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Distúrbios do sono: Médicos dizem quando é indicado usar remédios

Dados da Associação Brasileira de Neurologia (ABN) apontam que aumentou significativamente o consumo de medicamentos para dormir durante a pandemia

rafaela, com as filhas Maria Luiza, 16 anos, e Giovanna, 2: rotina intensa

Última atualização

Claro que na hora de tentar tirar o adolescente do fundo do poço as mudanças de hábito são importantes, mas nem sempre é possível vencer a ansiedade e, principalmente, a depressão sem recorrer a tratamentos com medicamentos. 

A neuropediatra Larissa Khroling, por exemplo,  defende que  o uso de remédio para tratar  insônia é indicado apenas para adolescentes que, além do problema, tenham um distúrbio psiquiátrico acompanhado, como  depressão e  ansiedade. 

 













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“Não acho indicado um adolescente que sofre com insônia utilizar medicamento se não for uma condição acompanhada de transtornos psíquicos. As medicações alteram a produção de neurotransmissores e podem mudar a arquitetura do sono. Elas são indicadas para adolescentes em quadros clínicos muito específicos”.

Jéssica Polese, presidente da Associação Brasileira do Sono, regional Espírito Santo, destaca  que incentivar o jovem a fazer alguma atividade que lhe dê prazer é um forte aliado.    

Mas só isso não basta, principalmente para a geração que viveu praticamente dois anos sem convívio social por causa da  pandemia. Os jovens, segundo ela, ficaram muito tempo  trancados dentro de casa e tendo em mãos a tecnologia para que pudessem se conectar com o mundo.  

Por isso, ela diz que o uso de medicamentos se faz necessário, dependendo do grau de ansiedade e depressão, especialmente devido ao número elevado de suicídios.

“Muita gente diz  que basta ter coragem para vencer a depressão. Claro que o sol e  a atividade física são importantes, mas, dependendo da gravidade, primeiro é preciso medicar para, então, pensar em alternativas que irão ajudar o jovem a sair deste quadro. Depois, à medida que há avanço no tratamento, tiramos as medicações”.

Consumo

Dados da Associação Brasileira de Neurologia (ABN) apontam que aumentou significativamente o consumo de medicamentos para dormir durante a pandemia, inclusive a automedicação, independente da idade do paciente. 

Contudo, a ABN destaca que  esses fármacos são indicados por pouco tempo e precisam de acompanhamento médico constante.

Tempo ideal de sono é de 8 a 10 horas por dia

Boas noites de sono são fundamentais para a vida saudável de um adulto, mas, para os adolescentes, há um agravante: o sono é essencial para o desenvolvimento. Afinal, quantas horas de sono eles precisam ter diariamente?

De acordo com a Associação Brasileira do Sono, a quantidade de horas de sono para o desenvolvimento equilibrado de um adolescente, de 13 a 18 anos, varia de 8 a 10 horas por noite. 

 A neuropediatra Larissa Khroling explica que os adolescentes precisam de mais horas de sono para que se desenvolvam fisicamente. Caso ocorram desequilíbrios frequentes no sono, os jovens podem ter comprometimento na memória e na aprendizagem.

“Adolescentes devem dormir, de forma ideal, nove horas por noite para consolidar a memória e a aprendizagem e, além disso, conciliar hábitos de uma vida equilibrada, como boa alimentação, atividade física regular, controle de exposição a telas e vida social. Tudo isso influencia na qualidade do sono”.

A estudante do 2º ano do ensino médio Maria Luiza Marchezini, 16, tem uma rotina de estudos intensa e conciliar as tarefas com o sono adequado é um desafio. Sua mãe, a jornalista Rafaela Marchezini, 40, conta que a adolescente dorme cerca de 6 horas por noite e, às vezes, relata prejuízos ao longo da semana, como  cansaço.

“Não é um quadro clínico de insônia, mas buscamos intervir com hábitos saudáveis para que não se torne um problema. Ela realiza atividades escolares online e tem carga horária integral durante três dias na semana. Após as 23 horas, indico que já é momento de dormir e dialogamos sobre o uso consciente do celular”, contou Rafaela, que também é mãe de Giovanna, de 2 aninhos.

A presidente da Associação Brasileira do Sono, regional Espírito Santo, Jéssica Polese, diz que a fase do estirão do crescimento exige  dormir em torno de 9 horas ou mais. 

Já Sérgio Barros, médico do sono, alerta que muitos adolescentes são chamados de forma equivocada de “aborrecentes ou preguiçosos” por acordarem, por exemplo, mal-humorados pela manhã. 

Ele chama a atenção para o relógio biológico. “O adolescente tem que dormir em média 10 horas e ninguém entende quando ele  acorda de manhã mal-humorado. Ele, na verdade, teve  privação  do sono. Pode ser um caso de dessincronização do sono, que precisa ser investigado”. 

SAIBA MAIS

Tratamento pode incluir medicamentos

Insônia

> A insônia é caracterizada por uma condição persistente que prejudica a capacidade de uma pessoa adormecer.

> Pode ser também uma condição persistente de interrupção do sono durante  a noite.  

> Estresse, ansiedade e depressão são fatores que podem estar associados à insônia, além de condições físicas de saúde, como a artrite e a obesidade.

> Alguns comportamentos estão associados à insônia, como  má alimentação,  sedentarismo e  superexposição a telas.

Telas

O uso consciente de tecnologias, como  celular,  TV,  notebook e outros aparelhos é essencial para garantir noites de sono adequadas. 

Recomenda-se que todas as telas de aparelhos sejam desligadas pelo menos uma hora antes do sono. Celulares não devem ser levados para a cama.

Deve-se buscar ajuda médica para diagnosticar a privação de sono. O tratamento pode incluir mudança de hábitos de vida e, em alguns casos, intervenção medicamentosa. 

Quantidade

> A quantidade adequada de horas de sono varia com o momento da vida da pessoa.  Adolescentes, por exemplo, precisam de mais horas de sono do que adultos e idosos. 

> Recém-nascido (0 a 3 meses): 14 a 18 horas por dia. Aceitável: 11 a 19 horas.

> Bebê (4 a 11 meses): 12 a 15 horas por dia. Aceitável: 10 a 18 horas.

> 1 a 2 anos: 11 a 14 horas por dia. Aceitável:  9 a 16 horas.

> 3 a 5 anos: 10 a 13 horas. Aceitável: 8 a 14 horas.

> 6 a 13 anos: 9 a 11 horas. Aceitável: 7 a 12 horas.

> 14 a 17 anos: 8 a 10 horas. Aceitável: 7 a 11 horas.

> 18 a 25 anos: 7 a 9 horas. Aceitável: 6 a 11 horas.

> 26 a 64 anos: 7 a 9 horas. Aceitável: 6 a 10 horas.

> 65 anos ou mais: 7 a 8 horas. Aceitável: 7 a 9 horas.

Fonte: Associação Brasileira do Sono e especialistas consultados.

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