O Espírito Santo atingiu a marca de 119.966 empresas inadimplentes em novembro, de acordo com dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.
O levantamento mostrou que em novembro no País teve o pior cenário de negativação desde 2016, início da série histórica do índice. Foram registrados 6.392.011 negócios no vermelho, sendo 3.475.342 na região Sudeste.
Segundo os dados, foram mais de 774 mil de débitos negativados no período, totalizando R$ 1,7 bilhão. Cada CPNJ no vermelho tinha em média 7 dívidas a pagar.
Entre os setores com mais empresas no vermelho estão serviços e comércio, segundo a pesquisa.
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O vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, destaca que o número alto de inadimplentes é porque na contagem são incluídos, por exemplo, microempreendedores individuais (MEIs) e micro e pequenas empresas.
“Devemos considerar que um MEI conta como uma empresa, e segundo, que apenas um real de débito já entra no cadastro”, diz.
Muitos MEIs e microempreendedores com perda de emprego e outras necessidades acabaram abrindo seus negócios sem o devido preparo. “Logo ficam inviabilizados, endividados, e abandonam as empresas sem dar a devida baixa”, explica Bergamin.
E continua: “Outro fator, é que o cenário positivo para muitos serviços e comércio motivou muitos a abrir empresas ou ampliá-las e, agora, começam a ter dificuldades com o início da desaceleração da economia, já verificada no último trimestre”.
Quem também destaca a desaceleração econômica é o economista Heldo Siqueira. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil havia crescido 1,2% no segundo trimestre deste ano. No terceiro cresceu só 0,4%, ou seja, está havendo uma desaceleração acentuada. Com a pandemia controlada, teve uma grande recuperação, mas chega um momento que desacelera e isso influência na renda e consequentemente nas empresas”.
Com essa situação, há a redução do consumo e o fluxo de caixa das empresas. “Uma economia considerada pequena como a do Estado não tem muita dinâmica e acaba acompanhando a trajetória do País como um todo”, diz Siqueira.
Saiba mais
É necessário sair da zona de conforto
Dicas para evitar inadimplência e gerir dívidas
É preciso revisar, caso necessário, o plano de negócios da empresa e fazer ajustes para mudanças inesperadas no fluxo de caixa, por exemplo.
É necessário buscar identificar quais são as principais despesas da empresa e avaliar como poderia diminuir custos sem comprometer a experiência entregue ao cliente.
O mundo está em constante movimento. No caso de empresas familiares, as mudanças parecem ser complicadas. Mas hoje já não funcionam aqueles modelos de empresa que passam de pai para filho. É preciso rever e mudar se for preciso.
É fundamental sair da zona de conforto para buscar o diferencial para a empresa.
Buscar maneiras de aumentar as vendas para promover um crescimento na receita da empresa. Para isso, podem ser usadas estratégias que incluem oferecer descontos na compra de mercadorias ou então entrar em contato com os clientes fiéis para estimular novas compras.
Buscar entrar em contato com os credores. Fazer um estudo para determinar quais credores devem ser pagos primeiro. Nessa análise, deve-se considerar o valor das dívidas e suas respectivas taxas de juros.
Empreendedores, a exemplo de microempreendedores individuais (MEIs) e micro e pequenas empresas, podem buscar qualificação para gerir melhor o negócio.
Segundo José Carlos Bergamin, no Estado, o Sebrae acompanhado das escolas de qualificação profissional como o Senac, na sequência da formação profissional, vão oferecer a qualificação empreendedora. Como exemplo, após um curso de unhas e cabelo, será oferecido o de qualificação empreendedora.
Já o governo pode oferecer financiamentos para os empresários, com condições especiais de pagamentos e taxa de juros, por exemplo. Isso traz um respiro ao empreendedor.
Fonte: Economistas consultados, Fecomércio-ES e pesquisa AT.