Motivar e inspirar o time de colaboradores estão entre os principais papéis de um líder. No Estado, atualmente, 80 mil jovens comandam equipes. Nessa jornada, enfrentam os mais diversos desafios, que vão desde gerir pessoas muito mais experientes do que eles a manter todos motivados e com alta performance durante a pandemia.
Para o mercado, são considerados jovens os profissionais com até 30 anos de idade, de acordo com a especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas.
Ela explicou que os jovens estão se destacando nas áreas de tecnologia, inovação, redes sociais e marketing, mas também estão ganhando espaço em áreas culturalmente ocupadas por pessoas mais maduras, como departamento financeiro, empresa de investimentos e controladoria.
Atílio Peixoto Soares Junior, diretor-executivo de interiorização da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), destacou que jovens normalmente chegam ao mercado com energia, vontade de fazer a diferença, de ajudar a mudar e isso agrega muito à organização.
Roberta Kato, CEO do grupo Kato, considerou que eles também estão mais atentos às mudanças de mercado. “Eles conseguem se adaptar muito mais facilmente às mudanças que estão acontecendo, principalmente em relação às mídias digitais, já que nasceram nesse universo”.
O engenheiro civil Gustavo Roncetti, de 23 anos, é gerente geral de uma hamburgueria e lidera 37 funcionários, com idades entre 19 e 39 anos. “Trata-se de uma franquia americana que trouxemos para Vitória. O nosso principal desafio é garantir que o cliente saia satisfeito e feliz. Isso é difícil porque cada pessoa é única, tem gostos diferentes”, ressaltou.
Ele acrescentou que busca liderar por meio do diálogo e da parceria. “Quero que todo mundo se sinta bem trabalhando. Eu gosto de fazer junto e acho que o diálogo é o melhor caminho”.
Já a engenheira de petróleo Rafaela Fracalossi, 25, lidera uma equipe com cinco pessoas em uma empresa de terceirização financeira. Com a pandemia, comanda até colaboradores que ainda não conheceu presencialmente.
“Você sempre tem que criar interações com as pessoas para que não fique uma relação muito fria e para que elas possam entender os processos e o que pode ser feito”, contou.
Mas, segundo ela, seu principal desafio é manter a equipe motivada e com bom desempenho, mesmo durante a pandemia.
Mais novo do time
O engenheiro João Vitor Petri, 29, é o gestor de manutenção e operação do sistema de tratamento de água e coleta de esgoto de Vitória. Ele, que lidera 23 pessoas e é o mais novo do time, confessou que é um desafio.
“Há muitos colaboradores com uma visão consolidada dos processos. Tenho interesse em conhecer os processos, mas ao mesmo tempo quero trazer uma visão nova para solucionar problemas antigos”, afirmou.
Estratégias das empresas para reter talentos
As empresas que desejam reter jovens talentosos em seus quadros precisam entender o perfil deles para saber o que buscam. Esses profissionais trabalham por um propósito, precisam de satisfação pessoal e alinhamento de valores com a empresa.
Para Atílio Peixoto Soares Junior, diretor-executivo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), “quando o jovem acredita no propósito da empresa, no que a empresa faz, é um casamento perfeito”.
A especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas acrescentou que é preciso dar perspectivas de crescimento na carreira e liberdade de atuação. E aconselhou que, se o jovem não for o dono, ele não deve ficar subordinado a uma liderança centralizadora, que acha que detém todo o processo decisório.
“A nova geração não aceita imposição. Tem que ter uma relação de parceria, decisões compartilhadas, empoderamento. Isso ajuda a desenvolver a maturidade desses jovens. É preciso ter acompanhamento, mas também acreditar. Eles têm conhecimento e querem colocar em prática. Não querem ser robotizados”.
Consultora em gestão de pessoas e comportamento organizacional e mestre em Psicologia organizacional do trabalho, Viviane da Mata destacou que existem programas de retenção de líderes por meio dos quais aqueles jovens de diferentes funções que despontam são convidados a participar da tomada de decisões com o comitê executivo.
“É uma forma de valorizar o novo, de trazê-los para a mesa de decisão, de sistematização de ideias que valoriza, engaja, motiva”, afirmou.
Mas lembrou que, para esse tipo de iniciativa, a empresa precisa ter uma cultura mais flexível, de abrir espaço de escuta.
Especialistas apontam que as empresas precisam ter um olhar atento, para saber identificar e valorizar esses “gênios”.

