“Venha para cá, é seguro, é um lugar bom para estar, e nós vamos cuidar de você”. Foi assim que o prefeito de Nova Iorque, nos Estados Unidos, Bill de Blasio, anunciou, no início do mês, planos para oferecer vacina a turistas em pontos da cidade. A vacina ofertada é a da Janssen, da Johnson & Johnson, que é de dose única.
De lá pra cá, o chamado “turismo de vacina” tem atraído cada vez mais adeptos e, no Estado, famílias capixabas já têm buscado viagens aos Estados Unidos com a promessa de se imunizar. Duda Grecco Bauer, da Duda Travel, já fechou dois pacotes para uma família de seis pessoas e um casal.
Eles embarcam em junho. O primeiro destino será Cancún, no México, onde aproveitam para passear. Outros clientes estão ligando e manifestando interesse em viajar com a mesma finalidade.
“Todos terão de fazer um período de quarentena de 14 dias no México e 72 horas antes de embarcarem para os Estados Unidos terão de fazer o exame PCR. A viagem só acontece se o resultado der negativo para a Covid-19. Esse teste custa entre 120 a 130 dólares (cerca de R$ 638 a R$ 691, respectivamente”.
Desde a semana passada, Carolina Pinho, da Tourlines Jardim Camburi, diz que a procura tem aumentado para esse destino. Entre os clientes estão um casal e uma família com quatro pessoas. A gerente da Experimento Intercâmbio Vitória, Jackeline Teubner Guasti, também percebeu o aumento.
“Não temos relação com a vacinação. No entanto, com a procura, passamos a oferecer um programa de estudos, em que a pessoa passa duas semanas no México, estudando espanhol, e mais duas em Nova Iorque, estudando inglês. Mas há quem demonstre intenção de aproveitar a estadia para se vacinar”.
Ela ainda frisou que entre os destinos mais requisitados estão Cancún, Playa Del Carmen e Tulum. A diretora da Zorzal Assessoria, Jaqueline Zorzal, também revelou aumento na busca por informações. “Um dos pontos a serem observados é que a viagem só pode ser feita por quem já tem passaporte e visto válidos”.
Estudantes no Brasil pedem doses aos americanos
Uma carta aberta enviada ao presidente dos EUA, Joe Biden, pede que o governo americano se mobilize para acelerar a vacinação contra a Covid-19 e conter a propagação da doença no Brasil.
Mais de 400 pessoas assinam o documento, incluindo acadêmicos estrangeiros que estudam no Brasil e brasileiros que moram no país. No apelo, os autores da carta classificam a situação da saúde como próxima ao colapso.
O texto também fala do risco do surgimento de novas variantes caso a situação não seja controlada. Por isso, o documento pede que Biden mobilize o apoio do governo americano junto a empresas, governos e parceiros internacionais para fornecer rapidamente vacinas e desacelerar a propagação do vírus no Brasil.
O texto também solicita que o presidente incentive parcerias entre empresas que desenvolvem e produzem os imunizantes e o Brasil, que possui uma “longa história de desenvolvimento e produção e capacidade de distribuí-las de forma eficaz em todo o país, devido ao seu SUS”, diz o documento.
A carta, apoiada pela Rede dos Estados Unidos pela Democracia no Brasil, faz parte de uma campanha para mobilizar a comunidade brasileira no país.
Saiba mais
Vacinação para turistas
- No início do mês, a prefeitura de Nova Iorque (EUA) anunciou planos para oferecer vacina gratuita a turistas em postos móveis instalados em lugares de grande fluxo de pedestres, como a Times Square, o Central Park e a Ponte do Brooklyn.
Imunizante
- A vacina ofertada será a da Janssen, da Johnson & Johnson, que é de dose única.
Brasileiros
- Desde maio de 2020, o governo americano proíbe a entrada de brasileiros ou passageiros que estiveram no País nos 14 dias que antecedem a chegada aos EUA.
- A restrição foi estabelecida pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, e mantida pelo presidente Joe Biden, diante do alto número de casos da Covid-19 no Brasil.
- Entre as exceções à regra, é permitido embarcar em um voo do Brasil para os Estados Unidos cidadãos do próprio País, residentes permanentes legais (portadores de green card), familiares imediatos de cidadãos norte-americanos e algumas categorias específicas.
- Quem tem visto de estudante válido, nas categorias F e M, e iniciarão os estudos nos EUA a partir de 1º de agosto deste ano, poderão viajar ao país. No entanto, eles estão proibidos de chegar ao país mais de 30 dias antes do início das aulas.
Quarentena
- A estratégia usada por muitos brasileiros que querem entrar nos EUA é fazer a quarentena em um terceiro país. Eles devem ficar por 14 dias em um terceiro local, como o México, destino preferido dos capixabas.
- Após esse período, os turistas conseguem entrar nos EUA, desde que tenham visto válido e cumpram outros requisitos determinados pelas autoridades de saúde locais, como a apresentação de um teste de Covid-19 com resultado negativo.
Visto
- Para viajar aos Estados Unidos nessa época, no entanto, não basta ter tempo disponível e dinheiro.
- É preciso estar com o passaporte e o visto americano válidos.
- Os vistos para turismo continuam suspensos desde o ano passado no País.
- Na última sexta-feira, os consulados dos Estados Unidos no Brasil anunciaram que estão com agendamento aberto para a emissão de visto para estudantes.
- A regra foi flexibilizada em 16 de abril para estudantes matriculados em cursos com início a partir de 1º de agosto.
Custo
- O valor depende de uma série de fatores, como primeiro destino escolhido, categoria do hotel, pensão e dias em que irá durar a viagem, mas o preço individual é superior a R$ 20 mil em algumas agências consultadas pela reportagem.

