
Diante do colapso no sistema público de saúde amazonense, que sofre com a falta e oxigênio, familiares têm a esperança renovada com a transferência de seus entes queridos para outros estados.
Ao todo, o Governo do Amazonas já transferiu 215 pessoas.
Na porta do Hospital 28 de Agosto, Antônio Carlos Brito aguardava apreensivo a retirada da esposa, Zizelda Brito, e relatou o drama que o casal vive na busca pela recuperação.
“Tenho muita esperança que ela vá se recuperar. Ela é uma profissional da saúde e esteve à frente no combate à Covid-19, infelizmente agora, há uns 10 dias, ela se contaminou, mas a gente está lutando pela vida dela”, desabafa.
Na entrada da ambulância, a voz de Fabiana Maciel, gerente de hospitais e fundações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), buscava tranquilizar cada paciente durante a alocação nas ambulâncias.
“O senhor vai voltar para sua família, tá bom? O tempo que você precisar, o atendimento especializado o senhor vai ter lá, e a gente vai estar aqui para comemorar a sua vitória, tá bom? Já deu certo”, disse a um dos pacientes transferidos para Vitória.
Já na frente do aeroporto Ponta Pelada, os irmãos Jéssica e Abrahim Said buscavam uma forma de tentar observar o embarque da mãe, Maria Said, por entre as grades que cercam a base aérea. Eles contam que a mãe deu entrada no Hospital 28 de Agosto com a saúde muito debilitada, e que após os cuidados na unidade, ambos mantêm a fé na pronta recuperação da matriarca da família.
“Quantas pessoas queriam estar aqui felizes, gratos pelos seus familiares irem? Todas as pessoas que estão ali dentro é só gratidão, porque eu não tenho nem explicação. Deus colocou tantos anjos nas nossas vidas esses dias, porque o sofrimento é muito grande”, disse Jéssica. “A gente fica apreensivo, mas nunca perdemos a fé”, completou Abrahim.