As cirurgias robóticas são mais seguras, menos invasivas e com mais rápida recuperação dos pacientes do que as tradicionais. Mas, atualmente, elas não têm cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para permitir a democratização do acesso a essas cirurgias, médicos defendem a discussão e a incorporação do procedimento ao SUS.
No Estado, há apenas dois hospitais que realizam a operação, em áreas como urologia, ginecologia, oncologia e sistema digestivo.
O tema foi levantado recentemente, diante da campanha Ponto Próstata, lançada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A partir dela, foi aberta uma consulta pública, que se encerrou ontem, para discutir sobre a inclusão da cirurgia robótica para pacientes com câncer de próstata no SUS.
Atualmente, a maioria das operações para tratar câncer de próstata no sistema público é feita de forma aberta (com cortes maiores).
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (Sobracil), Sergio Roll, as cirurgias minimamente invasivas proporcionam menor perda de sangue, tempo mais curto de internação e grandes vantagens sobre a aberta.
“É uma campanha única, porque vai abrir espaço para que possamos autorizar para outros procedimentos, tipos de câncer e cirurgias”.
Entre as cirurgias que podem ser feitas com robô estão as bariátricas, oncológicas, ginecológicas, do intestino grosso e hérnias.
O coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Meridional, cirurgião do aparelho digestivo Gustavo Peixoto, diz ser importante a inclusão das cirurgias robóticas, principalmente, nos procedimentos de maior complexidade, como de próstata.
“Lembrando que 70% da população brasileira depende do SUS, acho justo, legítimo, que o SUS crie um protocolo de indicação de cirurgia robótica e o viabilize para a oferta desse tratamento”, disse.
Membro da Sociedade Brasileira de Urologia, o urologista e médico certificado em cirurgia robótica do Hospital Santa Rita, Sérgio Riguete, pontuou que seria positivo se as cirurgias robóticas fossem incorporadas aos SUS, desde que sejam viáveis para a gestão pública.
“Temos três tipos de cirurgia para câncer de próstata: aberta, laparoscópica (por vídeo) e robótica. A robótica tem recuperação mais rápida. O paciente sente menos dor e tem menos sangramentos no pós-operatório”, explicou.
O Ministério da Saúde informou que aguarda parecer da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para avaliar a proposta.
Saiba mais
Tipos de cirurgias
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Cirurgia aberta: Também chamada de laparotômica, realiza cortes maiores para a execução da operação, pois o médico precisa colocar as mãos para realizar o procedimento.
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Cirurgia por vídeo: Chamada de laparoscópica, ela apresenta imagens em duas dimensões e é considerada mais evoluída que as abertas. Mas, a definição e a capacidade de identificar as estruturas são maiores nas cirurgias robóticas.
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Cirurgia robótica: Nelas, os braços do robô Da Vinci XI são colocados dentro do corpo do paciente, por pequenas incisões, e todas as etapas são controladas pelo médico.
Cirurgias disponíveis no Estado com o robô
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Praticamente todas as cirurgias podem ser feitas com o robô, como bariátricas, oncológicas, ginecológicas, urológicas, do intestino grosso, de hérnias e outras.
Vantagens da robótica
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Visualização em três dimensões e, com isso, alta resolução da anatomia do paciente.
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Incisões bem menores em relação à cirurgia aberta.
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Controle ergonômico, que filtra tremores naturais do ser humano.
Fonte: Especialistas consultados e pesquisa A Tribuna.
Mulheres têm menos dor e mais chances de engravidar
Além de ser minimamente invasiva, a cirurgia robótica permite que a mulher tenha menos dor e sangramentos no pós-operatório e posteriormente ao procedimento, uma maior fertilidade.
“A retirada dos focos alivia a dor pélvica e os incômodos que podem proporcionar, constipação e alterações do hábito urinário. Também melhora a fertilidade da mulher: retirando os focos, diminui a inflamação e ela fica mais fértil”, disse a ginecologista e obstetra Karin Rossi, especialista em endometriose e cirurgia minimamente invasiva.
A médica pontuou, porém, que nem mesmo a cirurgia laparoscópica (por vídeo) é oferecida pelo SUS, e que, se fosse, já traria um ganho grande para as pacientes. Ela acrescentou que é preciso que o governo capacite os profissionais antes da liberação da cirurgia robótica.
Mas, a cirurgia robótica ainda tem altos custos. Segundo o coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Meridional, Gustavo Peixoto, a taxa de custeio fica entre R$ 10 mil e 15 mil, dependendo do procedimento. “Isto sem incluir internação e outros custos, que geralmente são cobertos por planos de saúde”, disse.
