
Fred decidiu investir em fantasias e na alegria para vencer a depressão causada pela perda do pai em fevereiro do ano passado, por conta da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Com ajuda de amigos praticantes do rapel, ele vem garantindo o seu bem-estar e o sorriso de quem o encontra.
“Eu estava fantasiado de morte e muito triste, mas a alegria dos amigos do rapel me contagiou e a partir daí percebi que a ‘morte fez rapel’ e conheceu a vida”, contou Fred, que pratica o esporte há três anos.
“Em fevereiro de 2020, quando perdi meu pai, passei por um momento muito difícil e foi no rapel, fantasiado, que consegui sair da depressão”, explicou Fred, que se reinventou para vencer a doença.

Fred disse ainda que não precisou fazer uso de medicamento para o auxiliar nesta etapa da vida. “Tomei apenas uma dose diária de felicidade”, disse o rapeleiro, que adotou as fantasias porque também percebeu que as poses do rapel para as fotografias eram sempre as mesmas.
“Já fui de Homem-Aranha e foi muito bom. Porém, foi quando eu usei a fantasia do Pânico (morte) que deu sentido a tudo”, disse Fred, que frequenta locais como Cachoeiras Véu de Noiva e do Palito, em Santa Leopoldina; Morro do Moreno, em Vila Velha; e Frade e a Freira, que fica na divisa de Cachoeiro, Rio Novo do Sul e Itapemirim.
Fred conta ainda que o melhor de tudo é sentir o carinho das pessoas, além de ver as crianças vivendo num mundo de faz de conta, com seus super-heróis.
“É uma sensação indescritível. Hoje eu me sinto muito feliz, venci a depressão e posso ajudar as pessoas. Nem todo mundo que sobe o Morro do Moreno está bem. Teve um pai que estava subindo com sua filha, eu brinquei com ela, rimos e ele me mandou uma mensagem dizendo: ‘Obrigado por ter transformado o domingo da minha filha’”.
SAIBA MAIS
- A depressão é uma doença psiquiátrica crônica que tem como sintomas tristeza profunda, perda de interesse, ausência de ânimo e oscilações de humor. Ela tem três etapas: leve, moderada e grave.
- Muitas vezes é confundida com ansiedade e pode levar a pensamentos suicidas. Assim, é essencial diagnosticar a doença e iniciar acompanhamento médico.
- O Brasil lidera os casos de depressão e ansiedade durante a pandemia, segundo pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e divulgada em fevereiro deste ano.
- A depressão pode ser desencadeada por vários fatores, entre ele o genético, ou ser desencadeada ao longo da vida por alguma situação ou trauma vivenciado pela pessoa.
- A psicóloga Claudia Sales indica fazer psicoterapia, praticar atividades físicas, ter alimentação saudável, cultivar bons relacionamentos para se manter mentalmente saudável.
- Segundo a psicóloga, a depressão é diagnosticada por um médico psiquiatra, tratada com medicamentos e com a psicoterapia feita por um psicólogo.
- O paciente, segundo a especialista, faz uso do medicamento por um determinado tempo e, seguindo o tratamento corretamente, poderá sentir alívio dos sintomas da síndrome depressiva e ter qualidade de vida.