Amor, desejo, insegurança, angústia, intolerância, raiva, indiferença. O ser humano é cheio de dores e contradições. E todas as quintas-feiras, até o dia 17 de junho, um elenco de estrelas vive situações cotidianas que exploram os sentimentos humanos.
Assim é “Dez por Dez”, uma coleção de monólogos originais escritos pelo cineasta e dramaturgo americano Neil LaBute, em uma versão brasileira dirigida pelos Irmãos Leme, com acesso gratuito no site do Teatro Unimed.
Nomes como Angela Vieira, Bruno Mazzeo, Ícaro Silva e Denise Fraga contam as histórias, de dez minutos cada, de homens e mulheres nas faixas dos 20, 30, 40, 50 e 60 anos de idade. A adaptação é dos irmãos Guilherme e Gustavo Leme.
A cada quinta, duas histórias diferentes entram em cena. Nesta quinta (27), é dia de Denise Fraga e Ícaro Silva. Toda a obra ficará disponível no site até o dia 11 de julho. O público é convidado a colaborar com doações ao Fundo Marlene Colé, em prol dos trabalhadores do teatro.
Em conversa com a imprensa, com participação do AT2, o elenco falou sobre a obra em que falam diretamente para a câmera, em tempo real, sem cortes ou edições. “Nossos ensaios foram cheios de afeto e o processo foi muito bonito. Eu queria que durasse mais”, comentou Denise Fraga.
Entrevista coletiva
“Tudo nos toca. Tudo nos afeta”
Denise Fraga, você faz bastante comédia, como foi viver essa personagem?
Denise Fraga: Faz tempo que essa fronteira entre a comédia e a tragédia vem se diluindo para mim. Não sei mais se faço comédia ou confio no humor. A coisa que eu mais gosto é de falar com leveza da tragédia cotidiana. Porque eu acho que a vida não tem sido bolinho para ninguém. Nós temos um ofício privilegiado de transformar a angústia em beleza, esta é a nossa tarefa, nós somos alquimistas.
Vocês se identificam com os personagens que viveram?
Eucir de Souza: Eu consegui ver uma possibilidade dentro da minha vida. Se eu tivesse pegado um caminho um pouco mais torto, eu teria chegado onde o meu personagem chegou. Eu também tinha valores firmemente embutidos e, graças a Deus, o teatro quebrou todos eles.
ícaro Silva: O meu personagem fala da indiferença. E a gente tenta muito ser indiferente ao que não nos apraz ou a pessoas que tenham pensamentos diferentes da gente, ainda mais em um momento de tantas polarizações. Mas não há o que fazer. Tudo nos toca. Tudo nos afeta. As pessoas nos atravessam de forma que a gente nem consegue entender.
Como é fazer esse mix de teatro e cinema?
Bruno Mazzeo: A arte se reinventa em momentos de exceção ao longo da História. Esse projeto foi concebido antes da pandemia e mostrou que pode ser feito desse modo que fizemos. Isso é uma maneira de mostrar que a gente vai continuar se comunicando de qualquer forma.
Angela Veira: O que eu percebi nos meus colegas é que tem um denominador comum que é o amor, o afeto que temos pelo nosso ofício. Vejo nos meus colegas o mesmo brilho nos olhos, garra, prazer e generosidade. Fomos muito atacados nos últimos tempos, mas, apesar de tentarem acabar com o nosso prazer, não conseguiram. Não vão conseguir tirar isso da gente. Apesar de tudo, sempre vamos conseguir uma maneira de chegar ao público com o nosso amor, afeto, coragem e resistência.
Monólogos
Mulher de 60 anos
No monólogo, Angela Vieira, 69 anos, vive uma mulher que conta sobre uma relação do seu passado, que se resumiu a um único beijo e a marcou para o resto da vida. Já disponível no site do Teatro Unimed.
Homem de 20 anos
Johnny Massaro, 29, faz o papel de um garoto incomodado com a iminência da calvície e vai revelando um profundo amor pela mãe, a única mulher que o aceitará careca. Já disponível.
Mulher de 50 anos
Denise Fraga, 56 anos, encarna uma mulher que relata uma sequência de eventos trágicos em sua vida e revela o desejo pelo suicídio. No final, ela pede ajuda ao espectador para fazê-la desistir desse desejo. Nesta quinta (27).
Homem de 30 anos
Ícaro Silva, 34 anos, é um homem que conta sobre uma viagem de avião, em que fica incomodado com sua vizinha de poltrona e sonha que eles vivem uma relação amorosa. Disponível nesta quinta (27).
Homem de 40 anos
Bruno Mazzeo, 44 anos, interpreta um homem que desabafa como o futebol faz parte fundamental de sua vida e leva o espectador a refletir sobre a violência nos esportes. Dia 3/06.
Mulher de 40 anos
Pathy Dejesus, 44, vive uma mulher que conta sobre seu casamento, em que era frequentemente espancada por seu marido. Ela foge de casa e se relaciona com outra mulher. Dia 3/06.
Mulher de 30 anos
Chandelly Braz, 36 anos, vive uma jovem que fala sobre acidente de trânsito em que uma amiga morreu enquanto enviava uma mensagem para o namorado, seu amante. Dia 10/06.
Homem de 50 anos
Eucir de Souza, 51, vive um homem que se orgulha de estar casado há 30 anos. Ele não se conforma com casais que se separam e famílias não tradicionais. Dia 10/06.
Mulher de 20 anos
A atriz Luisa Arraes, 27 anos, vive uma menina traída pelo namorado que passa a ter várias relações afetivas sem sentido, como uma forma de vingança. Dia 17/06.
Homem de 60 anos
Leopoldo Pacheco, 60 anos, interpreta um homem que expõe sua resistência a mudanças de hábitos e costumes na sociedade. Aos poucos, vai se revelando um racista. Dia 17/06.
Serviço:
“Dez por Dez”
O quê: 10 monólogos interpretados por 10 atores diferentes.
Onde: Teatro Unimed em Casa: www.teatrounimed.com.br
Quando: Às quintas-feiras, sempre às 21h. A cada semana, duas histórias de dez minutos de duração cada. As últimas histórias serão apresentadas no dia 17 de junho de 2021. Toda a obra poderá ser vista no site do Teatro Unimed até 11 de julho de 2021.
Ingressos: Grátis.
Classificação: Variável, de acordo com cada episódio.
Duração: 10 minutos cada peça
