Entre os amigos, a atriz e cantora carioca Júlia Svacinna, 16, é exceção. Enquanto seus colegas estão sempre atentos às notificações do Instagram e do WhatsApp, ela só quer aproveitar cada momento de seus encontros (por ora, evitados devido à pandemia).
“Falo para minha mãe que nasci no século errado, porque queria ter pegado os anos 1980 e 90, quando a tecnologia não era uma coisa tão avançada, que estava na mão de todo mundo. Em rodas de amigos, todos estão no celular e eu queria que estivessem interagindo. Sem internet, seria um mundo mais feliz”, afirma, ao AT2, a jovem que dá vida à Patricia, no filme “Um Tio Quase Perfeito 2”.
Aliás, a atriz sabe bem que os perigos de uma vida conectada vão além do uso excessivo e, através de seu Instagram, desabafou sobre comentários abusivos que recebe de homens mais velhos. “Não é porque exponho minha vida nas redes sociais que estou dando o direito de alguém fazer esse tipo de comentário nas minhas fotos”, salienta a agora cantora.
Conhecida por atuar em novelas e séries da Globo, Júlia tem investido na música e já lançou os singles “Minha Carta” e “Mundo Paralelo”.
“A vida é a gente que faz”
AT2 Quando descobriu que queria ser atriz?
Júlia Svacinna Com 7 anos e, por incrível que pareça, não fui influenciada por ninguém. Entrei no teatro por conta da timidez e, logo que fiz a primeira apresentação, me apaixonei!
Como foi atuar com Marcus Majella nos cinemas?
Foi incrível, uma super experiência! Não só com o Majella, mas com todos os atores do elenco. Aprendi muito com todos.
Tem um tio divertido, como o personagem do Majella?
Falando assim, penso em um tio que é o irmão gêmeo do meu pai, o Gustavo. Ele não mora no Rio, mas, sempre que estamos juntos, é muito divertido e ele me lembra o Tio Tony em alguns aspectos.
Por que investir na música?
A música faz parte de mim desde que era pequena. Sempre gostei muito de música, assistir a musicais, tirar música no piano… A música transforma! E eu sinto que, com a música, posso estar ajudando alguém, seja com um sorriso ou a entender a dor que ela passa. A música está aberta a uma interpretação muito grande.
A quarentena tem rendido muitas composições?
Vou ser sincera. Nessa pandemia, tive bloqueios criativos em alguns momentos. Talvez seja por ficar muito tempo em casa. As minhas inspirações, na maioria das vezes, são de coisas que acontecem no meu dia a dia. Mas, nas últimas semanas, tenho escrito muitas músicas e histórias, e estou bem animada para vocês ouvirem tudo! Lidar com a pandemia tem sido louco, e acho que cada dia é um dia diferente e a gente tem que aprender a viver nesse novo mundo.
Já se sentiu pressionada a se encaixar dentro de padrões impostos pela sociedade atual?
Toda pessoa já passou por essa pressão, acho que é uma coisa que a gente escuta muito. Se está acima do peso, alguém vai falar. Se está magra demais, alguém vai falar. Então, a gente acaba tentando se encaixar para não ser criticada. E eu acho que, na realidade, não tem nenhum problema você ser do jeito que quiser ser.
Na minha cabeça, você só tem que ser feliz do jeito que é. Se você não está feliz, você muda, mas não por um padrão. O “mundo paralelo” que canto é exatamente isso, você tem que ser quem realmente você quer ser, e não um padrão imposto pela sociedade.
De que forma conseguiu e tenta driblar esses padrões?
Acho que não driblo de uma maneira proposital. Se eu já driblei em algum momento, estava sendo eu mesma, porque tudo que faço na rede social é tentando ser quem eu realmente sou.
É isso que tento passar para todo mundo. A verdadeira Júlia e os meus pais sempre me apoiaram muito nisso.
Uso filtro em foto, mas nunca vou editar meu rosto e corpo para ficar de um jeito que eu ache mais padrão. Sou quem realmente sou, do jeito que sou e estou feliz assim!
A vida não é uma foto que a gente vê no Instagram. A vida não é o peso que a gente pesa. A vida não é nada disso! A vida é a gente que faz, e ela pode ser muito bonita como ela é, quando a gente imagina no nosso mundo interior, que é o nosso mundo paralelo.
Desabafou sobre comentários abusivos que recebeu de homens mais velhos. Queria fazer um alerta?
Foi sim uma tentativa de alerta para meninas que recebem esse tipo de comentário e não sabem como lidar ou o que fazer. E acho que estamos no direito de bloquear, apagar o comentário, denunciar. É isso que faço também. Eles estão errados!
Entrou muito nova para a TV. Como manteve os pés no chão diante da fama?
Entrei muito cedo e acho que foi uma coisa muito boa para mim. Foi lá que eu cresci e me sinto muito feliz, em casa. Eu sou normal, como todo mundo. Sou uma menina de 16 anos tentando entender o que é a vida.
Com sua música, quer fugir de padrões e clichês?
Não acho que minha música tenta fugir o tempo todo de padrões e clichês. Além do mais, a minha primeira música, “Minha Carta”, foi inspirada em “Para Todos os Garotos que Já Amei”, um livro-clichê. O que me inspira a escrever são situações cotidianas.
Escrevi, recentemente, uma música inspirada em uma história de uma amiga com relacionamentos. Já fiz uma inspirada no meu dia a dia e outra pensando nessa situação toda da pandemia. Então, muitas coisas me inspiram, não tem isso de fugir o tempo todo de um padrão. Com a música, temos que transmitir a nossa verdade.
Aparece com guitarra no vídeo de “Mundo Paralelo”! Tem a ver com suas referências?
Era uma guitarra de uma amiga. Não tenho uma, mas sei tocar, e tenho violão. Sou bem viciada em tocar e compor no violão. Tem sim uma referência para minha música, que é a Avril Lavigne, mas os anos mais antigos dela.
Qual foi o maior desafio da sua carreira até aqui?
Foi a Beta em “O Mecanismo”, por ela ser autista, e a Caroline Boudin em “O Kardec”, que era uma médium. Foram os dois personagens que tive que me preparar bem a fundo, pois tinham características diferentes.
