplificar, o autor pede para que as pessoas pensem na palavra “fruta”. O que você pensou? Em uma laranja? Uma uva? Uma maçã? E por que não em kiwi, pitaia, melão, etc? 

Nosso cérebro produz conexões que irradiam associações próximas. Por isso, é mais provável você pensar em banana do que algo pouco presente em seu cotidiano. 

A imaginação é conseguir fugir desse estado comum e conseguir visualizar conexões pouco investigadas. 

Dizem que a criatividade é uma ferramenta de diferencial competitivo do futuro. Você concorda? 

Com certeza. Criatividade, assim como colaboração, comunicação e pensamento crítico são competências fundamentais para o desenvolvimento de profissionais qualificados. 

Lembrando sempre que a criatividade é uma competência do indivíduo, utilizada em conjunto com várias pessoas em um contexto. Por isso, devemos sempre desenvolver uma capacidade criativa coletiva. 

Há quem não tenha criatividade?

Não. Assim como ninguém  que não tenha inteligência. Apenas falta estudo sobre determinado assunto. 

Como desenvolver a criatividade?

 Criatividade se desenvolve como a inteligência. Devemos estudar muito. A diferença é que a criatividade exige um estudo de diferentes perspectivas, ou seja, ser capaz de pensar de forma múltipla. 

É importante desmistificar o que é criatividade. Existem atualmente diversos livros que falam sobre como desenvolver a criatividade e todas as competências relacionadas. 

Eu sugiro a leitura de um livro chamado “Confiança Criativa”,  de David Kelley, fundador do maior escritório de design do mundo, a IDEO. 

E neste livro ele lista como desenvolver a criatividade: com coragem, persistência, curiosidade, exploração, surpresa, tempo para pensar, empatia e buscar o incomum.


QUEM É

Stefan Fernandes

Design de Produto,  mestre e doutorando  em Design. 

Professor Assistente na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 

Tem experiência na área de criatividade, processo criativo, desenvolvimento de produtos e desenho para criação.

Atua principalmente nos seguintes temas: design de produto, metodologia projetual, criatividade, processo criativo e representação gráfica para projeto de produto.

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