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Com o reajuste do salário mínimo e, consequentemente, do valor dos benefícios concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sobe o valor que os aposentados poderão pegar de empréstimo consignado.
O consignado é um empréstimo em que a prestação é descontada mensalmente no benefício previdenciário. Além dos aposentados, trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público também podem solicitá-lo e, nesse caso, o desconto vem no salário.
Hoje, o valor da renda que pode ser comprometido com o empréstimo é de 45% — 35% no empréstimo consignado, 5% para despesas e saques no cartão de crédito consignado e 5% para gastos no cartão de benefício.
Entre os funcionários da iniciativa privada, o limite é de 40% — sendo 35% para o empréstimo e 5% para despesas com cartão de crédito consignado.
Como é garantido que as parcelas serão pagas corretamente, o consignado oferece taxas de juros menores que outras opções do mercado. Por isso, aposentados e pensionistas são os que mais recorrem a esse tipo de empréstimo. Atualmente, o teto dos juros do consignado para segurados do INSS é de 2,14% ao mês.
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No dia em que se comemora o dia do aposentado, o aumento da margem do consignado é visto como uma potencial cilada para muitos aposentados. Segundo especialistas, o aumento do valor concedido vai contribuir com o endividamento de muitos idosos.
“O aposentado já está superendividado. Então a possibilidade de pegar mais um empréstimo vai aumentar esse superendividamento”, diz o presidente do Sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Jânio Araújo.
A título de entendimento, se um aposentado receber mensalmente R$ 2 mil, o valor máximo a ser descontado mensalmente será de R$ 700 (para consignado convencional), mais R$ 100 (para despesas e saques com cartão de crédito consignado) e R$ 100 para despesas com cartão de benefício.
“A gente tem verificado que a pandemia afetou diversas famílias e muitas ficaram sem renda, principalmente, os filhos. Nesse cenário, muitos aposentados fizeram empréstimos para ajudar seus filhos. Aí vira uma bola de neve”, afirma a advogada previdenciarista, Renata Prado.
Risco de ficar sem remédios e comida com o endividamento
Em casos extremos, o risco de endividamento pode levar muitos aposentados a ficar sem dinheiro para necessidades básicas, como refeição e medicamentos.
Segundo o presidente do Sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Jânio Araújo, muitos já vivem em situações precárias, com dificuldade para custear seus remédios.
“Estamos vendo nossos aposentados endividados, muitos sem dinheiro para comprar remédio, sacrificando a alimentação, porque o salário já está comprometido com o empréstimo consignado.”
A advogada Renata Prado admite que também percebe aposentados enfrentando dificuldades paras se sustentar e teme uma piora desse cenário. “Está faltando dinheiro para comida, para água, para luz e para remédio. Aí vira uma bola de neve. Principalmente porque a gente tem percebido que esses segurados continuam com um arrimo de família.”
Jânio explica que uma situação recorrente é aposentados que, após atingirem o limite daquilo que podem pegar no consignado, acabam por recorrer a outras modalidades de crédito.
“Quando ele compromete os 45% de empréstimo consignado, ele vai lá no banco e faz o empréstimo pessoal, que foge desse limite. Então tem aposentado que recebe R$ 200, R$ 100,R$ 300 por mês. Não tem como um aposentado sobreviver desse jeito”
Para amenizar o cenário, Jânio defende que os bancos e financeiras ofertem cursos de educação financeira aos aposentados, que são os principais alvos do tipo de empréstimo.
ENTENDA
POSSIBILIDADE TAMBÉM A SERVIDOR
Empréstimo consignado
É um tipo de empréstimo em que a prestação é descontada diretamente do benefício previdenciário todos os meses.
Também podem pedir esse tipo de empréstimo trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos.
Nesses últimos casos, as parcelas são descontadas dos salários.
Aumento do teto da margemcom o aumento do salário mínimo e de serviços e benefícios atrelados a ele, as aposentadorias também foram reajustadas.
Com isso acaba sendo liberada uma margem maior para que aposentados possam fazer um novo empréstimo.
Como é hoje
A margem do crédito consignado, ou seja, o valor da renda que pode ser comprometido com o empréstimo, é de 45% — 35% no empréstimo consignado, 5% para despesas e saques no cartão de crédito consignado e 5% para gastos no cartão de benefício.
Se o segurado recebe um salário mínimo, que subiu de R$ 1.212 para R$ 1.302, ele poderá comprometer R$ 31,50 em cada parcela se tomar novo empréstimo, levando em conta o aumento de R$ 90 na renda mensal e a margem de 35%.
Entre os funcionários da iniciativa privada com carteira assinada, o limite é de 40% — 35% para o empréstimo e 5% para as despesas com cartão de crédito consignado.
Para evitar o endividamento
Monitore os valores da aposentadoria e do empréstimo consignado no site Meu INSS.
Não contrate empréstimos pelo telefone.
Nunca dê seu CPF nem o número do cartão do INSS para ninguém.
Fonte: G1.