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Economia

E se tiver racionamento no País?

Diante de nova ameaça de falta de energia, consumidores já sentem o impacto no bolso com a conta de luz mais cara e buscam respostas sobre o que ...

A artesã Maria da Penha Pedrini, de 56 anos, já tem buscado formas de economizar energia elétrica.

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Diante de nova ameaça de falta de energia, consumidores já sentem o impacto no bolso com a conta de luz mais cara e buscam respostas sobre o que mudará caso haja racionamento.

Mourão admitiu a possibilidade  de racionamento  e previu um quadro de risco que vai durar anos, por causa da crise hídrica no País (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)O assunto ficou em evidência na quarta-feira (1) depois que o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse que há risco, em razão da crise hídrica no País. Ele foi indagado sobre a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de criar taxa extra ainda mais cara na conta.

“O que tenho acompanhado é que o governo tomou as medidas necessárias, criou comissão para acompanhar e tomar as decisões a tempo e a hora no sentido de impedir que haja apagão. Agora, pode ser que tenha que ocorrer algum racionamento. O próprio ministro (de Minas e Energia, Bento Albuquerque) falou isso”, declarou.

Mas o que acontece com a vida da população se houver racionamento? Primeiramente, o termo designa algo compulsório, não opcional. Ou seja, haverá punição para quem não obedecer a determinação, caso ela venha a ocorrer.

A punição pode ser cobrança extra ou até o corte do fornecimento. A definição, porém, não existe e depende da confirmação da medida.

Gilberto Drumond, doutor em Engenharia Elétrica e professor da UVV, que vivenciou o racionamento em 2001, avalia que, caso esse cenário, se confirme o maior impacto será para a economia:

“O que impactaria? Se for implementada da forma como foi feita há 20 anos, cada consumidor terá de reduzir de forma obrigatória 20% do seu consumo de energia.”

Para ele, o risco de um apagão como o do passado não deve se repetir. Ele explicou que de lá para cá houve investimentos, por exemplo, em usinas termoelétricas:

“Se a gente olhar os recursos que temos hoje, podemos assegurar que são maiores do que tínhamos em 2001. Podemos citar também os parques de geração solar e eólica, que foram implantados nos últimos anos. Percentual ainda modesto, mas não desprezível.”

Já o engenheiro eletricista e diretor do Sindicato das Indústrias de Geração, Distribuição e Transmissão de Energia do Estado, Carlos Sena, diz que o futuro sobre racionamento está condicionado a fatores como o que vai acontecer nos próximos meses, se os reservatórios devem receber chuvas, bem como qual será a perspectiva real de crescimento do País.


Atenta para economizar energia


A artesã  Maria da Penha Pedrini, de 56 anos,  já tem buscado formas de economizar energia elétrica. (Foto: Leone Iglesias/AT)

Já percebendo na conta de luz um aumento nos últimos meses, a artesã Maria da Penha Pedrini, de 56 anos, contou que já tem buscado formas de economizar energia elétrica.

“Tenho me policiado mais, principalmente com lâmpadas acesas sem necessidade ou um eletrodoméstico que poderia evitar ligar”, disse.

Mesmo assim, ela revelou que, por causa do seu trabalho, nem sempre é fácil reduzir o uso da energia.

“Trabalho com duas máquinas de costura que estão sempre ligadas, com luminária acesa, além do ferro de passar, que preciso para trabalhar e deixar tudo certinho. Isso ainda é difícil reduzir”, contou Maria da Penha, que trabalha com peças para montagem de mesas.


Entenda


Por que a conta de luz está aumentando?

  • Entre os principais motivos para aumentos na conta de energia está a crise hídrica no País, que tem afetado reservatórios de usinas hidrelétricas.

  • Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Brasil enfrenta hoje a pior estiagem dos últimos 91 anos.

  • Os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste, que respondem por 70% da geração de energia do País, estão com 23% da capacidade de armazenamento, nível menor que o registrado em agosto de 2001, quando o Brasil enfrentou racionamento de energia.

  • Para preservar água nos reservatórios das hidrelétricas, a primeira alternativa do governo é acionar as usinas termelétricas, que são mais caras e mais poluentes.

Aumentos este ano

De janeiro a abril

  • Bandeira amarela, ao custo de R$ 1,343 para cada 100 kWh;

Em maio

  • Bandeira vermelha patamar 1, ao custo de R$ 4,169 para cada 100 kWh;

Junho

  • Bandeira vermelha patamar 2 (acionada por causa da piora das condições hídricas), com custo de R$ 6,243 para cada 100 kWh;

Julho e agosto

  • Mantida a bandeira vermelha patamar 2, mas no valor reajustado de R$ 9,49.

Setembro

  •  Bandeira “Escassez Hídrica”, no valor de R$ 14,20 / kWh, com vigência até 30 de abril de 2022.

Consequências para o bolso do consumidor

  • Na última terça-feira (31), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu criar um novo patamar de bandeira tarifária para as contas de luz de todo o País.

  • A chamada “Bandeira tarifária escassez hídrica” entrou em vigor hoje e adiciona R$ 14,20 às faturas para cada 100 kW/h consumidos. A nova bandeira representa uma alta de 49,63% em relação à “Bandeira vermelha patamar 2”, que até agora era a mais alta do sistema e estava em vigor nos últimos meses.

Desconto na conta

  • O governo federal também anunciou nesta semana um programa que dará desconto na conta de luz dos consumidores residenciais e pequenos negócios que reduzirem de forma voluntária o consumo de energia.

  • Nesse caso, o desconto será de R$ 0,50 por cada quilowatt-hora (kWh) do volume de energia economizado dentro da meta de 10% a 20%.

  • A comparação será feita com base no somatório do consumo ao longo dos quatro meses – entre setembro e dezembro de 2021 –, na comparação com a soma das mesmas quatro faturas de 2020.

  • O desconto na conta seria em janeiro de 2022, após o período comparado.

Há risco de racionamento?

  • Ao contrário de outras medidas e apelos para economia de energia, o racionamento é uma redução compulsória, ou seja, obrigatória. Ela é adotada em momentos em que o sistema não tem condições de atender toda a demanda, por exemplo, por causa de crise hídrica.

  • O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou esta semana que não há a possibilidade de racionamento.

  • Mas em pronunciamento na última terça-feira, no entanto, ressaltou que a “condição hidroenergética se agravou” e fez um apelo para que consumidores que reduzam o desperdício de energia.

  • O vice-presidente Hamilton Mourão declarou ontem, durante entrevista coletiva à imprensa, que “pode ser que tenha que ocorrer algum racionamento”.

Crise de 2001

  • No Brasil, o racionamento foi adotado entre 1º de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002, durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.

  • Na ocasião, a medida estabelecia uma redução obrigatória de 20% no consumo de energia elétrica, sob ameaça de multa e corte no fornecimento.

Fonte: Pesquisa A Tribuna e Agência Globo.

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