Médicos especialistas defendem que grávidas e puérperas (mulheres que tiveram filho há até 45 dias) tomem doses combinadas das vacinas AstraZeneca e Pfizer contra a Covid-19. No dia 11 de maio, a imunização com a AstraZeneca foi suspensa para esse público no País.
De acordo com a obstetra Anna Carolina Bimbato, um estudo espanhol, publicado neste mês pela revista médica The Lancet, avaliou 676 pessoas. Para ela, a vacinação da 2ª dose com a Pfizer tem demonstrado ser segura e eficaz.
“Nessas pessoas, foi administrada a primeira dose de AstraZeneca e oito a 12 semanas. Depois, foi administrada uma dose da Pfizer. A resposta imunológica foi excelente e não foram registrados efeitos adversos graves”, explicou.
Também citando estudos com resultados robustos, a pós-doutora em Epidemiologia Ethel Maciel diz que a medida é boa e oportuna.
“A resposta imunológica da junção das duas vacinas é muito boa. Considero bastante adequado vacinar as gestantes com a segunda dose da Pfizer. Chamamos de intercambialidade de vacinas. Isso tem sido defendido por vários grupos e adotado em alguns países”.
O infectologista Paulo Peçanha é outro especialista favorável à proposta de que as grávidas sejam vacinadas com a segunda dose da Pfizer.
“Além da mortalidade, temos os casos graves em gestantes e crianças, contribuindo para o aumento de ocupação nas UTIs neonatais. Isso significa que é muito importante as gestantes estarem vacinadas, reduzindo o risco de morte e de todas as complicações que é ter um bebe prematuro”, alertou.
Para os especialistas, completar a vacinação com duas doses é uma proposta interessante que pode beneficiar as grávidas de forma muito relevante.
“Sou favorável a outras vacinas para grávidas e puérperas que tomaram a primeira dose da AstraZeneca, pois a vacina da Pfizer soma efeitos para completar a imunidade. Os médicos, cientistas e pesquisadores são incansáveis nessa luta visando amenizar todo o sofrimento e mortes pelo mundo. Portanto, é mais uma tentativa válida”, defendeu o ginecologista José Motta.
Dor e febre após tomar AstraZeneca
Grávida de seis meses, a DJ Adriana Beloti, 33, sentiu muita dor no corpo e febre após ser vacinada com a primeira dose da AstraZeneca. Com a suspensão da 2ª dose, ela ficou aflita e preocupada com as reações que estava tendo.
“O medo era de ocorrer algum risco para a minha saúde e a do meu bebê. Terei de tomar a segunda dose cerca de 45 dias após o parto. Receio que isso possa, de alguma forma, afetar minha amamentação, prejudicando a produção de leite”, disse.
Segundo Adriana, se a recomendação fosse tomar a Pfizer, ela concordaria. “Apesar de todas as dúvidas sobre os efeitos das vacinas, elas são a única solução para prevenirmos contra a Covid. Quero poder viver muito ainda e ver meu filho crescer”.
Governo do Estado não apoia mudança em imunização
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que vai seguir a orientação do Ministério da Saúde, de que as grávidas que foram vacinadas com a primeira dose da AstraZeneca aguardem 45 dias após o parto para tomarem a segunda dose do mesmo imunizante.
A coordenadora do Programa Estadual de Imunizações, Danielle Grillo, disse que a orientação do governo é a mesma do Ministério da Saúde em relação às doses da vacina e orienta que as grávidas não tomem doses de imunizantes diferentes.
“Já as grávidas e puérperas (mulheres que tiveram filho há até 45 dias) que receberam a primeira dose da Pfizer ou Coronavac podem completar o esquema com a 2ª dose, conforme intervalo habitual dessas vacinas”, ressaltou.
A coordenadora disse ainda que o Espírito Santo está adotando a Pfizer para vacinar as gestantes. “As que não foram vacinadas ainda podem receber vacina da Pfizer, que é a que está sendo adotada aqui no Estado”, disse.
Para a obstetra Anna Carolina Bimbato, a proposta não é ideal, tendo em vista que a gravidez e o puerpério (período de até 45 dias após o parto) são os momentos de maior risco.
“Portanto, não se justifica aguardar 45 dias para a vacinação desse grupo de pessoas que está num momento da vida com alto risco de morte pela Covid 19”, alegou.
Apesar de ser favorável que gestantes tomem doses combinadas de AstraZeneca e Pfizer, o infectologista Paulo Peçanha disse que a decisão deveria ser nacional.
“Deveria ser uma decisão uniforme e que não ficasse cada estado com uma decisão diferente. Já estamos com dificuldades de vacinar com a 2ª dose. Decisões diferentes podem trazer mais dificuldades, principalmente de entendimento das pessoas”, ressaltou.
Na opinião de Peçanha, isso pode acabar atrasando a Campanha de Vacinação. “O Programa Nacional de Imunização deveria adotar essa decisão para todas as grávidas do País. Nosso programa de imunização tem qualidade. Trabalham de forma consistente, com base na ciência e orientando bem. Mas é muito positivo, sim, que tomassem a segunda dose ainda durante a gravidez”, disse.
“Eu tomaria de novo”

Como não teve nada grave, ela acabou ficando triste com a decisão da suspensão do imunizante.
“Eu tomaria a vacina novamente, sem problema nenhum. Como vou ganhar meu bebê antes da 2ª dose, só tomarei a Pfizer se não houver outra alternativa”, disse.
Saiba mais
Pfizer e Coronavac entre as opções
Suspensão
- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou, em maio deste ano, que a vacina da AstraZeneca/Fiocruz contra a Covid-19, não fosse mais aplicada em gestantes.
- Na época, o Ministério da Saúde reforçou que a medida foi tomada como uma precaução, mas que a vacina é segura para a população em geral. Orientou que ela continuasse fazendo parte do Plano Nacional de Imunizações (PNI).
No Estado
- A Sesa acatou a recomendação da Anvisa e suspendeu o uso da AstraZeneca em grávidas.
- Com isso, as gestantes que não tinham sido vacinadas com a 1ª dose, receberam a vacina Pfizer.
- Atualmente, grávidas e puérperas (mulheres que tiveram filho há até 45 dias) que receberam a 1ª dose da Pfizer ou Coronavac podem completar o esquema com a 2ª dose, com intervalo habitual dessas vacinas.
- As que foram vacinadas com AstraZeneza, são orientadas a aguardar 45 após o parto para a 2ª dose.
Doses combinadas
- No Rio de Janeiro, grávidas e puérperas que tomaram a 1ª dose da AstraZeneca receberão dose da Pfizer para completar a imunização.
- A proposta para retomar a vacinação dessas gestantes foi discutida entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Comitê Científico contra a Covid-19 em reunião extraordinária.
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e especialistas entrevistados.


