No Espírito Santo, o valor médio gasto pelas famílias nas idas aos supermercados já é 27% maior que antes da pandemia. A informação é de uma pesquisa realizada pela Sodexo Benefícios e Incentivos, e atualizada no último mês.
Entre os motivos, estão os estoques de produtos, inflação nos preços dos alimentos e o tempo maior passado dentro de casa, onde são feitas todas as refeições. Segundo o diretor de Estabelecimentos da Sodexo, Antonio Aguiar, como as pessoas estão se sentindo inseguras para sair de casa, com medo da Covid-19, acaban indo menos vezes às compras.
“Mas, no momento em que vão aos supermercados, elas optam por já fazer uma compra maior, visando uma despensa mais abastecida e aumentando o valor médio de gasto”, explicou.
No Estado, de acordo com a pesquisa da Sodexo, os consumidores reduziram as idas ao supermercado em 16,39% desde março do ano passado.
De acordo com o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider, os altos preços das matérias-primas e o aumento dos custos operacionais nos supermercados contribuíram para o aumento do ticket médio da população capixaba.
“As pessoas estão indo mais ao mercado com as restrições no funcionamento dos restaurantes. Mas a alta dos preços dos insumos e o aumento dos custos operacionais com equipamentos de proteção e medidas contra a Covid acabam sendo repassados para o consumidor”, analisou.
A analista de crédito Vanuzia Alves e o contador Salomão Izidoro moram com mais quatro pessoas em Santa Lúcia, Vitória, incluindo o neto Benjamin. Em uma ida ao supermercado, tem sido normal gastar R$ 700 toda semana em produtos para a família.
“Com os altos preços, as compras acabam ficando cada vez mais básicas. Carne, óleo de soja, leite, arroz e feijão são produtos que nunca podem faltar, e estão cada vez mais caros”, reclamou Salomão.
Já o advogado Alexandre Fava Leite costumava encher o carrinho com R$ 400 no início do ano passado. “Hoje, esse valor cobre apenas a reposição de alguns alimentos que estavam faltando em casa”, comentou.
Cesta compromete 46% do salário
Neste mês, em Vitória, a cesta básica está comprometendo cerca de 46% do salário mínimo. O levantamento foi feito pelo Procon do município.
“Em abril, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo comprometeu 45,97% da sua renda para adquirir os produtos da cesta de primeiras necessidades. Já em março, esse percentual era de 44,01%”, informou Denize Izaita, gerente do Procon.
Em abril, o preço total dos produtos básicos equivale a R$ 505,68, e em março, era de R$ 484,08. O valor é calculado com a soma dos menores preços de cada produto verificado pelo órgão.
E o Procon alerta que, se o consumidor não fizer uma pesquisa de preço, pode pagar ainda mais caro. O levantamento verificou variação de até 300% no preço de produtos em nove supermercados da capital.
“A pesquisa chama atenção para a necessidade de observar valores em vários estabelecimentos antes das compras”, destacou Denize.
Dados da Pesquisa
Compras maiores para abastecer despensa
Gasto maior com alimentação
- No Estado, as famílias estão gastando 27% a mais nos supermercados desde o início da pandemia da Covid-19
- O aumento do tíquete médio é consequência da inflação do preço dos alimentos, oferta reduzida de produtos e maior tempo passado em casa
Menos idas ao supermercado
- O consumidor reduziu em 16,39% a frequência de ida às compras no Espírito Santo, por medo de contaminação
- Quando vai ao mercado, o consumidor faz compras maiores para encher a despensa de casa, de acordo com a pesquisa.
Cesta básica mais cara
- Os produtos básicos estão mais caros que há um mês. Em Vitória, esses produtos custavam R$ 484,08 em março, e hoje custam R$ 505,68
- O valor compromete 45,97% do salário mínimo
Fonte: Sodexo, Acaps e Procon Vitória
