Uma noite de terror deixou um adolescente morto e três pessoas baleadas em Central Carapina, na Serra, no domingo (31). O ataque teria sido promovido por atiradores de uma gangue rival do tráfico, que chegaram ao local fortemente armados disparando no meio da rua.
O ajudante de pedreiro Wallace Souza de Jesus, 16 anos, tinha acabado de sair da igreja com a mulher e o filho de 10 meses. Eles chegaram em casa e o adolescente disse que iria até a rua para fazer uma compra.
“Ele teve uma revelação na igreja falando que Deus estava dando um livramento de morte a ele. Quando ele saiu, eu ainda pedi para ele não ir. Minutos depois só escutei os tiros. Ele era trabalhador, não devia nada a ninguém”, garantiu a mulher dele, uma dona de casa de 23 anos. Ela não quis se identificar.
Wallace foi atingido por 12 perfurações, a maioria na cabeça. No entanto, ele não foi a única vítima do ataque. Testemunhas contaram que os bandidos chegaram em um carro branco, parando na esquina da avenida Brasil com a rua Niterói.
Eles desceram do veículo dizendo que quem corresse iria morrer. A rua não estava vazia: mães com crianças e moradores que passavam pelo local se assustaram com a ameaça, correndo logo em seguida. Os criminosos começaram a disparar em várias direções. De acordo com testemunhas, foram mais de 50 tiros.
“Escutamos muitos tiros. Eles estavam fortemente armados. Mesmo com um monte de morador na rua, eles não quiseram saber. Foi aquela coisa louca, um tentando socorrer o outro”, comentou uma dona de casa, de 23 anos. Ela pediu para não ser identificada.
Uma manicure de 21 anos que estava passando pela rua com a família foi atingida nas costas. Outra manicure, de 28 anos, estava em frente a um bar e também acabou baleada, com duas perfurações na coxa. O terceiro ferido nas costas foi um homem, de 25 anos. Ninguém do bairro conhecia o rapaz.
De acordo com moradores, os ataques no bairro têm sido constantes. Só na última semana os criminosos passaram atirando pelo bairro em três ocasiões diferentes.
“Está sendo muito difícil, a gente fica com medo até de ir na padaria. Só inocente vira alvo. Estamos pedindo por Justiça. Wallace era trabalhador, não tinha envolvimento com nada”, reforçou a dona de casa.
A mulher do adolescente estava desolada: “O coração fica apertado. Como vou fazer agora? A minha outra filha de 2 anos considerava ele como pai também, como vou contar a ela?”.
