A divulgação das imagens das primeiras pessoas sendo imunizadas contra a Covid-19 em solo capixaba nessa segunda-feira (18) despertou a atenção dos internautas para um detalhe: os profissionais que aplicavam as vacinas estavam sem luvas.
De imediato as pessoas começaram a postar críticas nas redes sociais questionando a conduta dos vacinadores.
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, até esclareceu que esse é procedimento padrão durante o evento com os primeiros vacinados no Espírito Santo.
Como os questionamentos continuaram, a equipe Tribuna Online procurou esclarecimentos se realmente a vacina pode ser aplicada por profissional de saúde sem luvas.
A infectologista Ana Paula Burian esclarece que, de fato, a aplicação da vacina é feita sem luvas e que inclusive existe um posicionamento do Conselho Federal de Enfermagem orientando essa conduta.
A médica, que também é coordenadora do Centro de Referências para Imunobiológicos Especiais (CRIE Vitória) e membro da Comissão de Calendários Vacinais e Consensos da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que, dessa forma, é mais seguro para o paciente e para o profissional de saúde.
“A luva dá uma falsa sensação de segurança. O mais importante é o profissional lavar bem as mãos antes de vacinar cada paciente. A luva não pode ser higienizada porque tem microporosidade. E mesmo se trocar de luva, tem que higienizar bem as mãos”, enfatiza.
Ana Paula destaca que a utilização de luvas eleva o custo operacional, aumenta a produção de lixo hospitalar, demanda mais tempo para o atendimento e não é garantia de segurança. Pelo contrário, para agilizar o fluxo de vacinação, pode ocorrer do agente de saúde não conseguir higienizar a corretamente.
A médica ainda explica que a luva era utilizada no passado para proteger quem está vacinando, para que não se ferir com a agulha e correr o risco de se contaminar.
“Com bons procedimentos, esse risco não existe. Por exemplo, o profissional não pode colocar a capa na agulha de novo. Após a aplicação, ele joga imediatamente a seringa dentro de um reservatório próprio para descarte”, diz.
