“Aaaaah, meu amoooor” ou “beijos de purpurina, amooor!”. Marcus Majella grava essas frases para o público quando é parado na rua. Tudo por causa de Ferdinando, seu personagem mais famoso.
Mas, há 4 anos, são as crianças que chegam para conversar com ele, encantadas pelo tio Tony de “Um Tio Quase Perfeito”, que levou mais de 500 mil pessoas aos cinemas em 2017. E ele ama! “Ter conquistado esse público me fez um artista mais completo”, diz.
Em comum, os dois tipos levam risos e esperança ao público. E isso é o que ele experimenta também hoje. “Estou quietinho e muito esperançoso. Tenho muita fé de que isso vai passar e vamos voltar a sorrir como antes. Estou aguardando pela vacina para a gente voltar a se abraçar, porque isso faz muita falta”, reflete.
Na quinta-feira (7), tio Tony está de volta à telona. Depois de passar aperto para cuidar dos três sobrinhos no primeiro filme, ele agora é “o cara” para os pequenos em “Um Tio Quase Perfeito 2”.
Até que chega Beto (Danton Mello). Ele conquista o coração de Angela (Leticia Isnard) e Tony teme que ele também caia nas graças dos filhos da irmã. É o bastante para muitas confusões e gargalhadas.
E é exatamente isso que Majella quer: todo mundo rindo bastante. “Tenho essa missão de continuar levando alegria para as pessoas”, resume o comediante.
“Eu adoro o carinho das crianças”
O tio Tony conquistou o público infantil de todo o Brasil. Como foi isso?
Marcus Majella Fazer “Um Tio Quase Perfeito” foi uma das melhores experiências da minha vida. Eu já era reconhecido pelos adultos nas ruas, mas com o filme eu passei a ser reconhecido pelas crianças, que são supercríticas e supersinceras.
Eu passei a receber o carinho delas e dos pais, que sempre falam coisas como “meu filho te adora… será que podemos tirar uma foto com você?”. Ou “você pode gravar um vídeo para o meu filho?”. E eu gravo ou tiro a foto, pois eu adoro essa troca e o carinho das crianças.
Como foi a construção desse personagem?
A energia do tio é muito baseada em um amigo meu, chamado Pedro Antônio, que é o diretor do filme. Eu me inspirei muito nele, porque ele tem esse jeito de chegar nos lugares e colocar o pé na mesa, sabe? Abre a geladeira e vê o que tem para comer. Às vezes não tem intimidade com a pessoa, mas já está abrindo a geladeira. (Risos).
O Ferdinando (de “Vai Que Cola”), que também foi um trabalho de construção, não é o Marcus Majella, ele é completamente diferente e eu não tenho o jeito dele. Eu sou mais quieto e tímido. Ele gosta de chamar a atenção.
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Como você descreve o tio Tony?
O tio Tony é como se fosse uma pedra preciosa, de um valor inestimável, mas bruta. Com o tempo, você vai lapidando essa pedra e achando o caráter e outras qualidades. Ele é um cara cheio de amor, mas que está aprendendo o tempo todo com tudo. Ele também tem defeitos, assim como todos nós. Ele tem ciúmes… Ele tenta a todo momento boicotar o cunhado, mas vai aprendendo com os próprios erros e acaba se transformando em uma pessoa melhor.
É muito clara a mensagem de ressignificação e de transformação do filme, que tem muito a ver até com o que vivemos em 2020. Tivemos que nos reinventar e o tio Tony é isso. Ele se reinventa. Ele consegue passar pelos momentos difíceis e tirar daquilo uma coisa boa, se reinventar e melhorar.
O que mudou para o personagem?
O que muda é que ele começa em uma situação superconfortável, pois agora é o queridão da família, toma conta dos sobrinhos, tem um emprego estável e está superfeliz. Não faz mais os trambiques dele. Está leve, mas de repente aparece o Beto, que é o namorado da irmã dele e que vai se casar com ela. Essa situação o desestabiliza completamente e ele vai querer provar a todo custo que esse cara não é o homem perfeito para ela. Ele vai tentar contar com a ajuda dos sobrinhos e a história vira uma loucura!
O QUE ELE DIZ
Quarentena
“A quarentena está sendo bem produtiva, pois consegui fazer uma temporada do ‘Vai que Cola’, de 40 episódios, no meio dessa loucura. Eu gravei de agosto até o início de dezembro, e toda a equipe seguiu todos os protocolos de segurança. Eu tive sorte, mas muitos projetos foram adiados e nem todo mundo conseguiu trabalhar”.
“Nasci para isso”
“As pessoas valorizaram muito a arte nesse momento. Muitas pessoas me escreveram isso… Dizendo que eu as ajudei a passar por esse momento. Quando você recebe uma mensagem dessas, o coração se enche de alegria e esperança, pois você está entrando na casa da pessoa e colocando um sorriso no rosto dela. Isso não tem preço e me dá o maior gás para continuar trabalhando e continuar sendo artista. Não é fácil, mas eu sinto que nasci para isso”.
Pé na mesa
“O tio Tony não é o Marcus, eu sou completamente diferente. Eu não sou aquele cara que chega nos lugares e coloca o pé na mesa. Eu fico feliz porque as pessoas pensam que eu sou assim também. Eu fico feliz com o fato delas confundirem os personagens comigo, porque acho que com isso consegui chegar ao nível de qualidade que eu tanto sonhava”.
