Após mais de um ano de pandemia, dentistas têm identificado consequências catastróficas na saúde bucal da população. São casos agravados de cárie, infecções, doenças na gengiva e no dente e até impacto no tratamento do câncer.
“Estamos chamando isso do que realmente é: um desastre odontológico”, definiu o presidente da Federação Dentária Internacional (FDI), Gerhard Konrad Seeberger.
No início da pandemia de Covid-19, consultórios odontológicos em todo o mundo foram obrigados a fechar. Por meses, consultas tiveram de ser canceladas, mesmo para pessoas que faziam tratamento e precisavam retornar com frequência. A liberação foi somente para os casos de emergência.
Muitos pacientes que precisavam ir ao dentista a cada três meses ficaram mais de nove sem o acompanhamento. Com o retorno gradual do serviço, após a elaboração de uma série de protocolos para evitar a disseminação do coronavírus, os dentistas passaram a observar o impacto.
“Trouxe desenvolvimento e gravidade das infecções, cárie e doença periodontal, que envolve gengiva e osso. Aumentou, também, o número de emergências, com pacientes com dores e cáries profundas, desenvolvendo infecção por não tratar da forma tradicional”, afirmou a especialista em periodontia e oncologia, Beatriz Coutens.
Beatriz também alerta para os problemas causados no tratamento do câncer, tanto o de boca, quanto os outros. “A detecção precoce do câncer de boca, que é importante para a cura, foi prejudicada. Além disso, tivemos o atraso no tratamento oncológico e infecções odontológicas em pacientes oncológicos, o que é algo severo por conta da resposta imunológica”.
Outro problema que se agravou neste período por falta de acompanhamento foi o bruxismo, de acordo com a ortodontista Layssa Degli Esposti. O bruxismo é o hábito de pressionar e ranger os dentes, presente em adultos e crianças.
“Os casos aumentaram. Muita gente acorda cansada e com dores na musculatura e não sabe que precisa procurar tratamento. O bruxismo pode causar até uma fratura nos dentes”, afirmou Laysa.
Pacientes que usam aparelhos também ficaram prejudicados. “Eles precisam de acompanhamento, pois, sem ele, o aparelho pode amassar ou entortar, levando o dente para uma posição errada”.
SAIBA MAIS
Afastamento
- A pandemia da Covid-19 reduziu de forma drástica os atendimentos odontológicos em todo o mundo.
- No início da pandemia, consultórios odontológicos em todo o mundo foram obrigados a fechar e cancelar consultas. A liberação foi somente para os casos de emergência.
- Hoje, mesmo com novas regras de segurança e o atendimento normalizado, muitos pacientes ainda não voltaram por medo.
- A consequência desse afastamento vem sendo chamada de “desastre odontológico” pelos especialistas.
Os problemas
- Cáries
- Houve um agravamento dos casos de cáries que poderiam ter sido tratadas com uma simples restauração.
- Doença periodontal
- Sem o acompanhamento ou ida ao dentista, aumentou o número da doença, caracterizada pela inflamação e destruição dos tecidos da gengiva e osso dos dentes.
Abscesso dentário
- Bolsa de pus em um dente causada por uma infecção não tratada se tornou mais comum.
Emergências
- Durante a pandemia, aumentaram os casos de emergências com dores justamente por conta da falta de acompanhamento.
- Tratamento do câncer
- Impedimento da detecção precoce do câncer de boca, que é importante para o início rápido do tratamento e a chance maior de cura.
- Infecções odontológicas em pacientes oncológicos, o que é algo severo por conta da resposta imunológica.
Bruxismo
- O hábito de pressionar e ranger os dentes, presente em adultos e crianças, também cresceu durante a pandemia, trazendo problemas como dores musculares e quebra de dentes.
Extração
- Complicações que começaram de forma leve se agravaram e resultaram em extração do dente.
Aparelho
- Direcionamento do dente para posição errada em pacientes que usam aparelho, por conta de algum dano não observado no aparelho.
