Sem esconder a felicidade pelo fato de as primeiras doses de vacina terem chegado ao Estado, nesta segunda-feira (18), a professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e epidemiologista Ethel Maciel frisa que a imunização não libera as pessoas das medidas sanitárias em um primeiro momento, pois nem todos estarão vacinados.

“É um dia histórico, de muita felicidade. Aquela luz no fim do túnel ficou mais brilhante. É o começo do fim. Pelo menos, já temos uma arma para lutar contra essa pandemia que já tirou a vida de tanta gente no Estado, no Brasil e no mundo”, observou.
Para que a vida volte ao normal, ela explica que vai depender da velocidade de produção da vacina.
“O cálculo é de que precisamos de em torno de 70% de imunização da população para alcançar a chamada imunidade de rebanho (imunidade coletiva), que freia a circulação do vírus. Mas está muito longe de conseguir ter vacina para a primeira fase dos grupos prioritários, quanto mais os outros”.
Ela ressalta que o novo pedido de autorização de mais 4 milhões de doses do Butantan à Ansiva pode ajudar a acelerar o processo. “Além das duas milhões de doses da Índia. Sem a IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), que a China não enviou nem para o Butantan e nem para a Fiocruz, não podemos começar a produção”, acrescenta.
Agora, de acordo com ela, se a IFA chegar, só o Butantan consegue produzir por dia um milhão de doses, como já anunciou. “Então, a gente teria mais de 40 milhões de doses até o final de março no País”.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, não há perspectiva de vacinar toda a população no calendário esperado.
“É possível que não terminemos 2021 com toda a população adulta e idosa imunizada. Insistimos que o País precisa comprar todas as vacinas que tenham segurança e eficácia aprovadas. Quanto mais tempo demorar, mais vidas perderemos, e poderemos ter uma 3ª onda”.