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Polícia investiga 40 denúncias de golpes do amor online

A Polícia Civil do Espírito Santo investiga quadrilhas e criminosos suspeitos de enganar mulheres e homens aplicando o chamado golpe do amor. São, ...

Delegado Brenno Andrade: criminosos são de quadrilhas especializadas

Última atualização

O delegado Brenno Andrade diz que alguns golpistas   são de outros países (Foto: Leone Iglesias - 19/03/2019)

A Polícia Civil do Espírito Santo investiga quadrilhas e criminosos suspeitos de enganar mulheres e homens aplicando o chamado golpe do amor. São, pelo menos, 40 casos denunciados na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos.

De acordo com o delegado Brenno Andrade, os criminosos nem sempre agem da mesma forma ou com a mesma história, mas a tática costuma seguir um padrão.

Eles levantam informações pessoais das vítimas, entram em contato – algumas vezes, por sites de relacionamento – e iniciam conversas. Depois de estabelecer a relação virtual, o criminoso ganha intimidade e passa a fazer promessas.

“Eles usam de uma mentira para subtrair o dinheiro da vítima. Verificamos que alguns são de outros países e estados. Muitos já foram alvo de investigação do mesmo crime”, ressaltou o delegado.

Uma tática comum deles é dizer que está enviando presente, mas que precisa de um depósito para a liberação na alfândega.

Em um dos casos, uma empresária, de 40 anos, perdeu R$ 42 mil após ser enganada. O criminoso se passou por um médico que mora no Canadá. Após várias semanas de conversa, eles começaram a ter uma relação virtual. Dizendo que precisava pagar uma multa no valor de 10 mil dólares para voltar ao País, ele conseguiu convencer a vítima de fazer o depósito.

Em outro caso, criminosos se passaram por uma capitã de navio de cruzeiro que estava embarcada. A suposta mulher entrou em contato e conseguiu ganhar a confiança da vítima, também após conversas por WhatsApp.

Dizendo ganhar bem, o golpista, se passando pela marinheira, começou a oferecer presentes. Mas, para isso, precisava que a vítima pagasse cerca de R$ 4 mil para despesas na alfândega.

Os crimes são investigados como estelionato. O delegado Brenno Andrade explica que uma mudança na lei, em maio deste ano, fez com que a fraude, sendo praticada de forma eletrônica, passasse a ter pena de entre quatro e oito anos de prisão. Antes, a pena era de até cinco anos.

“Com essa mudança na lei, esperamos que os criminosos fiquem mais tempo presos. Lembramos que são crimes em que as pessoas poderão ser identificadas, pois deixam muitos rastros”, ressaltou.


Saiba mais


Como funciona o golpe

  • Os criminosos levantam informações pessoais das vítimas e entram em contato, algumas vezes, através de sites de relacionamento.

  • Após iniciar as conversas e estabelecer uma relação virtual, o criminoso ganha intimidade e passa a fazer promessas variadas, como de presentes, visitas e até casamento.

  • Em uma das versões, o golpista se passa por um estrangeiro ou brasileiro que mora em outro país.

  • Uma tática comum é dizer que está enviando presente, mas precisa de um depósito para a liberação na alfândega.

  • Alguns criam sites falsos de empresas de remessas expressas, com falso rastreamento da suposta encomenda, além de usarem um outro criminoso, que se passa por funcionário da Receita Federal, alegando a necessidade de pagar a taxa.

Os crimes

  • Os crimes são investigados como estelionato. Por ser fraude eletrônica, a pena pode variar entre quatro e oito anos de prisão.

  • Durante a investigação, outros crimes também podem ser identificados na prática do mesmo golpe, como extorsão, invasão de dispositivo informático e associação criminosa.

Orientações

  • Evitar dar início a relações com desconhecidos pela internet.

  • Fazer uma investigação pela internet para saber se a pessoa realmente existe.

  • Não fazer transferências e depósitos para liberar mercadorias na alfândega. O pagamento de tributos nunca é feito dessa forma. Além disso, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é a responsável pelos procedimentos de liberação de mercadoria.

  • Caso a encomenda venha por Remessa Expressa (Courier), é possível consultar a lista de empresas no site da Receita Federal.

  • Caso ocorra a tentativa de fraude, procure a Delegacia de Polícia Civil Especializada para fazer a denúncia. É possível registrar o boletim de ocorrência pela internet.

Fonte: Polícia Civil, Receita Federal e especialistas consultados.


Receita Federal faz alerta

Mulher com o celular: alerta para golpe de mercadorias no aeroporto (Foto: Thiago Coutinho - 09/02/2019)Diante dos casos envolvendo o golpe do amor na internet, a Receita Federal emitiu um alerta para evitar novas vítimas. O alerta foi feito porque os criminosos costumam usar a alfândega como tática para conseguir o dinheiro das vítimas.

Nesse golpe, são feitos pedidos de valores para que as vítimas tenham acesso a bens e dinheiro supostamente retidos em aeroportos.

“A Receita Federal já recebeu relatos de casos em que golpistas fizeram propostas de casamento e anunciaram que mandariam caixas contendo presentes diversos, inclusive, anel para o noivado ou dinheiro estrangeiro em espécie”, afirmou o alerta do órgão federal.

Por vezes, o golpista diz que deseja morar ou retornar ao País, e a suposta encomenda conteria parte da sua mudança ou algo de valor enviado como presente.

Alegando que a encomenda estaria retida na alfândega, pede para a vítima fazer depósitos ou transferências em conta corrente para promover a sua liberação.

Para dar credibilidade, chegam a criar sites falsos de empresas de remessas, inclusive com falso rastreamento da suposta encomenda, e encaminham mensagens com informações de contatos falsos de fiscais da Receita.

A Receita Federal lembra que pagamento de tributos nunca ocorre através de depósito ou transferência. Além disso, caso exista uma encomenda postal, os Correios são responsáveis pelos procedimentos de liberação.

“Caso a encomenda venha por Remessa Expressa, deve ser por meio de uma das empresas habilitadas pela Receita Federal (a lista está disponível no site da Receita Federal). Caso ocorra a tentativa de fraude indicada neste alerta, procure a Polícia Civil”, destacou.

Além da investigação criminal, a advogada civil Kelly Andrade lembra que é possível buscar a Justiça. “Nesse caso, é preciso ajuizar ação cobrando os prejuízos patrimoniais e extrapatrimoniais”.

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