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Economia

Alta da gasolina tira das ruas 2 mil motoristas de aplicativo

Os aumentos em sequência no preço dos combustíveis têm causado transtornos para os motoristas, principalmente para os que usam os veículos como fonte ...

Última atualização

Os aumentos em sequência no preço dos combustíveis têm causado transtornos para os motoristas, principalmente para os que usam os veículos como fonte de renda.

A consequência disso é que cerca de dois mil motoristas de aplicativos no Estado já abandonaram a profissão e buscam outro emprego, segundo informações da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes).

Grande parte dos profissionais que deixou de trabalhar como motorista de aplicativos o fez porque dirige carro alugado. O aluguel do veículo, segundo a Amapes, custa em média R$ 1.800. Com uma renda menor, muitos optaram por devolver o automóvel e procurar outra alternativa de renda.

O presidente da Amapes, Luiz Fernando Muller, explicou que os profissionais trabalhavam em média de sete a oito dias para pagar o aluguel do carro.

“Muitos dos motoristas que alugam carro hoje precisam trabalhar de 10 a 12 dias para pagar o aluguel. De dezembro (de 2020) para cá, a renda caiu mais de 50%. O custo dos motoristas aumentou muito por causa da gasolina alta”, afirmou.

Segundo Luiz Fernando, o Espírito Santo tem cerca de 19 mil motoristas de aplicativos, mas de 10% a 15% estão desistindo da profissão. “Quem trabalhava oito horas por dia agora trabalha 14 horas ou mais”, destacou.

Arthur Benaya, motorista de aplicativo de São Mateus disse que na região muitos motoristas chegam a trabalhar 18 horas por dia para conseguir algum lucro.

“A gasolina já está custando R$ 5,99. Antes eu conseguia um lucro de R$ 150 por dia. Hoje, para conseguir R$ 100 por dia, tem motorista trabalhando das 6 horas da manhã até a meia-noite. Conheço muitos que desistiram”, comentou.

A categoria está organizando uma manifestação que irá acontecer na próxima quarta-feira, contra a alta dos combustíveis. Eles também questionam as empresas de transporte por aplicativos que reduziram as taxas para os passageiros.

“A gasolina está impossível de comprar. Para piorar, as empresas de aplicativos criaram modalidades novas em que reduzem os ganhos do motorista”, disse.

“Tenho que trabalhar 12 horas ou mais”

 (Foto: Leone Iglesias/AT)

O motorista de aplicativos Bruno Merçon, 45 anos, é de Vitória, trabalha e dirige carro alugado. Ele conta que está procurando emprego na área de análise de compras, sua profissão anterior, porque não vê boas perspectivas como motorista de aplicativo.

“Hoje tenho que trabalhar 12 horas, ou até mais. O lucro é pequeno e o principal motivo é a alta da gasolina. Durante a semana, eu teria que ganhar R$ 1.400 para bancar aluguel, gasolina e alimentação. Hoje consigo fazer de R$ 800 a R$900 por semana. Estou buscando vaga na minha área porque está complicado se manter”, declarou.

Empresa diz que parceria com posto dá dinheiro de volta

Além da alta dos combustíveis, as empresas de transporte por aplicativos também têm sido alvo de reclamações dos motoristas que trabalham com as plataformas por conta de novas categorias criadas que reduziram o valor das corridas para os passageiros, o que, segundo os profissionais, também fez com que o lucro diminuísse.

A Uber informou, por meio de nota, que quer reduzir os custos de quem realiza viagens de carro e entregas usando a plataforma, lançando planos para que os parceiros consigam economizar mais do que em qualquer outro aplicativo que preste os mesmos serviços.

Com relação a combustíveis, a Uber informou que há quase dois anos lançou o Uber Pro (programa de vantagens para parceiros), incluindo parceria com uma rede de postos de combustíveis para dar cashback (dinheiro de volta) de 4% em gastos com gasolina.

Ainda em nota, a empresa disse que a categoria Uber Promo foi criada durante a pandemia da Covid-19 para gerar mais viagens para os parceiros em horários de baixo movimento. “Portanto, o Uber Promo só aparece em alguns horários, oferecendo viagens a valores menores do que os do Uber X”, explicou.

Em nota, a empresa também comentou que “o motorista parceiro da Uber é totalmente livre para decidir se aceita ou não uma viagem e, da mesma forma, ele é totalmente livre para decidir se quer receber solicitações de viagens com o Uber Promo ou não”.

A reportagem entrou em contato com a empresa 99 pelas redes sociais oficiais e por e-mail, mas até o fechamento desta reportagem não recebeu resposta sobre o que a plataforma tem feito para auxiliar os motoristas em relação às taxas de viagens e combustível.

Combustível vira vilão da inflação

Bombas de Diesel e Gasolina: gasolina já teve seis reajustes este ano (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Pressionada pela alta no preço dos combustíveis, a inflação de fevereiro foi de 1% na Grande Vitória, acima da média nacional, que ficou em 0,86%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse é o maior resultado para um mês de fevereiro desde 2014 e mais que o dobro registrado em janeiro (0,44%), na Região Metropolitana.

A gasolina, que já sofreu seis reajustes este ano, acumulou inflação de 7,38% no mês passado, na Grande Vitória. Vale lembrar que, na última segunda-feira, a Petrobras aumentou em 9,2% o preço da gasolina nas refinarias. Nas bombas dos postos, os motoristas pagam até R$ 6,31 pelo litro do combustível no Estado.

A média dos gastos com transportes, segundo dados do IBGE, ficou em 2,2%. O óleo diesel, que teve redução temporária do Pis/Cofins, teve alta de 3,9% na Região Metropolitana.

Nacionalmente, com alta de 7,11%, a gasolina foi, individualmente, o item que mais impactou o índice no mês, com participação de cerca de 42% no resultado final.

Além da gasolina, os preços do etanol (8,06%), do óleo diesel (5,4%) e do gás veicular (0,69%) também subiram. Com isso, os combustíveis acumulam alta de 28,44% nos últimos nove meses. Em fevereiro, o grupo transportes teve alta de 2,28%.
 

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