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ENTREVISTA

“Vamos priorizar a independência”, diz novo presidente da Assembleia Legislativa

O deputado Marcelo Santos foi eleito em chapa única para comandar o Legislativo estadual até 2025

Marcelo Santos garantiu que, apesar de apoio do governador, o Legislativo não será controlado pelo Executivo
Foto de perfil de Eduardo Maia

Eduardo Maia

Eduardo Maia é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Gestão da Comunicação Interna. Especialista em política capixaba, atua como colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde analisa diariamente os bastidores do poder no Espírito Santo. É também autor do livro “Memórias da Liberdade – 50 Anos do Guaraparistock”, que resgata a história do primeiro festival de música ao ar livre do País, realizado em Guarapari, no verão de 1971.

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O novo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos), foi empossado na última quarta-feira (1º), após ser eleito por 27 dos 30 deputados, em uma chapa única, por meio de um consenso entre os deputados da Casa, após o governador Renato Casagrande (PSB) ter apoiado seu nome. 

E ele conversou com A Tribuna para detalhar um pouco de seus planos para seu mandato no comando do Legislativo Estadual, que ele promete ser independente do governo estadual.   

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A TRIBUNA – Quais serão seus principais objetivos à frente da Assembleia?

Marcelo Santos – Temos algumas metas para alcançar. Queremos fazer um conjunto de esforços para tornar a Assembleia ainda mais transparente. A outra ação, que tenho cobrado até uma  parceria com a imprensa, é para que nos ajudem a divulgar o papel do parlamentar e do Poder Legislativo. 

As pessoas não têm noção da importância do Legislativo e qual o papel do parlamentar. Queremos fortalecer o papel do deputado e das comissões. 

É uma Casa plural, composta por 30 políticos com opiniões divergentes, por isso é importante. Diverge mas converge quando o assunto é interesse público.  

Como foram as últimas horas de diálogo entre os deputados para definir a chapa única?

A política tem um encanto  diferente de qualquer outra atividade do setor público, porque consegue chegar ao final convergindo. 

O que ocorreu foi isso: Dois grupos trabalhando e conseguiram, mesmo que divergindo, e até em momentos de estresse mais profundo, conseguiram  eliminar o estresse e compor a Mesa Diretora. 

A política faz com que mesmo divergindo, possamos convergir. Estou muito feliz com essa aliança que nos fez construir uma chapa única,  ela é muito boa para os deputados, para os Executivo e outros Poderes, mas é melhor ainda para a população.

Como  acha que será o relacionamento com a oposição? Alguns parlamentares criticaram o fato do governador Casagrande (PSB) ter apoiado seu nome…

Isso faz parte do processo. A gente se estressa um pouco, mas com o final da eleição, o jogo fica zerado. Estou como presidente não do grupo parlamentar que iniciou comigo. 

Quando o processo termina, passo a presidir a Assembleia. Meu objetivo é manter a independência dos poderes e do parlamentar, seja de direita ou esquerda, base ou não do governo. 

O que vou cobrar é o respeito. É preciso ter respeito, temos o Regimento Interno, que fala sobre decoro parlamentar. Podemos cobrar, sermos contrários a posições, mas temos que respeitar. A Assembleia não é presidida pela aliança do governo. Eu sou um  presidente que tem relação com o governo estadual, mas primo pela harmonia e independência.  

Ano passado o senhor organizou um almoço com jornalistas, onde fez algumas críticas ao governador Casagrande. O que levou à sua escolha por parte do governador? 

Não fiz crítica ao governador, fiz críticas construtivas ao PSB. É muito pontual. Minha relação com o governador não é de agora, ultrapassa a casa dos 20 anos. E isso se soma à minha experiência na Assembleia.

Esses fatores fizeram com  que ele pudesse avaliar e encaminhar à base a avaliação do meu nome. Como tenho relação com os deputados, a indicação dele acabou fazendo nosso bloco crescer.

Como se deu a escolha da Mesa Diretora? Danilo Bahiense (PL) por exemplo, seria vice na chapa de Vandinho (PSDB)…

É uma composição. Fomos caminhando ao final e eu sempre dizia aos colegas que estavam no meu grupo que eu deixaria as portas abertas para o outro grupo, se entendessem que poderíamos fazer uma aliança, eles poderiam participar de nossa chapa. Isso fez a chapa ficar plural.

Qual foi o motivo do convite para  Sergio Meneguelli (Republicanos) participar da Mesa?

A escolha dele não foi por questões partidárias. Meneguelli comunicou que declararia o apoio e que gostaria de figurar na Mesa Diretora em qualquer posição. Quando fechamos a Mesa, ele me pediu se poderia participar e eu naturalmente não vi problema. Consultei o grupo e ele figura como 3º secretário.

Seu perfil como presidente será diferente do perfil de Erick Musso (Republicanos)? 

O Erick é meu amigo, fez um bom trabalho na Assembleia. Terei um modelo diferente de gestão na Casa, mas consegui com a parceria dele fazer grandes entregas. 

 
















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Desde o seu discurso de posse, temos ouvido o senhor falar de consenso. O senhor chegou a conversar com o deputado Vandinho depois da sua posse?

Já conversei com ele. É uma figura com quem tenho uma relação de muitos anos. Nós não temos diferenças, temos uma parceria boa em Plenário. Vandinho é um parceiro e tem meu respeito, que cresceu ainda mais quando ele abriu mão do projeto que ele estava liderando por entender que a disputa não valia à pena. 

Como será a conversa para a distribuição permanentes? Já tem algum nome confirmado?

As comissões somente a partir da Sessão de Instalação. Vamos começar o diálogo com os deputados. Já apuramos os interesses de cada um e sabemos quais deles possuem vocação nas áreas de Saúde, Infraestrutura e outras. Normalmente o deputado coloca até três opções e aí a gente começa a encaixar. Por enquanto nada definido.

Presidente, qual vai ser o critério para a distribuição dos 330 cargos comissionados da Assembleia?

Os cargos da Mesa Diretora são de critérios escolhidos por cada diretor de área, não é pelo presidente. Os diretores que vão avaliar a manutenção ou substituição de qualquer que seja o servidor. Aí eu acredito que vai da questão da meritocracia e da formação acadêmica exigida para o cargo.

O apoio de Casagrande teve relação no anúncio de que o senhor não irá disputar a  prefeitura de Cariacica? Qual sua relação com o prefeito do município, Euclério Sampaio (União Brasil)?

A minha relação com o prefeito é de parceria, fui um dos principais cabos eleitorais dele no último pleito. Já deixei claro que estou na reeleição dele. A prefeitura de Cariacica não está mais nos meus panos. Meu objetivo político é, depois do meu atual mandato, disputar alguma vaga em Brasília.

Como é sua relação com o senador Marcos do Val, seu correligionário no Podemos? O que o senhor acha a respeito das recentes declarações dele?

Não tenho relação, é somente uma pessoa que é filiada ao mesmo partido que o meu.

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