Uma família foi vítima de um golpe conhecido, mas os criminosos inovaram e utilizaram a Covid-19 para aplicá-lo. O caso aconteceu com a família de uma personal trainer de Vila Velha, que não quis se identificar.
O marido dela estava internado há 14 dias por conta do vírus e, um golpista que teve acesso ao prontuário, entrou em contato informando da necessidade de uma intervenção que custaria R$ 1.200.
“Recebi a ligação de um homem que se identificou como dr. Guilherme, dizendo que meu marido tinha apresentado sintomas e foi constatado uma bactéria grave, que precisava fazer dois exames com urgência, e o plano tinha dado 10 dias para autorizar e que não podia esperar pois poderia causar falência múltipla dos órgãos”.
O golpista fez o pedido alegando que o exame seria realizado de forma particular e, por isso, ela fez a transferência de imediato. Segundo o presidente da Associação dos Médicos do Espírito Santo, Leonardo Lessa, esse é um golpe muito conhecido em hospitais da rede pública e privada.
“As famílias são abordadas por telefone e são convencidos a fazer algum tipo de depósito, para liberar uma cirurgia, para fazer algum tratamento não coberto pelo plano. As histórias variam”, contou.
O médico explicou que, por ser um momento de fragilidade da família, eles acabam depositando o dinheiro para os golpistas. E que as informações sobre o prontuário dos pacientes podem vir de alguém de dentro dos hospitais.
“Possivelmente com a ajuda de pessoas internas ou outras fontes, como redes sociais. Hoje em dia é comum a exposição, mesmo quando doentes. O importante é que nunca se faça depósitos a desconhecidos. Procure antes a instituição para melhor se informar”.
A Polícia Civil disse, em nota, que o fato está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa) e, até o fechamento desta edição, ninguém foi detido.
Culpa
“Fizemos um TED para o golpista que se dizia médico e o dinheiro entrou na hora. Eu fiquei me sentindo muito culpada. Na hora do nervosismo não prestei atenção em várias situações que poderia ter evitado de eu ter caído.
A escrita era grotesca, erros absurdos de português, mas durante a conversa por telefone o homem, que se dizia doutor, falava embolado, eu achei que ele fosse estrangeiro, por isso os erros na forma de escrever. Hoje (ontem) eu fui até a delegacia.
Personal trainer, 37 anos
