O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, anunciou, nesta segunda-feira (21), que pretende antecipar a segunda etapa do projeto “Viana Vacinada”. De acordo com ele, um pedido já foi feito para o Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, para que a segunda aplicação seja adiantada em quatro semanas.
Em um primeiro momento, o governo anunciou que a segunda aplicação nos participantes do estudo, que estão sendo vacinados desde o dia 13 de junho, seria realizada em um período de 12 semanas.
No entanto, na coletiva desta segunda (21), o secretário afirmou que já entrou com um pedido no Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), para que esse período seja antecipado para oito semanas, caindo no dia 8 de agosto.
“Originalmente, o projeto já havia sido aprovado pelo Conep com oito semanas, no entanto, em uma revisão feita nós solicitamos o período de 12 semanas, mas decidimos retomar o primeiro prazo e estamos aguardando, ao longo dessa semana, a decisão final e a autorização da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa, para poder mobilizar e já informar a todos os participantes do estudo”, explicou Nésio.
“Viana Vacinada”
O estudo “Viana Vacinada”, que tem o objetivo de vacinar toda a população adulta contra a covid-19, pode apontar uma nova posologia na proteção do organismo com o imunizante Astrazeneca, produzida no Brasil pela Fiocruz.
No total, 18.557 pessoas foram imunizadas com a meia dose e 22.823 pessoas com a dose padrão, alcançando 80,52% de cobertura com a primeira dose da vacina contra a Covid-19, na população acima de 18 anos, alvo da imunização em Viana.
Conduzido sob a coordenação da Hucam / UFES, em parceria com o Ministério da Saúde, Governo do Estado e outras entidades, o estudo pretende vacinar toda a população com meia dose do imunizante, dividida entre aplicação – no dia 13 de junho – e reforço 12 semanas depois.
O projeto vai analisar a resposta imunológica e o comportamento da covid a partir da vacinação em massa da população. A chamada “dose padrão”, recomendada pela farmacêutica indiana Astrazeneca e a Universidade de Oxford, é de 1 ml dividido em 0,5 ml entre aplicação e reforço (intervalo de 12 semanas).
A partir dos resultados obtidos neste estudo de Viana, o país pode rever a estratégia e adotar a imunização nos moldes testados na cidade capixaba.
“A população será acompanhada por um ano para observar a efetividade da vacina. Queremos observar a redução de casos e de mortes por Covid-19 após a imunização, por exemplo. Baseado em estudos preliminares, esperamos que vacina em dose ajustada, ou seja, metade da dose padrão, seja suficiente para produzir anticorpos e células de defesa e reduzir 60% da incidência de Covid-19, ao longo de seis meses após a vacinação”, disse Valéria Valim, da HUCAM/UFES, coordenadora do projeto.
