
O corpo do adolescente foi atingido por tantos disparos que a perícia, logo que chegou ao local, na noite de segunda-feira (16), nem conseguiu calcular com quantas perfurações Michael estava.
O pai de Michael tinha ido até a Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle) no último dia 10. Ele relatou aos policiais que o filho estava participando do tráfico de drogas de Ulisses Guimarães e temia pela vida do rapaz.
Ainda segundo o Boletim de Ocorrência, o pai também já tinha ido buscar suporte no Conselho Tutelar, mas não teve sucesso: o órgão explicou que, nesses casos, orienta os pais a procurarem a polícia para fazer a denúncia.
O medo do pai se concretizou na noite de segunda, por volta das 20h45, na rua Henrique Rosa. Vários moradores ligaram para a polícia alertando sobre tiros no local. Uma equipe foi até o endereço e encontrou Michael caído no chão, já sem vida.
Testemunhas relataram para os militares que o adolescente estava na região porque tinha ido até a casa da avó para tomar banho. Pelo local, várias cápsulas ficaram espalhadas.
As investigações iniciais apontam que o crime teria relação com o tráfico de drogas, já que, de acordo com testemunhas, Michael teria envolvimento com criminosos da região conhecida como “Fazendinha”.
A avó do rapaz disse que sempre aconselhava o neto. “A gente conversava com ele, falando que era para sair desse caminho, porque não levava a nada. Só tinha duas saídas: a morte ou a cadeia”, desabafou a empregada doméstica, de 62 anos, sem se identificar.
Ela afirmou que o adolescente falava que queria sair do crime: “Ele dizia que ia arrumar um dinheiro e ir para a casa da mãe dele, que se mudou para o Rio de Janeiro na quarta-feira. Aí ele ficaria longe disso tudo. Mas não deu tempo”.
A Polícia Civil está apurando o caso. Sobre a denúncia feita pelo pai dias antes, a assessoria respondeu que “foi instaurado um Auto de Investigação e, para que a apuração seja preservada, nenhuma outra informação será repassada”.