Os problemas causados pela Covid-19 se estendem além do final da fase mais crítica da doença. Mesmo após se livrar do vírus, pacientes podem apresentar mais de 30 sequelas, incluindo comprometimento respiratório, neurológico, motor e cognitivo.

As sequelas são variadas. As mais comuns são dores de cabeça, fadiga e perda de olfato e paladar. Mas elas vão além, apresentando um leque variado: alteração respiratória, problema nos rins, queda de cabelo, visão turva, pico de pressão, infecção urinária, esquecimento, depressão e ansiedade.
Um estudo realizado pelo Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) acompanhou pacientes que ficaram internados e detalhou a manifestação da Covid crônica.
Seis meses após a alta hospitalar, 25% dos curados ainda apresentam fadiga. Outros 15% estão com alteração respiratória. Agora, eles serão acompanhados para que seja possível saber se há possibilidade do desenvolvimento de uma nova doença pulmonar.
“O pulmão pode desenvolver uma fibrose progressiva. A dúvida é se esse vírus é capaz de fazer com que isso ocorra. Queremos ver se existe essa possibilidade e se o número é significativo”, ressaltou a pneumologista e pesquisadora responsável pelo estudo, Jéssica Polese.
O professor Carlos Leonardo Campos, de 46 anos, foi um dos pacientes do estudo. Ele teve Covid-19 em outubro do ano passado e ficou 14 dias internado. “Mesmo após a Covid, fiquei muito mal, um esgotamento ‘eterno’. Só me recuperei após atividades físicas”.
A pneumologista Cilea Martins diz que alguns sintomas podem durar até oito meses. “A Covid forma ‘microtrombose’, e nosso organismo reage. E essa reação é intensa. Com isso, vai tendo deficiência em todos os setores. Além disso, muitas vezes a Covid é gatilho para doenças que estavam sem aparecer, como hipotireoidismo, lúpus, artrite e neoplasia”.
Ainda não se sabe quais fatores são determinantes para a permanência dos sintomas, segundo a pneumologista Lívia Gama: “Porém, comorbidades e genética podem favorecer as formas graves e complicações no pós-alta”.