A pandemia do novo coronavírus também tem afetado os relacionamentos íntimos. Um estudo realizado em quatro continentes indica um declínio na atividade sexual, tanto de pessoas solteiras, quanto de casais.

“O fato de passarem mais tempo juntos nem sempre é um bom sinal. Muitos conflitos são potencializados, como a falta de comunicação, pensamentos divergentes, financeiro, discussão política e organização da casa. Além disso, a convivência excessiva tira o ‘mistério’ do casal, importante para a relação”, afirmou sexóloga e terapeuta sexual Sirleide Stinguel.
O estresse causado por esses fatores contribuiu diretamente para o declínio na vida sexual, ressaltou a psicóloga e sexóloga Marcelle Paganini. “O sexo, por ser uma expressão de prazer e relaxamento, acaba não encontrando espaço nesta rotina. Outro fator é que, por estarem com a energia baixa, acabam se tornando menos tolerantes a erros e defeitos, reduzindo a atratividade”, disse.
Em relação aos solteiros, a necessidade de distanciamento e o medo da contaminação estão entre os fatores. “Além disso, muitos desenvolveram disfunções sexuais por conta da ansiedade. O tempo longe de um parceiro gera ansiedade no momento do encontro, causando bloqueio sexual”, disse Sirleide. “Muitos dos conflitos foram potencializados com o tempo maior de convivência”, Sirleide Stinguel, sexóloga.
Mas, diante deste declínio sexual causado pela pandemia, é possível voltar ao “velho normal”. Quem garante é a sexóloga Lorena Meneguelli. “Para melhorar, é preciso não deixar a falta de conexão tomar conta, melhorando a comunicação sexual, reservando um tempo para fazer algo que dê conforto individual, mas também para atividade ao ar livre com o parceiro”.
Marcelle Paganini também acredita em melhora, mas vê o cenário como “pós-tragédia”.
“Muitas sequelas deverão ser tratadas. Os casais precisarão de paciência até a mente se acostumar novamente com a nova realidade e, por fim, retomar a vida. Não sabemos o que vai acontecer após a pandemia, mas espera-se um novo modo de viver a sexualidade”, afirmou. “O sexo é uma expressão de prazer e relaxamento, e não encontrou espaço na rotina da pandemia”, Marcelle Paganini, sexóloga.
FIQUE POR DENTRO
Estresse maior na convivência
O estudo
- O estudo da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos é a junção de sete pesquisas realizadas em quatro países durante a pandemia: Estados Unidos, China, Inglaterra e Turquia.
- As pesquisas tiveram como objetivo analisar o comportamento sexual de casais e pessoas solteiras durante a pandemia do novo coronavírus.
Conclusão
- Em todas as análises, ficou concluído um declínio na atividade sexual, tanto de pessoas solteiras, quanto de casais.
Os motivos
- Entre os casais: estresse causado pela maior convivência, como a falta de comunicação, pensamentos divergentes, problemas financeiro, discussão política e organização da casa.
- Entre os solteiros: distanciamento social e medo da contaminação pelo novo coronavírus.