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Cidades

Avanços da medicina para tratar doenças emocionais

Médicos alertam que têm crescido casos de depressão e ansiedade entre os idosos. Mas há inovações para ajudar nos tratamentos

O número de doenças mentais e emocionais entre os idosos, como depressão e ansiedade tem aumentado.

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A expectativa de vida vem aumentando a cada ano, mas é preciso olhar para além da quantidade de anos que as pessoas vivem. Afinal, elas estão envelhecendo bem?

Segundo médicos, tem aumentado o número de doenças mentais e emocionais entre os idosos, como  depressão e ansiedade. Mas também há avanços na medicina para auxiliar nos tratamentos.

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O envelhecimento é um temas que será abordado durante a XVII Jornada ABP Sudeste de Psiquiatria e a XIV Jornada de Psiquiatria da Apes (Associação Psiquiátrica do Estado), que acontece nesta sexta e sábado, em Vitória. 

A presidente da Associação de Psiquiatria no Estado (Apes), Lícia Colodete, destaca que o próprio aumento da expectativa de vida já é um reflexo do avanço da medicina.

Entre as principais doenças mentais que acometem os idosos, segundo ela, estão a depressão e os transtornos de ansiedade, mas também se observa o transtorno bipolar e esquizofrenia. Dentre as demências, a doença de Alzheimer é a mais comum.

“Por não terem uma causa definida, as doenças mentais são consideradas complexas. O tratamento deve ter observada esta complexidade. A intervenção geralmente  exige uma abordagem multidisciplinar, como psicoterapia, fisioterapia, avaliação nutricional, avaliação de outras condições médicas e uso responsável de medicamentos”. 

Quanto a novidades por vir, para o Alzheimer, a expectativa dela é de novos medicamentos como  Donanemab, na fase final de testes.

A psiquiatra e moderadora da mesa-redonda sobre envelhecimento na Jornada, Carolina Coser Gomes, destacou  que a indústria tem investido em medicações mais modernas, com menos efeitos colaterais e mais efetividade. 

Um dos pontos importantes é o caso daqueles que tomam várias medicações para problemas distintos, como hipertensão, diabetes e transtorno depressivo. “Nesses casos, temos de ter muita cautela em saber a potencialidade das interações medicamentosas, para ajustar da melhor forma”.

O médico psiquiatra Valber Dias Pinto acrescentou que há produtos farmacêuticos promissores para sintomas neuropsiquiátricos de demência sendo avaliados.

“Há evidências preliminares do benefício da psicoterapia assistida por psicodélicos no fim da vida e na depressão/ansiedade relacionada ao câncer”.

Espiritualidade ajuda na prevenção

Assim como em qualquer doença, a saúde mental requer, mais do que nunca, prevenção ao longo de toda a vida. Entre as formas de evitar doenças mentais e emocionais na terceira idade, especialistas apontam  manutenção de amizades, prática da espiritualidade, convívio com crianças e jovens, além da prática de atividade física. 

A psiquiatra Carolina Coser Gomes salientou a importância da prevenção ser ao longo da vida. 

“Transtornos depressivos e ansiosos estão relacionados à forma que o idoso veio desenvolvendo habilidades emocionais ao longo da vida. O ideal é que as pessoas não se preocupem com isso apenas na terceira idade, mas  cuidem da saúde emocional desde a juventude”.

A médica psiquiatra Maria Benedita Reis pontuou que cada pessoa tem seus desejos e objetivos. 

“Porém, de modo geral, recomenda-se que a pessoa idosa se socialize, pratique uma religião ou cultive sua espiritualidade, que conviva com crianças e jovens, que faça exercícios físicos na medida de suas possibilidades, que participe das decisões da família, enfim, que se sinta útil e amada”.

Quanto a tratamento, Maria Benedita Reis ressaltou que o projeto terapêutico individualizado requer uma escuta qualificada psicossocial do idoso. 

“É preciso ouvir com muita atenção qual é a queixa, se há maus-tratos, se o idoso se sente solitário ou um peso para a família”


Saiba mais

Familiares devem se atentar aos sinais

Sintomas de depressão na terceira idade

– Isolamento.

– Falta de apetite.

– Perda de energia para realizar atividades cotidianas.

– Insônia.

– Queixa de aumento de dores.

Atenção dos familiares

Apesar de vários sintomas, muitas vezes, eles podem se assemelhar a algo que acontece com o avanço da idade. Familiares devem estar atentos e avaliar a possibilidade de ter alguma doença mental ou emocional relacionada.

Como prevenir

Manter a socialização, amizades ao longo da vida e convívio com a família. 

A convivência com crianças e jovens também ajuda a manter a saúde mental. 

Praticar exercícios físicos, dentro das possibilidades. 

Participar das decisões da família, se sentir útil e amado.

A espiritualidade e a religião, assim como a participação na comunidade, em trabalhos voluntários, também podem ajudar. 

Fonte: Especialistas consultados.


Uso excessivo de jogos preocupa

Nem bem acordam, e o celular já está na mão. Na hora da refeição, ele também está presente, assim como na hora de dormir. A rotina de jogos eletrônicos e redes sociais, cada vez mais comum entre adolescentes, já tem provocado reflexos na saúde mental dos mais jovens e preocupado médicos.

O psiquiatra Valber Dias Pinto  afirmou que o tempo de jogos  e de redes sociais aumentou muito nos últimos anos, sendo intensificado na  pandemia. 

“Isso tem prejudicado, principalmente, os mais vulneráveis, que são os adolescentes e jovens até 25 anos, que ainda estão com sistema nervoso em amadurecimento”.

Para ele, o uso excessivo começa a ser prejudicial e necessitar um olhar mais atento quando o adolescente começa a ter preocupação em relação a ficar sem o aparelho ou sem internet. 

“Eles começam a ficar mais tempo nessas mídias e jogos. Naturalmente, isso facilita o desenvolvimento de transtornos de ansiedade”, ressaltou.

O médico explicou ainda que, no perfil desse uso problemático das redes, entre os meninos está o excesso dos jogos eletrônicos e da pornografia. Já entre as meninas, as redes sociais e compras on-line.  

A médica psiquiatra e presidente da Associação de Psiquiatria do Estado (APES),  Lícia Colodete, salientou hoje a preocupação com esse uso em excesso. 

“Isso pode acarretar comprometimento ou até abandono de atividades importantes, como alimentação, sono, estudos, trabalho e socialização, o que prejudica a saúde como um todo”.

Dependência

Segundo a médica, o “transtorno de jogo pela internet” já é considerado um diagnóstico psiquiátrico, caracterizado por uma dependência comportamental. 

“O adolescente deixa de realizar essas atividades vitais para jogar videogame”.

Além da própria dependência em jogos, ela reforçou que há relação entre a dependência por jogos eletrônicos e redes sociais e outros transtornos mentais como depressão, ansiedade social, transtorno bipolar e transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. 

“O que inicialmente se apresenta como forma de diminuir o estresse acaba se tornando a fonte de estresse, reforçando as dificuldades sociais e de digerir as frustrações inerentes à vida”.

Diálogo e regras para uso consciente

Na casa da psicopedagoga clínica Maria Tereza Samora de Sousa, 40, o uso do celular vem acompanhado de regras, diálogo e limitação do tempo de uso. Dos filhos, Laura, 9 anos, e Luiz Eduardo, 13, só o mais velho tem um aparelho. 

“Hoje, limitamos o tempo de uso do celular para ele a duas horas e meia por dia. Já Laura tem acesso aos aparelhos de forma esporádica. Tudo é conversado e busco sempre explicar para eles o motivo da limitação”.

Para a psicopedagoga, liberar o uso, sem qualquer controle, seria como  permitir que eles danificassem seu cérebro. “Nenhuma mãe dá um cigarro para uma criança. No caso da tecnologia, ela ativa a mesma parte do cérebro responsável por compulsões. O cérebro das crianças está em desenvolvimento. Se um adulto não controla o uso, como uma criança e um adolescente saberá controlar?”

Ela frisa que é preciso dar outras alternativas às crianças como jogos de tabuleiro, brincadeiras e artes.

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Fique por dentro

Pais devem dar o exemplo aos filhos

Uso excessivo

O uso em excesso das redes sociais e jogos eletrônicos já têm impactado a saúde mental, principalmente entre os adolescentes.

Nesse período, até os 25 anos, o cérebro ainda está amadurecendo. 

Segundo médicos, há uma relação entre o aumento de problema de saúde mental, como ansiedade,  e o tempo passado nas redes sociais ou em jogos eletrônicos. 

Sinais de preocupação

Adolescentes que deixam de fazer outras atividades para ficar jogando ou nas redes sociais, como sair com a família e amigos. 

Distúrbios do sono e ansiedade.

Sedentarismo. 

Irritação ou agressividade ao ficar sem o aparelho ou internet.

Dicas

Estabeleça ambientes ou períodos onde o celular não pode ser usado, como em uma viagem ou no almoço e jantar.

Estimule os filhos a fazer atividades ao ar livre ou praticar esportes.

Ensine aos filhos que é importante ter momentos à toa.

Dê o exemplo: crianças que veem os pais no celular o tempo todo estão  propensas a este comportamento.

Fonte: Especialistas e agência o Globo


Mais de 250 médicos vão participar de evento

O envelhecimento da população e o uso excessivo de jogos eletrônicos estão entre os temas em discussão  durante  a XVII Jornada ABP Sudeste de Psiquiatria e a XIV Jornada de Psiquiatria da Apes (Associação Psiquiátrica do Estado). 

O evento, que reunirá mais de 250 médicos de todo o Brasil, acontece entre hoje e amanhã, no Hotel Golden Tulip, em Vitória. A programação dos dois dias terá início  a partir das  8 horas.

O objetivo é promover debates entre professores, estudantes e profissionais das áreas de saúde, com a temática “Velocidade, exposição e subjetividade: o impacto da tecnologia na saúde mental”. 

Durante os dois dias de estudo, debates e palestras abordarão  temas atuais, como publicidade médica, saúde mental da mulher, os impactos da tecnologia no estilo de vida, canabinoides e as doenças mentais que afetam os idosos. 

Para a palestra de abertura, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, falará sobre as principais questões do bullying e do ciberbullying, um tema atual que precisa ser considerado, uma vez que a incidência desse tipo de comportamento aumentou devido ao crescimento da vida atrelada a computadores e  redes sociais. 

A palestra de abertura, que será às 17 horas, é aberta ao público. 

Nos demais fóruns e conferências, podem participar médicos, estudantes de Medicina, psicólogos e outros profissionais da área da saúde. As inscrições podem ser feitas no link: https://jacredenciei.com.br/e/7jornadaabp ou ainda pessoalmente, na entrada do evento. 


O evento

Primeira palestra é aberta ao público

 XVII Jornada ABP Sudeste de Psiquiatria e XIV Jornada de Psiquiatria da APES 

Acontece entre sexta e sábado, no Hotel Golden Tulip, em Vitória.

O evento, que reúne médicos de todo Brasil, tem como temática “Velocidade, exposição e subjetividade: o impacto da tecnologia na saúde mental”. 

Podem participar da jornada médicos, estudantes de medicina e outros profissionais da área da saúde. As inscrições podem ser feitas no link: https://jacredenciei.com.br/e/7jornadaabp ou ainda no local do evento.

Para a palestra de abertura, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP),  Antônio Geraldo da Silva, vai falar sobre bullying.

Temas dos encontros

Sexta-feira

– Publicidade médica.

– Atualização de antipsicóticos na gestação.

– Adições (dependência) química e eletrônica.

– Psicoterapias.

– Saúde mental da mulher.

– Psiquiatria do Estilo de Vida e o impacto da tecnologia.

– Depressão resistente a tratamento

– Trazodona – Farmacocinética e sua multifuncionalidade.

– Bullying / Ciberbullying – A conferência de abertura será às 17h e aberta ao público. 

Sábado

– Transtorno do espectro autista.

– Comportamento suicida – Fatores de risco e prevenção.

– Psicofarmacoterapia e neuroestimulação. 

– Psiquiatria e cultura.

– Adoecimento mental no trabalho.

– Canabinoides e psiquiatria.

– Políticas públicas em saúde mental.

– Envelhecimento, cuidados paliativos e psicogeriatria.

Fonte: Associação Psiquiátrica do Estado.

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