Pensando que os filhos estarão mais seguros dentro das unidades prisionais, pais que participam de julgamentos na 1ª Vara da Infância e da Juventude chegam a pedir a condenação desses jovens.
“É comum, durante a audiência em que o adolescente é ouvido, acontecer de o pai ou a mãe chamar o promotor e pedir ajuda para manter o filho preso para que ele se livre do vício”, afirmou o promotor Clóvis Figueira.
Entre os relatos feitos pelos familiares estão as agressões sofridas pelas mães dos viciados, que chegam a vender alimentos de casa para bancar o vício dos filhos.
“Elas vendem celular, televisão, eletrodomésticos e até comida da despensa. Fazem isso em um momento de desespero. Algumas até são agredidas por adolescentes que acabam exigindo dinheiro delas”, disse o promotor.
Para Clóvis, o problema de muitas dessas famílias só será solucionado a partir de uma mudança na legislação.
Entrevista – “Paguei advogado para ela ser presa”, diz empresária
Os últimos três anos têm sido de muita luta e dor na vida de uma empresária de 39 anos, mãe de uma jovem de 22, viciada em drogas.
Mesmo com todo o sofrimento que enfrenta ao tentar tirar a jovem dessa situação, a mãe, que já foi até espancada pela filha, ainda mantém acesa em seu coração a esperança de um dia poder ver a jovem livre dos entorpecentes.
“Um dia, vou vê-la longe das drogas”, disse a empresária, que topou conversar com a reportagem e relatar um pouco de sua história.
A Tribuna – Quando começou sua luta?
Mãe – A partir do momento que minha filha começou a se envolver com pessoas que eram usuárias. Isso tem uns quatro anos. Ela começou a usar também e logo se viciou. Depois de um tempo, ela ficou muito agressiva e, no desespero de não vê-la morta, cheguei a pagar advogado para mantê-la presa.

Sim. Paguei dois porque a primeira achou que era errado eu pagar para manter minha filha presa. Aí, contratei o segundo. Foi a única forma que encontrei para não vê-la morta e também para que ela não fizesse nada comigo.
Mas ela já te ameaçou?
Não só me ameaçou como já me espancou. Quando saiu da cadeia e se reencontrou com um antigo namorado, que já era usuário de drogas, ela ficou ainda mais agressiva.
Mesmo assim, eu cheguei a manter os dois internados para tirá-los dessa vida, mas não adiantou. Ela engravidou, perdeu o primeiro neném por conta das drogas e, quatro meses depois, engravidou novamente.
Mas em que momento ocorreu a agressão?
Quando eu tento tirar a criança dessa confusão toda. Ela foi morar com o marido e a neném, só que não parou com as drogas. Ela vive com a criança no colo, de madrugada, nas ruas. Vive na rua igual zumbi. Quando tentei ajudar para tirá-los dessa vida, ela e ele me espancaram.
O que você fez?
Registrei ocorrência e tenho, inclusive, uma medida protetiva contra os dois. Mas o que mais me dói é saber que tem uma criança de seis meses no meio disso tudo, que é a minha neta. Qual é o futuro dela?
O que você já fez para tirar sua filha desse mundo?
Além de gastar R$ 5 mil com advogados para mantê-la presa, com medo dela ser morta por conta das dívidas com o tráfico, eu cheguei a tirá-la da cidade. Levei para o interior, já paguei dívidas dela, etc.
Hoje, depois de tudo o que passei, a única coisa que eu quero é que ela fique presa. Lá na cadeia, sei que ela está mais segura e eu terei um pouco de paz.
