Rejane Miranda é uma artista sedutora e carismática de 50 anos. Mesmo afastada dos holofotes, nunca desceu do salto. Assim como sua personagem na novela “Fuzuê”, a atriz Walkiria Ribeiro, de 46 anos, é um verdadeiro furacão!
“Eu sou do movimento, curiosa, agitada e com sede de vida”, avisou durante bate-papo com o AT2. Mais que isso, Walkiria é uma mulher guerreira. Sempre com o apoio da família, começou no balé aos 2 aninhos e a dança foi a porta de entrada para o meio artístico.
Aos 8 anos, inserida no Carnaval, a juventude desabrochou uma beleza que lhe trouxe uma caminhada como modelo. “Os meus pais nos criaram para o mundo, sabíamos, desde pequenos, que tínhamos muitas lutas a combater, sempre fomos munidos de muitas possibilidades apresentadas pelos meus pais e a arte foi uma delas”, comentou.
Tudo corria bem quando, em 2020, a pandemia chegou trazendo o caos. Walkiria, como milhares de pessoas no mundo inteiro, teve dificuldades em pagar suas contas e precisou recorrer a uma vaquinha virtual para evitar a perda do apartamento em que morava, em São Paulo.
“Eu sou real e vivo uma vida real. Como qualquer outra pessoa, tenho minhas demandas, dificuldades e obstáculos. Como a maioria das pessoas no Brasil e no mundo, eu também tive dificuldades para sobreviver e honrar minhas contas!”, observou.
Passada a pandemia – quando ela também acabou perdendo a mãe –, o momento agora é de seguir em frente, mas sem programar muito o futuro.
“Uma coisa que aprendi em nome da minha saúde mental é que tenho de estar presente no presente. Rejane Miranda ainda é o projeto do presente, e que ela seja caminho de novas oportunidades futuras!”.
Apesar de não gostar de planejar o futuro, a atriz contou que tem muitos sonhos e pretensões profissionais.
“Entretanto, estamos dentro de uma sociedade que ainda vê a cultura como entretenimento e o setor artístico no Brasil é efêmero. Uma boa atuação, um bom trabalho ou premiação não lhe trazem oportunidades para trabalhar sempre, então caminho em busca de novas oportunidades, e estas independem das minhas vontades!”, observou.
“Amigos são coisas sérias para mim”, Walkiria Ribeiro atriz e modelo
AT2: Sua personagem em “Fuzuê”, a Rejane Miranda, é um furacão. Você é como ela?
Walkiria Ribeiro: Um furacão, realmente, é um fenômeno caracterizado pela formação de ventos. Vento me remete a movimentos, e eu sou do movimento, curiosa, agitada e com sede de vida. Sendo assim, posso dizer que também sou um furacão. (Risos)
Na novela, ela tem 50 anos e está “decadente”. Acredita que, quando a mulher, especialmente se ela é artista, chega nessa idade, sofre preconceito?
A decadência citada no personagem se dá pelo apego a um tempo em que Rejane Miranda não desfruta mais, os tempos áureos de modelo, de reinado da Fuzuê. Entretanto, a história também conta esta transição de carreira e de amadurecimento da personagem.
Ser ator é a arte de contar histórias e, para cada história, sempre haverá um personagem jovem e personagens mais maduros. Envelhecer é um ciclo da vida e, se está passando por ele, isso que dizer que você está vivo. Rejane vive como ninguém!
Aos 46 anos, já sofreu com o etarismo?
Não. As pessoas te veem como você se sente, e eu me sinto jovem, a vida para mim está no auge, provavelmente hoje tenho mais passado do que futuro e tenho muitos sonhos para ainda realizar, na vida e na carreira.
Como vê sua trajetória até hoje. Correu como imaginou?
De onde eu venho, uma mulher preta, periférica, tem muitas demandas. A maior delas é se esquivar do sistema arcaico machista e racista. Por sorte, venho de uma família com personagens altivos e que queriam fazer a diferença. Meu pai e minha mãe sempre souberam que estudar e se profissionalizar era o caminho, consumir arte foi um triunfo!
Fazendo pesquisas na internet, encontrei uma vaquinha virtual que foi criada em 2021 para você. É real?
Eu sou real e vivo uma vida real. Como qualquer outra pessoa, tenho minhas demandas, dificuldades e obstáculos. Como a maioria das pessoas no Brasil e no mundo, eu também tive dificuldades para sobreviver e honrar minhas contas! Para além da falta de oportunidades, a pandemia ainda levou a minha mãe, que não morreu de covid, mas, por conta da covid, não foi devidamente atendida e se foi!
O meu mundo caiu e com ele eu caí e fui amavelmente acolhida por amigos, admiradores e, principalmente, pelos colegas da classe artística. Como disse minha amada amiga Marisa Orth: ‘Você não pode perder sua casa, e nós só temos nós!’. Nunca senti tanto amor e solidariedade em toda a minha vida, este fato ainda me nutre e me move. Eu não posso e não vou parar.
Esse período difícil deixou algum ensinamento para você?
O de que a vida não tem nenhuma garantia, tão pouco estabilidade. Após um longo tempo isolada e sem recursos financeiros, entendi que realmente não podemos depositar todos os ovos em uma só cesta e que precisamos ser múltiplos.
Como disse anteriormente, um bom ator, um bom trabalho e reconhecimentos na carreira não nos dão a garantia de trabalhar sempre. Sendo assim, sigo também empreendendo, estudando e me capacitando em outras áreas!
Arranjou mais amigos nessa época?
Amigos são coisas sérias para mim. Eles nunca serão muitos, eles são os que nutrem a minha alma, celebram as minhas conquistas, me acolhem em minhas fraquezas e permitem eu ser quem sou.