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Indignado e sofrendo, diz pai de cigana após polícia apontar tiro acidental

"Eu e minha família estamos muito tristes e revoltados com isso", disse o pai de Hyara Flor

Hyara Flor foi morta em 6 de julho deste ano na Bahia
Foto de perfil de Agência Folhapress

Agência Folhapress

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Hiago Alves, pai de Hyara Flor Santos Alves, morta aos 14 anos, disse estar “indignado” com a conclusão do inquérito policial que apontou tiro acidental como causa da morte da adolescente.

Ele gravou um vídeo no qual diz que “já esperava” que essa fosse a conclusão da polícia: “Eu já esperava porque desde o início venho tocando nessa tecla. Ele [delegado] ouviu três pessoas manipuladas. (…) Fica aqui minha indignação”, começa.

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“Eu e minha família estamos muito tristes e revoltados com isso. A gente está sofrendo tem 40 dias. Morrendo e sofrendo mesmo, e tem uma resposta dessa no inquérito policial. Mas a gente espera e confia muito na juíza e no promotor de Justiça, e confiamos que ele não vai aceitar esse inquérito policial”, continuou Hiago.

Segundo a polícia, o tiro foi disparado pelo irmão do companheiro da vítima, de nove anos. A conclusão do inquérito foi apresentada na manhã desta sexta-feira (11).

De acordo com a Polícia Civil, ela e o menino brincavam com a arma no momento do acidente. A criança empunhava o revólver na direção de Hyara, quando disparou acidentalmente.

O revólver, de acordo com a investigação, pertencia à sogra de Hyara. Ela responderá por homicídio culposo e porte ilegal de arma de fogo.

INVESTIGAÇÃO DESCARTA VINGANÇA E FEMINICÍDIO 

A nova versão apresentada pelas autoridades descarta hipóteses que apontavam desavenças familiares ou feminicídio. “Perícias técnicas e oitivas de testemunhas não corroboram elementos de prova que sugeriam outras motivações como traição ou femincídio”, destacou o delegado Paulo Henrique de Oliveira, coordenador da 23a Coorpin/Eunápolis.

A investigação também rejeitou a possibilidade que Hyara fosse vítima de violência doméstica, conforme apontava a família da jovem. Para isso, os investigadores consideraram as evidências apresentadas pelo laudo da necropsia, que o levaram a rejeitar eventual participação do marido no ocorrido.

O CRIME

Hyara foi baleada na noite de 6 de julho. A jovem chegou a ser levada ao Hospital Maternidade Joana Moura, no centro da cidade, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Os acompanhantes da jovem disseram no hospital que os tiros foram acidentais, mas funcionários do local viram indícios do crime e chamaram a Polícia Militar. A versão inicial foi que Hyara foi atingida quando limpava uma pistola.

O adolescente e marido de Hyara, também de 14 anos, fugiu após o crime acompanhado do pai, de acordo com relatos de testemunhas. Os dois estavam casados há cerca de dois meses.

O jovem foi apreendido em Vitória no fim de julho, dias após a morte, e teve a internação provisória decretada. Ele havia sido apontado como suspeito de praticar “ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado (feminicídio)”.














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