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“Mudei de vida e ensino o que é certo aos jovens”, diz pastor que foi soldado do tráfico

Os vários momentos de apuros que viveu ao longo de 15 anos no crime foram suficientes para que Lucas Santos, hoje com 48 anos, decidisse mudar de vez ...

Lucas Santos viveu 15 anos no crime, mas hoje é pastor em quatro igrejas

Última atualização

Os vários momentos de apuros que viveu ao longo de 15 anos no crime foram suficientes para que Lucas Santos, hoje com 48 anos, decidisse mudar de vez sua vida.

Ele, que já foi soldado do tráfico e que afirma ter sofrido influência de parentes e amigos para entrar nesse mundo, hoje ajuda crianças e adolescentes a seguirem um caminho diferente.

“Hoje, eu sou pastor de quatro igrejas em Vila Velha e também sou presidente de um projeto social, onde ajudo crianças e adolescentes. Ajudo a tirar crianças e adolescentes do crime, mostrando o caminho de Deus”, disse.

Lucas Santos  viveu 15 anos no crime, mas hoje é pastor em quatro igrejas (Foto: Fábio Nunes/AT)

Iniciativas como essa são criadas de maneira a tentar afastar crianças e adolescentes do crime. No Estado, para conseguir dinheiro de forma rápida, muitos pais estão se aproveitando dos próprios filhos para o cometimento de crimes, entre eles tráfico de drogas, furtos e roubos.

Até os bebês não ficam de fora dessa situação e são usados para despistar a polícia, tendo, muitas das vezes, drogas escondidas em seus objetos pessoais, como roupas, carrinho e bolsas.

A Tribuna – Por que escolheu trabalhar com crianças?

Lucas Santos – É uma forma de agradecimento a Deus pelo o que eu fiz no passado e pelo o que eu sou hoje. Eu não tive essa oportunidade, de pessoas me ensinarem. Eu tive uma influência muito ruim da minha família e hoje trabalho dando palestras, ensinando o que é certo e o que é errado.

Qual foi essa influência?

A minha mãe, na época, não era serva do Senhor, ela mexia com magia negra. Eu acabei entrando para isso. Depois fui me envolvendo com o crime. Caí no tráfico de drogas aos 13 anos. Eu era olheiro, guardava drogas e depois comecei a traficar e a roubar, até ser preso.

Como foi sua experiência no presídio?

Péssima. Cadeia é um péssimo lugar. Lá, eu apanhei muito. Têm coisas que acontecem lá dentro que quem está aqui fora nunca vai saber. Quase perdi minha vida lá dentro.

Foi essa experiência que te fez mudar?

Sem dúvidas. Foi lá que eu conheci Deus. Quase perdi minha vida em algumas rebeliões que aconteceram na cadeia. É um lugar muito ruim. Por falta de obediência eu paguei um preço muito caro e graças a Deus consegui enxergar isso, ainda lá dentro.

Como surgiu a ideia do projeto?

Desde que me arrependi das coisas erradas que fazia, faço trabalhos sociais. A ideia de trabalhar com crianças surge a partir do momento que eu sei que posso ajudar esses jovens por meio da minha história e ensinando uma profissão. Fazendo aquilo que eu queria que tivessem feito por mim.

O que você oferece para as crianças em seu projeto?

Ofereço cursos profissionalizantes. Ele se chama “Projeto social Vinde a Mim”. Temos espaço onde as crianças e os adolescentes podem ir durante o dia e, além de receberem alimento, aprendem uma profissão.

Qual é o maior objetivo do projeto?

Temos muitas crianças que não têm alimentos dentro de casa. Elas já saem do curso sorrindo e se alimentando. Esse projeto já tirou crianças e adolescentes do mundo do tráfico. O maior objetivo é não deixar com que elas caiam nesse mundo e retirar as que já estão.

Vocês recebem doações?

É o que nos mantêm. Inclusive, gostaria de aproveitar e dizer que se alguém quiser nos apoiar, basta entrar em contato com o telefone (27) 99802-2767.

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