A busca por espaços maiores, a necessidade de manter o distanciamento social e a possibilidade de exercer o trabalho de forma remota está levando mais pessoas a deixarem as grandes cidades e procurarem refúgio no campo. Também estão sendo procuradas moradias em casas localizadas nos balneários.
No Estado, o mercado imobiliário nestas cidades cresceu consideravelmente, segundo especialistas do setor. Em Domingos Martins, por exemplo, a compra de imóveis aumentou entre 150% e 200% este ano, durante a pandemia, quando comparado com o mesmo período do ano passado.
Os dados são do consultor imobiliário e perito avaliador da região, José Borges de Oliveira Filho. “Com a pandemia e a taxa de juros, muitas pessoas resolveram comprar imóveis e mudar de vida. O home office ajudou nesse processo, pois, já que não precisa mais ir à empresa, a pessoa pode morar um pouco mais distante”.
Além de Domingos Martins, outros municípios que estão sendo buscados pelos compradores são Santa Teresa, Santa Leopoldina, Venda Nova do Imigrante e Marechal Floriano. Nas praias, destacam-se Guarapari, Iriri e Anchieta.
Ary Barbosa Bastos, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Espírito Santo (Sindimóveis), diz que o valor dos imóveis influenciou na decisão.
“Em Jardim da Penha ou Itapuã, por exemplo, um apartamento de dois quartos com suíte é adquirido a partir de R$ 350 mil. Mas, no campo, as pessoas perceberam que podem comprar um sítio com 5.000 m, com água, energia e casa de três quartos pelo mesmo valor”, ressaltou Barbosa.
O especialista explicou que, a princípio, muitas pessoas apenas alugaram imóveis para ficar durante a pandemia. “Mas a qualidade de vida aumentou. As pessoas passaram a ter mais privacidade em suas casas, onde há como fazer uma boa estação de home office para trabalhar. Então começaram a aumentar as vendas”, disse.
Os especialistas acreditam que, mesmo depois que a pandemia acabar, essa busca vai continuar em alta, pois muitos empregados vão adotar o home office em definitivo.
“Essa migração vai continuar, mas com uma intensidade menor do que agora. Algumas pessoas vão poder continuar trabalhando em casa”, disse José Borges.
Busca por área de lazer, com qualidade de vida e conforto
Três quartos ou mais, espaço para lazer, como churrasqueira e piscina, e área verde ampla. Esses são alguns requisitos buscados pelas pessoas que estão saindo da região metropolitana para morar no campo. Tudo o que envolva maior conforto e qualidade de vida está na mira dos compradores.
De acordo com o consultor imobiliário e perito avaliador da região de Domingos Martins, José Borges de Oliveira filho, a preferência são por áreas que ficam perto da sede.

Ele destacou ainda que, com a duplicação da BR-262, prevista para acontecer, a procura por imóveis nas montanhas deve aumentar ainda mais.
Padrão das novas moradias vai passar por mudanças
Um dos motivos que levou um grande número de pessoas a deixar a cidade e buscar o campo é a arquitetura dos apartamentos que são encontrados no mercado, segundo especialistas do setor. Por isso, eles afirmam que uma mudança nos empreendimentos já está acontecendo para atender às expectativas dos moradores.

“Certas coisas precisam ser mudadas. As novas moradias terão que atender o novo normal. Pode ter a vacina, mas não estaremos livres de outras pandemias. As pessoas perceberam a necessidade de espaços maiores e as construtoras já estão se adaptando dentro do possível”, afirmou o especialista.
Sandro Carlesso, presidente da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES) ressaltou que o mercado vai se adaptar da maneira que o consumidor desejar.
“O mercado vai conforme a necessidade do cliente. No passado, existiu a demanda por varanda gourmet e lavabo. As novas adaptações podem ser feitas pelos empreendimentos e isso acontecerá nos próximos anos”, frisou.
Saiba mais
Espaço amplo é prioridade
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Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o número de pessoas se mudando da cidade para ir morar no campo, aumentou, segundo especialistas do setor imobiliário.
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Elas buscam, entre outras coisas, casas com mais espaço para morar, privacidade e melhorar a qualidade de vida, como não ter de enfrentar os grandes engarrafamentos das cidades da região metropolitana.
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Entre os fatores que influenciaram nas decisões, está a necessidade de distanciamento social imposta pela pandemia e a possibilidade de trabalho remoto.
Regiões mais buscadas
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Domingos Martins, incluindo a região de Pedra Azul, Santa Teresa, Santa Leopoldina, Venda Nova do Imigrante e Marechal Floriano. Casas em balneários como Guarapari, Iriri e Anchieta também estão sendo procuradas com intensidade por quem deseja se afastar dos grandes centros urbanos.
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Segundo especialistas, mesmo diante da necessidade de comparecer às empresas esporadicamente, alguns locais ficam perto, e rapidamente é possível se locomover.
O que eles buscam
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Casas mais amplas, com três quartos ou mais, além de áreas de lazer como piscina e churrasqueira. Também está na lista dos compradores um bom lugar para montar um escritório de home office.
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Em relação à internet disponibilizadas nestes locais, os especialistas afirmaram que ela ainda tem muito a melhorar, mas que está atendendo os profissionais que precisam para trabalhar em casa.
Valores
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Um fator que contribuiu muito para este aumento, segundo especialistas do setor, foi o valor dos imóveis, como sítios e chácaras.
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Especialistas destacaram que é possível achar um bom lugar, que tenha três quartos e área de lazer, e pagar até R$ 200 mil. Mas tudo vai depender do que é buscado.
Fonte: Especialistas citados.
Análise

Muda-se não só perfil, mas também a própria necessidade das pessoas.
O investimento é na qualidade de vida, não é mais um investimento financeiro.
Essa alternativa foi importante para as pessoas. A demanda que está acontecendo é maior do que o mercado esperava. Isso pelo novo formato de vida das pessoas, que querem se adequar à nova realidade. E esse movimento, em busca de uma qualidade de vida, vai continuar.
Em relação a internet para trabalhar, ninguém que foi está reclamando. Não deve ter uma conexão tão boa, mas as pessoas não têm encontrado muitas dificuldades. Tudo já evoluiu muito”.
José Luiz Kfuri, diretor da Kfuri Consultoria & Negócios
