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FALA, DOUTOR

Por que as mulheres sofrem mais com dores?

Médico especialista na área, André Felix responde à pergunta e explica ainda que a dor é um alerta de que algo está errado no corpo

o médico André Felix diz que sobrecarga sobre as mulheres causa o aumento do risco de dor

Última atualização

Quem nunca sentiu alguma dor? Seja nas costas, cabeça ou em outra parte do corpo, sentir dor não é normal. Existem várias doenças que podem ocasionar dores crônicas, entre elas a fibromialgia, síndrome que acomete cerca de 82 mil pessoas no Estado, segundo médicos.

Um dado em especial, comprovado pela ciência, chama a atenção: as mulheres sentem mais dores do que os homens. Mas por que isso acontece?  

Em entrevista ao jornal A Tribuna, o médico especialista em dor crônica André Felix fala sobre o porquê de as mulheres sentirem mais dores, quais são as mais comuns e os tratamentos  atuais.  

 
















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> A Tribuna – O que seria dor crônica?

André Felix – É uma dor que perdura por um período superior a três meses. Numa população geral, 30 a 40% têm dor há mais de três meses e isso é uma dor crônica, que por si só já é uma doença.

> Quais as dores crônicas mais comuns?

Cefaleia, dores na região da coluna (lombar e cervical) e dores articulares (ombro, joelho e quadril). Estamos o tempo inteiro utilizando esses tipos de estruturas.

Existem também as dores menos frequentes, mas que são extremamente importantes: fibromialgia e neuralgias.

> É verdade que as mulheres sentem mais dores?

É verdade. A sociedade passa por vários processos de transformação, e a mulher vem assumindo vários papéis. Em 100 anos, mudou completamente o perfil das mulheres. Além de hoje ela ter de cuidar da casa, ainda trabalha fora de casa e tem uma vida muito mais dinâmica, creio eu, do que o homem.

Essa mudança começa a mexer com a mente, hormônios e corpo. Acredito que há muita correlação nas estatísticas das mulheres sentindo dor, exatamente pela evolução da sociedade, sem contar a questão hormonal. A maioria das dores crônicas, como as cefaleias, é mais comum em mulheres.

> Hoje ouvimos  muito falar sobre fibromialgia. Pode falar mais sobre essa doença?

É uma síndrome comum de dor crônica, ou seja, a pessoa tem dor por mais de três meses. A pessoa apresenta dor no corpo inteiro e isso vem acompanhado de outros sintomas como fadiga, distúrbio do sono, intestino preso ou solto, questões mentais e emocionais (problemas de concentração, depressão e ansiedade). 

É mais comum em mulheres, em torno de seis mulheres para cada homem, com idade entre os 35 aos 45 anos, quando é feito o diagnóstico. 

> O diagnóstico da fibromialgia é fácil?

Sim, é um diagnóstico simples. Usamos questionários, um que avalia o quadro de dor e o outro que avalia os sintomas que estão associados. Dando acima de tal pontuação, se dá o diagnóstico de fibromialgia. 

É importante investigar se tem outras doenças, mas isso não impede que se faça um tratamento para fibromialgia. Hoje o diagnóstico e o tratamento são feito com mais rapidez.

> Quais as novidades para o tratamento de dores crônicas?

A base de tudo é cuidar da saúde, por melhor que seja a técnica ou medicamento. A longo prazo, precisa de medicamento. Posso utilizar também vitaminas e sais minerais, podem ainda ser aplicados medicamentos endovenosos, uso de aparelhos para melhorar as conexões neurais, além dos alimentos para desinflamar o corpo. Há ainda outros tratamentos para a mente e a parte física.

PERGUNTAS

Quando a dor é preocupante e necessita de ajuda médica? (Jaciane Leite, 32 anos, analista de segurança da informação)

A dor é essencial para vida. Ela é um sinal de alerta de que há algo de errado e é preciso ajuda. Entretanto, como estamos falando de dores crônicas, acima de três meses de sintoma, e elas não têm a função de defesa. Elas já se tornam uma doença. O tratamento da dor crônica é diferente da dor aguda.

O que seria dor incapacitante? (Claudiceia Santos, 57anos, auxiliar de serviços gerais)

É a que tira uma capacidade. Por exemplo, se a dor tira a capacidade laboral, de trabalhar, ela se torna incapacitante. Lógico que cada pessoa tem a sua dor e, respeitando a individualidade, há pessoas que terão dores menores, mas já sendo suficiente para incapacitar a vida dela e, por isso, deve trazer a mesma preocupação terapêutica.


| Fique por dentro

Dor aguda  é biologicamente benéfica. Alerta, avisa, leva à procura por tratamento. Geralmente, é o sintoma que auxilia no diagnóstico da doença que a causa. É a dor curável, na maioria das vezes, porém, há exceções.

Dor crônica  refere-se a que persiste acima de três meses. Acomete 1 entre 5 adultos; aumenta com a idade; atinge mais mulheres, em trabalhos extenuantes ou naqueles com menores níveis de escolaridade.

Imobilidade, depressão, alterações do sono, problemas nutricionais, incapacidade para o trabalho e ansiedade são algumas das complicações que podem acompanhar a dor crônica.

Estudo realizado pela Escola de Medicina de Stanford, nos Estados Unidos, mostrou que as mulheres avaliam a dor de forma mais intensa do que os homens.

Cefaleia –  É um termo médico para designar o que é popularmente conhecido como dor de cabeça.

Neuralgia –  É uma forte dor nos nervos, em muitos casos relatada como choque elétrico.

NÚMEROS

>>> 6 mulheres para cada homem são acometidas por fibromialgia

>>> 40% da população brasileira sofre com algum tipo de dor crônica

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