Com o aumento de casos de Covid e a superlotação de leitos em outros estados, médicos do Espírito Santo já estão preocupados com o risco de uma nova onda e situações semelhantes no Estado.
Em Curitiba, no Paraná, a ocupação de leitos de UTI Covid chegou a 96% ontem, e a de enfermaria já está em 101%. Os municípios de Ribeirão Preto e Franca, em São Paulo, já enfrentam um colapso do sistema de saúde, com quase todos os leitos de UTI ocupados, e já decretaram lockdown.
“Quando vemos esses aumentos dos casos de internações em estados como Paraná e São Paulo, também sabemos que isso irá se refletir aqui no Espírito Santo daqui a algumas semanas. É o momento de diminuirmos a circulação de pessoas e reforçar as medidas de higiene pessoal e distanciamento social”, ressaltou a infectologista Ana Carolina D’Ettorres.

O médico intensivista e coordenador das UTIs do Hospital Evangélico de Vila Velha, Gedealvares Francisco de Souza Júnior, acredita que a vacinação está seguindo de forma muito lenta e os riscos são grandes nas cidades.
“O problema não é o comércio abrir, a população que precisa saber usar os serviços de uma forma segura, para que não precise fechar tudo de novo”, disse.
Além do aumento de casos e a superlotação dos hospitais, ainda há as novas variantes e a proximidade do inverno, que podem trazer mais problemas, de acordo com a pneumologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Jessica Polese.
“Nós não vacinamos o suficiente para evitar uma nova onda, e ainda tem o problema das novas cepas. O inverno vem chegando e com ele novos problemas respiratórios, inclusive a Covid-19”, afirmou.
O infectologista Luís Henrique Borges disse que a preocupação maior é porque nunca se sabe qual será a intensidade dessa nova onda, se será menor ou maior que a anterior. “Também não sabemos se haverá escassez dos recursos, já que em alguns momentos tivemos falta de medicamentos para a manutenção do paciente”, disse.
Variante indiana é investigada no Espírito Santo
Passageiro que veio para o Estado estava com outra pessoa dentro de avião que testou positivo para a mutação da Índia
Motivo de preocupação e alerta em todo mundo, um caso suspeito da variante indiana da Covid-19 está sendo investigado no Espírito Santo pela primeira vez.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que recebeu, na noite do último domingo, a notificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a circulação no Espírito Santo de um passageiro que viajou no mesmo avião que transportou um cidadão que testou positivo para a variante indiana.
De acordo com a secretaria, o passageiro foi identificado na última segunda-feira e está com sintomas e isolado, bem como o motorista que o levou para casa.
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, afirmou que o paciente já realizou teste RT-PCR, com resultado negativo. O paciente também já havia feito outros dois testes RT-PCR, um antes de embarcar para o Brasil e um depois de desembarcar.
“Serão feitos três exames RT-PCR no paciente, com intervalo de 48 horas, para descartar em toda janela de possível evolução do quadro sintomático dele.”
Nésio acrescentou que o motorista, que o levou o passageiro vindo da Índia em casa, já foi localizado e está sob isolamento e monitoramento. Ontem pela manhã, ele também teve coletado o RT-PCR, mas o resultado ainda não havia sido divulgado.
A secretaria frisou que monitora o trabalho das vigilâncias municipais e acompanha as análises dos exames e laudos laboratoriais para rastreio de variante por meio de testes genéticos, feitos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Ameaça
Mesmo com a investigação ainda em curso, Nésio Fernandes enfatizou que, independente da incorporação da variante indiana, o Estado e o País vivem sob a ameaça de uma nova aceleração da curva de casos.
Segundo ele, isso pode acontecer mesmo com as circulação apenas das cepas originárias, que já estão no País e no Estado.
“A incorporação da variante indiana incrementará uma ameaça maior à capacidade do Estado enfrentar e resistir de maneira adequada à pandemia.”
Por isso, ele fez o alerta a todos para que cumpram com disciplina as medidas de distanciamento, uso de máscaras, lavagem das mãos.
Ele frisa que, diante de quaisquer sintomas, as pessoas procurem os serviços de saúde para fazer a testagem de antígeno (teste rápido) ou RT-PCR.