
O serrano foi aprovado na terceira tentativa, mas estava internado com Covid-19 e morreu sem saber da notícia.
“O que dói mais é que ele morreu quando realizou o sonho de criança. Ele era forte, saudável, sempre malhou e correu”, contou o irmão e técnico de inspeção, João Carlos Peruchi, 40 anos.
O representante morava em Sorocaba, São Paulo, há 10 anos. Mesmo longe, mantinha contato constante com a família e só veio para o Espírito Santo após realizar o concurso da PRF.
“Ele fez a prova e veio para a Serra no começo de maio. Ligou para todos os irmãos e chamou para um churrasquinho na casa dos nossos pais, que já estão vacinados”, explicou o irmão.
Ao todo, 12 familiares pegaram a doença, mas apenas Juliano foi internado, já em Sorocaba. “Ele ficou três dias na enfermaria, depois foi intubado e ficou mais 15 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”, relatou João.
“Nesse meio tempo saiu o resultado da prova da PRF e ele estava na lista dos convocados para o teste físico. Os médicos acharam melhor não contar a aprovação para o Juliano”, destacou o irmão.
Para João, o agravamento do estado de saúde do irmão foi uma surpresa. “Mandavam o boletim médico para a gente e o quadro dele era estável. Foi ele que nos enviou uma mensagem dizendo que achava que seria intubado”, afirmou.
Juliano ainda fez uma chamada de vídeo com a noiva para explicar o que estava acontecendo. “Ele disse para ela: ‘acho que vão me intubar, vem aqui pegar minhas coisas. Fala para todos que eu os amo’. Meu irmão ainda se preocupou com a sociedade que temos e pediu para a noiva ajudar com algumas questões. Foi a última mensagem dele”, relatou João.
O irmão relata que o representante sempre foi atencioso e presente. Ligava para os pais diariamente e manteve os cuidados durante toda a pandemia.
“É uma coisa inexplicável. Ele era aquela pessoa que brilhava, onde ele estava era uma festa. A ficha ainda não caiu”, destacou João.
Homenagem da PRF
Juliano morreu na sexta-feira (11), em Sorocaba, e foi enterrado no domingo (13), na Serra, após ser infectado pelo coronavírus pela primeira vez. Para lembrar a realização do sonho do irmão ao ser aprovado no concurso, João preparou uma última homenagem.
Por meio de um amigo, o irmão conseguiu entrar em contato com os agentes Wandir Soares e Bia Tomasi, da PRF no Espírito Santo, que foram até o enterro prestar uma homenagem a Juliano.
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“Eles fizeram o protocolo como se meu irmão já fosse da PRF mesmo e falaram com todos os familiares presentes. Foi uma emoção e tenho gratidão eterna a eles”, destacou João.
Juliano deixou um filho criança do primeiro casamento e a noiva, com quem pretendia casar no fim do ano.